Canção para Zula
Alguns dizem que o amor é uma coisa ardente, Que desenha um círculo de fogo. Ah, mas eu conheço o amor como algo que se apaga, Tão volúvel quanto uma pena levada pela correnteza.
Veja, querida, eu conheci o amor. Ele veio até mim. Aproximou seu rosto do meu, para que eu pudesse enxergá-lo. E então eu vi o amor me desfigurar, Transformando-me em alguém que já não reconheço.
Veja... a jaula me chamou. E eu disse: entre. Nunca mais voltarei a me abrir dessa maneira. Nem encostarei meu rosto na terra, nem meus dentes na areia. Não permanecerei estendido assim, por dias sem fim.
Você não vai me ver cair, Nem me ver lutar para permanecer de pé, Na esperança de ser reconhecida Por um simples toque de suas mãos retorcidas.
Veja... a jaula me chamou. E eu disse: entre. Nunca mais voltarei a me abrir dessa maneira.
Veja como a lua brilha naquela noite entre as copas das árvores. Eu vejo as sombras que lançamos sob essa luz fria e cristalina. Talvez eu tema partir, enquanto meu coração permanece branco, E nós corremos pelas planícies do deserto durante toda a noite.
Então, querida, agora eu sou Alguma coisa quebrada. Já não permaneço deitado na escuridão, esperando o amanhecer.
Agora meu coração é de ouro. Meus pés encontraram o caminho. E eu corro pelas planícies do deserto durante toda a noite.
Alguns dizem que o amor é uma coisa ardente, Que desenha um círculo de fogo. Tudo o que eu conheço é o amor como uma prisão, Um assassino que bate à porta, saído de algum pesadelo.
E todos vocês... vêm apenas para olhar. Ficam aí, do outro lado do vidro, observando-me.
Mas meu coração é selvagem. E meus ossos são de aço. E eu poderia matar vocês com as próprias mãos... se eu fosse livre.
- Phosphorescent - Song for Zula














