𝒇𝒍𝒆𝒄𝒉𝒂𝒔 𝒅𝒆 𝒆𝒓𝒐𝒔
com @pips-plants
o arco não era um dos maiores focos de lily no acampamento, mas ela ainda treinava com uma frequência considerável e trazia consigo algumas referências de casa, mesmo após todos esses anos.
ela ainda conservava, também, os maus hábitos, deixava a corda do arco ricochetear no antebraço, causando vermelhidão e queimação. mas não havia errado a alvo algum, pelo menos por enquanto.
notou que havia chamado a atenção de alguém que não havia identificado ainda ao olhar de soslaio para quem estivesse do lado, mas sem perder o foco na figura a frente. “o segredo é o tempo de reação”, disse, erguendo o arco novamente e deixando a flecha a postos. “não preciso que ninguém veja os rostos, então é só ser mais rápida que eles.” a figura se mexia obstinada e ela acompanhava furtiva e tão precisa quanto, se havia algo que a motivava era um senso de preservação. quem quer que aparecesse, amigos ou supostamente algo mais que ela mesma sequer entendesse, seria constrangedor demais para ser exposto, então lily não tinha opção senão acertar.
ela sabia que a figura agitada, fugindo de ser alvo, tão rápido que sequer pudesse ser reconhecível justamente por isso, era mara, sua amiga de infância, ninguém jamais saberia quem ela era, mas lily sabia e a assombrava, e isso era o bastante. respirou fundo, atirou. a imagem se desfez no ar.
sentiu um ardor latente na bochecha e no antebraço, seria seu castigo, com certeza a tez assumia uma cor avermelhada. ao menos afrodite sentiria-se contemplada, bochechas rosadas não seriam sinônimo de paixão? não neste caso, mas assim poderiam ser interpretadas.
largou o arco em busca de paz, aguardando quais consequências seriam de seu feito. estendeu a arma em direção a sua nova companheira: “em busca de algo para se humilhar também?” franziu o cenho, carregando um semblante condescendente.











