25.08.21
por isso o que tínhamos acabou
eu pensei ter te perdido
muito antes de te perder

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25.08.21
por isso o que tínhamos acabou
eu pensei ter te perdido
muito antes de te perder
i am poisonous
13.09.19
você mudou, sabe? não é mais a mesma pessoa do começo. apesar de tudo, sei quando tem alguma coisa errada, sei quando alguém é tóxico para mim e me impede de florescer. não sei o que aconteceu, no entanto. foi alguma coisa que eu fiz? que eu disse? se sim, me perdoa, não tive a intenção.
seria mais fácil consertar tudo se você falasse comigo, mas a verdade é que eu estou triste e cansada de lutar por alguém que, percebo agora, nunca esteve aqui por mim. estou magoada e com o coração pesado e aos pedaços.
hoje percebi sua toxicidade. costumo atrair pessoas assim, talvez seja minha negatividade. mas você era diferente no começo. você me escutava. e então parou. você disse que ia melhorar. e então piorou.
não sabia mais o que esperar, então eu fui embora.
02.09.19
é setembro, mês dedicado à saúde mental, mas tudo o que as pessoas conseguem fazer é decepcionar umas as outras. era para ser amarelo, mas tudo que eu vejo é em preto e branco. é terror em meus olhos quando o sol nasce e a noite chega e o sol nasce de novo. os dias passam em vão. nada me satifaz.
era para ser amarelo, minha nova cor favorita, mas a vida não está sendo gentil comigo, ela me mostra caricaturas da realidade e espera que eu deduza o que é real e o que não é. a vida tem se mostrado triste, vazia. aquela espécie de buraco negro que suga tudo, mas no final não tem nada.
é assim que me sinto em setembro.
luto com todas as minhas forças e nunca parece ser o bastante. luto com tudo que tenho e tento não deixar sonhos que uma vez tive escorrerem pelos meus dedos como se fossem areia, mas eles correm e estou cansada demais para persegui-los.
era para ser setembro amarelo, mas ainda não é: ainda não é porque dói respirar e dói viver e dói pensar em morrer. setembro ainda é monocromático, ainda possui uma paleta de cores escuras.
setembro ainda não é amarelo,
pelo menos não para mim.
14.04.19
é engraçado, as pessoas começam a te ouvir apenas quando você morre
13.04.19
queria escrever alguma coisa
em agradecimento aos que ficaram
mas olhei para os lados
e não vi ninguém
06.09.19
hoje o dia foi péssimo. chorei muito durante a aula e pela primeira vez em semanas falaram comigo (para perguntar se estava tudo bem, ironia né? ninguém se importa até você ter crise, e quando ela acaba todos se afastam ainda mais). entrei no site do cvv pela primeira vez, mas não conversei via chat com ninguém. triste demais para manter uma conversa. quando faleo para o professor que ia me retirar por não estar me sentindo muito bem ainda, ele foi super compreensível e me deu umas palavras boas, mas continuo triste, aquela tristeza que não acaba e que (percebi agora) quando chega o final do ano piora.
estou tão mal e tão cansada de dizer que estou bem, mas não consigo falar outra coisa. não me sinto válida.
04.09.19
nunca me considerei ateia. acreditava no universo, que nada é por acaso e que a vida é curta demais para ser apenas isso.
em 2014 eu perdi a fé na igreja porque certos comentários me deixavam tão desconfortável ao ponto de eu ter ataques de pânico, então eu parei de frequentar as celebrações.
em 2015 eu comecei a me perguntar que, se deus existia, por que eu sofria tanto? por que o mundo era feito de ódio? por que estávamos destruindo tudo? eu me sentia ignorada por ele, me sentia vulnerável, solta mundo afora, perdida. e eu o culpava.
eu acreditava no universo e que alguma coisa deveria existir para manter tudo sob controle, eu acreditava em energias. eu só não acreditava mais na igreja.
fui criada católica, mas perdi minha fé.
porém, agora, estou tentando reencontrá-la. agora sei que é parte importante do quero ter, de quem eu quero ser.
em 2019 realizei várias pesquisas sobre religião e finalmente percebi que não existe apenas o catolicismo e que pessoas mudam e se descobrem. às vezes eu apenas não tinha achado o local certo.
então eu descobri o kardecismo. algo que sempre bateu com minhas crenças desde pequena, desde quando eu ainda era católica e minha mãe me repreendia porque "católico não pode acreditar nessas coisas". eu já conhecia, mas existia um abismo entre a crença e a possibilidade de frequentar o centro. eu nem sabia o que eles faziam lá direito.
então, pela primeira vez em quase cinco anos, eu fui à igreja, e pela primeira vez na vida eu fui ao centro, não sem antes pesquisar o máximo que eu podia acerca do mesmo. e eu nunca senti tanta paz.
o vento gelado de chuva que entrava pela janela, a voz calma e doce da palestrante, eu saí de lá em paz. eu acho que foi um grande passo dado, sabe? aceitar que nem tudo se resolve com medicamentos, que às vezes a dor é espiritual e que somos uma triplíce: alma, corpo e espírito, se um deles está desregulado, as outras partes também ficam debilitadas.
é bom ter um motivo para estar viva.