DAS DANÇAS QUE OS AFETOS FAZEM -
“Mas urubus dançam?”, perguntaram.
“Achei que eles só fuçassem carniças”, regurgitaram.
“Urubus bailam onde geralmente as pessoas não gostam de ver, urubus bailam em ruínas, em esquinas abandonadas, em carcaças desajustadas - posithivas - daquelas que não cabem mais nesse mundo”. Apenas pensei isso cá dentro de mim, mas respondi:
“Sim, urubus dançam aquilo que consumimos e que mais nos consome, bailam na carne, bailam na fome...
E nós sabemos de quê”.
[ Para o amigo Franco Fonseca ].













