É importante entender que alguns dos habitantes do mar levam mais tempo para se adaptar à vida na ilha, outros levam menos, mas Pomba… ninguém estava pronto para tanto gosto em conhecer tudo e todos. Recém chegada, seus olhos brilham para cada coisa nova na qual pousam, e, incapaz de manter-se quieta, tem quase um mês que segue contente em rodar para todo lado, inabalável, sendo especialmente paparicada por todos graças à sua empolgação contagiante, que não se extingue mesmo que já tenha visto toda Saint Abbon de Fleury. Pela sua inconfundível inocência, ela nem parece que até pouco era alguém chegando na praia, lutando contra as mãos que a afastaram do mar, tentando morder o que estivesse na frente. E apesar da coleção de admiradores de toda sorte, ninguém confia em sua agitação indomada — ainda que benéfica — para designar-lhe um emprego.
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Ninguém entendeu quando Pomba correu até Corvo e lhe deu um abraço carregado de saudade. Corvo não pôde evitar retribuí-lo, ainda que com uma expressão confusa, essa que se espelhou na outra assim que se afastaram. Nenhuma das duas entendeu muito bem o que tinha acabado de acontecer, mas o sorriso de Pomba falava a língua da felicidade enquanto palavras que não eram francês tentaram encontrar caminho até a garganta de ambas, ficando perdidas na língua que não sabia mais pronunciá-las. Parece, tem sido falado, que elas se conheciam lá, nas profundezas do mar, mas toda vez que tentam falar sobre isso uma com a outra, uma nuvem de confusão recobre as possíveis memórias, e as deixam de boca entreaberta e olhar confuso.
A chegada de Pomba trouxe uma oportunidade para Águia, e a amizade que surgiu entre as duas fora qualquer coisa, menos natural. Aquela inocência na mais nova moradora da ilha era a garantia perfeita de que não teria suspeitas sobre as intenções da forasteira, e ela se apoiou nisso. Foi fácil se aproximar da animada tarka, curiosa sobre a vida no continente. Suas conversas podiam durar horas, mesmo que ela própria, vinda do mar, não tivesse muito a dizer sobre sua vida antes da ilha. Houve a tentativa de que essa relação não fosse assim tão exposta, mas numa ilha pequena como essa… Quem capturava as interações, mesmo que de relance, não via com bons olhos.
É de se esperar que a candura de Pomba desperte sentimentos de carinho, mas quando se pôs em defesa de Cão Menor, foi como se tudo ao redor se silenciasse para ele. Seus ânimos naturalmente aflorados não eram fáceis de despertar a empatia dos outros, algo que sempre o deixou ainda mais inquieto. Então, ali, de repente, estava ela dizendo algo sobre ser totalmente compreensível. A chave que virou dentro de si acionou uma cascata de reação, e o resultado foi uma paixão quase instantânea com a qual precisa lidar.
Tarka — chegada em Saint Abbon de Fleury: há menos de um mês
Idade: (não determinada - faceclaim de 21 a 27 anos)
Ocupação: (utp)
Moradia: (utp)