Desafios SUS - saúde mental
metade dos CAPS do país não contam com prontuário eletrônico
mais de 70 hospitais gerais tem leitos psiquiátricos, mas não tem psiquiatra (questão: demografia médica, não obrigatoriedade de não ter psiquiatra em hospitais com menos de 3 leitos de saúde mental) = teleconsulta de centros de referência a clínicos gerais na hora de plantonista receitar psictrópico em leito de saúde mental em momento de crise (não resolve o problema estruturalmente, mas reduz iatrogenia e melhora a qualificação dos profissionais)
"As sociedades tem formas diferentes de lidar com a situação de perda. Funerais, velórios como rituais nos quais a gente vivencia coletivamente, dentro de uma estratégia de dar formulação e significado a essas situações, estratégias de controlar de alguma forma ou dar significado ao aofrimento. Quando o sofrimento é vivido isoladamente, sem que tenha inscrição da cultura dentro do sofrimento, a gente se perde Precisamos de velórios e funerais, precisamos de processos de ruptura, marcas .. não à toa, quando alguém termina a adolescência e entra na vida adulta, existem rituais de passagem. Porque SEMPRE QUE PASSAMOS POR UM MOMENTO, PERDEMOS O MOMENTO ANTERIOR. E ISSO NÃO SE DÁ SÓ PARA QUEM ESTÁ NA PASSAGEM. Quando você tira a foto de um filho, você tira a foto de alguém que nunca mais vai existir. Dali a 10 anos, ela não vai existir mais, é irresgatável. Mas você vivenciou processos de transformação com rituais de passagem nos quais a perda se torna tolerável. Sem isso, o sofrimento não tem significado, ele fica sem sentido e com o qual não conseguimos dar nome e conseguimos cada vez menos lidar."
"Quando pensamos em saúde mental de adolescentes no ambiente digital, são essas 2 dimensões que comparamos: socialbilidade, inscrição na cultura e vivenciar perdas a partir do coletivo e ter interlocução com a cultura através de rituais X universo no qual o prazer é dimensionado, planejado e colocado em um algotirmo, o tempo perde a dimensão social e todas as questões são vivenciadas individualmente e tudo o que é coletivo acaba restrito a algumas categorias de identificação. No caso do sofrimento mental, por categorias médicas, no qual a pessoa se identifica não só do ponto de vista da experiência, mas também da definição de critérios e a experiência que se compartilha é basicamente por conta de critérios e sintomas que a pessoa vivencia. E dentro de um cotidiano que vulnerabiliza e reproduz vulnerabilidades em que as pessoas mergulahm de tal forma que elas vão perdendo progressivamente a capacidade de interagir presencialmente (...) A gente sabe falar porque a gente fala. E com o tempo, essas dificuldades tendem a se tornar categorias diagnósticas. Então, daqui a algum tempo, a dificuldade de interagir presencialmente vai se tornar sintoma de alguma coisa que está sendo criada, porque ela já é entendida como um fenômeno que entra em uma série de diagnósticos. Este é um sistema poderoso com lógica própria que destrói determinante social e toda a possibilidade de entender um fenômeno socialmente, porque a própria digitalização é um fenômenos social"
MARIA HELENA PEREIRA FRANCO
Ações terapêuticas: pessoas podem fazer de qualquer lugar, não precisa se restringir ao mundo psi
"posso não poder tudo, mas meu fazer será oferecido sob medida"
Niemeyer: Luto não é a ausência de alguém. É a ruptura de um mundo de significados. Cuidar: significa ajudar a reconstruir o mundo
OUVIR X ESCUTAR: ouvir é fenômeno fisiológico, compreensão neural do som e semântica de palavras. Escutar é fenômeno existencial , pois o que escuto vem repleto de significados que são próprios daquela situação (e não de outra). Para escutar, o que me atrapalha? Me perceber e ver que comunicação posso fazer com aquela pessoa. Presença, disponibilidade, sustentar silêncio (e dar espaço para o outro entrar em contato consigo e aos poucos tentar se organizar). Suspensão temporária do próprio mundo interno para que o mundo do outro possa existir naquele espaço.
3 níveis de escuta clínica: a) Conteúdo (fatos). b) Afeto (como está sendo dito: o tom de voz, o que silenciou, faloiu rápido pra informação sair correndo, raiva que se disfarçou de culpa, o não-dito - que pode ser sonoro se soubermos escutar e que compõe na compreensão daquela experiência). NÃO EXISTE A NÃO-COMUNICAÇÃO, tudo comunica. c) Vínculo perdido (quem era a pessoa que morreu para o enlutado. Marido é marido, o marido dela é o marido dela, o que é marido pra ela, na história dela, neste contexto). Bowlby = luto é resposta à ruptura de um vínculo (que vínculo foi esse? houve ruptura? qual, de que tipo?). Qual é a falta que o enlutado tem? Neste vínculo tem muita história para conhecer e que vai se expressar no luto.
"A escuta clínica do luto precisa incluir o morto" (vinheta clínica: "só perguntam de mim, nunca dele")
Escuta clínica não é cumprimento de uma lista alheia ao enlutado.
o Sistema de saúde tende a tratar o enlutado como paciente sintomático e ignora a pessoa amada no centro de todo aquele cuidado. Perguntar sobre o morte e sobre o vínculo é ato clínico.
3 marcas do acolhimento genuíno: 1) Incondicional (todo luto merece acolhimento, independe do tipo de luto, da identidade do enlutado ou da causa de morte). 2) sustenta a ambiguidade (não é ausência de sofrimento, mas a consciência sobre o que a morte mobiliza em você. Consigo perceber como algo que me constitui mas que não vai se manifestar aqui, na minha escuta ao outro, porque é o luto do outro que está ali). c) Institucional: o profissional em burnout não consegue acolher de forma sustentada.
o luto que adoece é aquele que fica sozinho.
Anatomia da comunicação: comunicação de más notícias é uma porte de entrada para tudo isso. Vou gerar na minha comunicação vários lutos.
Ensinar não é passar conhecimento, mas permitir à pessoa construir o próprio conhecimento (P. Freire)
dependendo do meu não-verbal, o outro pode se sentir acompanhado. Dependendo do meu não-verbal, ele pode se sentir abandonado.
*AGENDAR SEGUNDA VEZ PRO CÓRTEX PRÉ-FRONTAL VOLTAR A FUNCIONAR
O MÉDICO TAMBÉM ENTRA EM LUTO AO COMUNICAR NOTÍCIAS DIFÍCEIS
ÀS VEZES, O MAIOR ATO DE EMPATIA QUE PODEMOS TER É DEIXAR A PESSOA CHORAR, NÃO INTERROMPER.
como regular antes de explicar? como manejar e trazer a pessoa pra janela de tolerância?
*dar tempo para a realidade entrar no corpo da pessoa
Protocolos reduzem improviso ruim.
*mapa é diferente de território.