Eu acredito em coisas fantasiosas. Coisas que, em sua grande maioria, eu nunca vi. Nunca tive a oportunidade de ver. Eu acredito em países distantes, em cortes dos sonhos e em universos que criei. Que tampouco existem fora da minha cabeça. Eu acredito em versos românticos demais, sujos demais, poéticos demais - tão distantes da realidade que soam como uma trilha-sonora irônica para o filme caótico que é a vida. E, ainda assim, você conseguiu me convencer de que minha beleza é irreal. De que eu, as partes boas de mim, são fantasia idiota. Eu, que aos 19 ainda acredito em Papai Noel e Fada do Dente, caí na sua versão: a de que a mulher confiante que sou é de mentira. E eu nem acredito que “de mentira” seja verdade. Mesmo assim, caí tão fundo que não descobri, até hoje, como encontrar-me para além de seus olhos maus. Como é ser de verdade, hein?
- Devolva o que roubou de mim, Zé.












