O Mundo Gira
Se mede grau e urgência pelo ruído Uma métrica que contempla silêncio como conforto E a sinfônica dos desconcertos urbanos, civilização Atravessar o abandono com duas tempestades nos dedos
Deslizam portas, com ternura Pés se arrastam com cansaço Um evento moderno e intrusivo Idealizar traições pelo som
É um esporte, cílios afiando cortes Toda a matéria orgânica organizada Para pertencer a massa de amido Humedecer as mãos com lágrimas
Pássaros rondam a janela Como se espreitassem vislumbres Pássaros rodam tuas máquinas Como cavalos domesticados em carrosséis
Eis você, desfiando o pudor Colorindoo álibis com cores pastosas Um beijo desalinhado, a argila desta estação Um desejo morre dia sim, dia não
Moldar o soluço para esconder ossadas Barganhar antes de cabeça de peixes Um pomar de flores desdobravéis Antes que seja tarde, aterre o por do sol em mim
Como uma hóstia-tigre passivo-agressiva Amedronta visitas indesejáveis Invejando-as como um novo mundo Gargalhando liberdade enquanto cala a fome
É outra vez, um recorto ébrio Arrancando nomes com delicadeza Apertar o corpo como se fosse um pernil Servir interpretações falhas para o jantar...














