Pronto. Fanfic que eu prometi ontem ouo
é matocest ouo E ficou uma coisa horrível, masok -qqq
A separação fora difícil para os dois. Em parte, o sul mato-grossense arrependera-se profundamente, por deixar que a ganância o guiasse por aquele caminho, que já não tinha volta. Por que ele simplesmente não ajudara o irmão, que passava por tantas dificuldades? Ele estava bem, naquela época. Mas não, ele simplesmente virara as costas à Mato Grosso, pensando em aumentar o próprio desenvolvimento.
Nunca esqueceu o rosto do irmão mais velho, mudando a pouca expressão que tinha, para algo mais desesperado. Pensara seriamente em voltar atrás na decisão. Mas agora não era hora de pensar nisso. Os anos enfim haviam passado, e pelo o que parece, seu sentimento escondido pelo irmão havia permanecido.
- Hey, Do-Sul, você está me escutando? – chamou o mais velho, fazendo com que o menor saísse do transe. Mato grosso do Sul piscou os olhos, voltando a encarar o rosto preocupado do irmão. Isso, os dois tinham saído juntos, em um passeio:
- D-Desculpe... Acabei me perdendo nos pensamentos.
- E no que pensava? – o sulista não queria abrir o jogo. Agora os dois finalmente haviam se entendido. O menor apenas balançou a cabeça, fechando os olhos com força:
- Não é nada! É apenas besteira da minha cabeça!
- Hm... Então ok. – murmurou o mais velho, ainda desconfiado. Voltou o olhar agora à feirinha em que se encontravam, escolhendo alguns vegetais:
- Você estava distante, e como o conheço bem, parecia que ia chorar...
- N-Não é nada. Não precisa se preocupar comigo. – tranquilizou o Do-Sul, coçando a nuca, com um sorriso forçado na face. Estaria tudo bem, se somente ele guardasse tais sentimentos.
Mato Grosso apenas resmungou, voltando sua atenção aos legumes que escolhia. Pretendia convidar o caçula à um jantar em sua casa, mas é lógico que isso era surpresa. Mal sabia ele, que o jantar teria de esperar. Mato Grosso do Sul percorreu o olhar pelo local, observando um grupo de crianças brincar com bolinhas de sabão, alegres e sorridentes. Quando foi mesmo que aquele sentimento proibido começara a crescer em seu peito? Ah, é mesmo.
Naquela época, quando tudo era mais fácil
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Duas crianças idênticas brincavam pelos pantanais, rindo e divertindo-se juntas. Perseguiam insistentemente um grupo de libélulas, perto de um riacho, que fluía silenciosamente.
- Hey, mano! Olha só o tamanho da libélula que eu peguei! – Gritou o mais velho, sorrindo orgulhoso, ao mostrar o inseto ao irmãozinho.
- Nossa... Você é incrível! Eu nunca vou conseguir pegar uma assim... – murmurou o menor, com os olhos brilhando de admiração. O maior encarou o irmão fixamente, antes de segurar a mãozinha do mesmo, e colocar o inseto nela:
- Toma. Fica pra você, e... Vê se melhora essa carinha! – naquela época ele era tão sorridente... O toque fizera o menor corar, e o coração acelerar.
- P-Por que, mano? Foi você que pegou! –protestou o menor, torcendo para que o irmão não percebesse suas bochechas rosadas.
- Ora essa, eu peguei, dou ela pra quem eu quiser. – deu de ombros, sorrindo ainda mais. – E também quero ver um sorriso nesse seu rosto, só isso.
O caçula sentiu as bochechas queimarem ainda mais. Aproximou-se sorrateiramente do maior, roubando-lhe um selinho, na época, soava tão inocente. O maior corou ao extremo, levando ambas as mãos até a boca, perplexo:
- P-Por que diabos ‘cê me beijou?!
- Porque... Eu quero te agradecer por me fazer sorrir, mano! Muito obrigado! – sorriu ainda mais o pequenino, o que fez o maior corar mais. Mato Grosso do Sul observou o mais velho correr, para longe, envergonhado. Quando viu que encontrava-se completamente sozinho, fechou os olhos, soltando a libélula que tinha em mãos:
- Você sabia, mano? Eu amo você...
Naquela época, tudo era mais singelo, bonito. Mal sabia o menor, que esse sentimento o amaldiçoaria até os dias de hoje.
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MS balançou a cabeça, saindo do transe que o fisgara, há pouco tempo. Deslizou uma das mãos pelos cabelos, tentando afastar aquelas lembranças, que tanto o machucavam. Como era ruim, amar e não ser retribuído.
- MS, tem certeza de que está tudo bem? – murmurara o maior, pousando a mão sobre um dos ombros do caçula. Aquele simples toque fizera o menor estremecer e corar intensamente:
- P-Por favor... N-Não me toque... – pediu o sulista, em tom fraco e entrecortado. Doía demais, pensar que ele era o real motivo, de tanto sofrimento do mais velho. Se o amava, por que o machucou tanto, anos atrás? Ele não merecia a gentileza dele.
- Você não parece muito bem... Vamos até minha casa. – MT abraçara casualmente o mais novo, o puxando rumo à sua casa. Mas o menor fora mais rápido.
- NÃO ME TOQUE! DÓI DEMAIS! – vociferou o jovem, empurrando o abraço do irmão. Já detinha lágrimas escorrerem por todo o seu rosto rosado. O mais velho não entendeu o que havia acabado de acontecer. O que fizera de errado?
- M-MS... – mas antes que pudesse se aproximar novamente do caçula, este já corria, sem uma direção certa. A cena de anos atrás repetia-se. Mas dessa vez seria diferente. MT correu atrás de seu irmão.
MS corria sem um rumo definido. Corria desengonçado, e já sofria dificuldade em enxergar, causada pelas lágrimas. Suas pernas falhavam às vezes, mas ele teve a sorte de não cair. O menor já não suportava mais a dor. Cessaria esse sentimento, que crescia cada vez mais descontrolado em seu peito.
- MS! PARE AGORA! VOLTE AQUI E ME EXPLIQUE O QUE ESTÁ ACONTECENDO! – gritava o mais velho, na vã tentativa de fazer o outro voltar. Sentia-se cada vez mais frustrado, pois estava a centímetros de segurar o pulso do mais jovem. Mas sempre que parecia que conseguiria, o outro se afastava mais.
- Não! Me deixe em paz! – gritou em resposta, obrigando as pernas a correrem mais rápido.
Finalmente o menor parara, no momento em que ambos encontravam-se em uma estrada de terra, que fazia uma encruzilhada com os trilhos do Trem do Pantanal. O sulista aproximou-se mais dos trilhos, olhando fixamente o rosto do mais velho:
- MS... V-Volte, por favor! Aí é perigoso! – implorava o mais velho, não atrevendo-se a se aproximar do mais novo, com medo que este caísse nos trilhos:
- Não... Eu cansei disso. – o caçula forçou um sorriso. Já havia parado de chorar, finalmente.
- E-Eu não estou entendendo...!
- Eu apenas não posso mais... Já estou no meu limite, mano. – o sul mato-grossense fizera uma pequena pausa, causada por um suspiro. – Você se lembra? Daquele dia em que nos separamos...
- Como eu poderia esquecer? Foi a coisa mais difícil para mim. – murmurou, o mais velho, desviando brevemente o olhar.
- O erro foi meu. Eu o fiz sofrer daquele jeito...! Me perdoe por isso, irmão. – sussurrou o mais novo, olhando veemente o chão. Mato Grosso arriscara avançar alguns passos, sem que o outro percebesse:
- Já passou, você não precisa se culpar. Agora volte para cá.
- Pode ter passado... Mas o sentimento não. – o sulista ergueu o olhar, o que fizera o outro parar de andar imediatamente. – Esses sentimentos t-teimam em ficar, mano. E eu já não sei mais o que fazer...!
- Não precisa fazer nada, MS. Apenas volte aqui, pelo amor de Deus! – um ruído irrompeu o silêncio mortal, o que fizera o mais velho desviar o olhar, à procura do causador daquele som. Foi então que viu, ao longe, um trem se aproximar, rapidamente do local onde estavam. Ou melhor, do local onde o irmão mais novo se encontrava.
- É s-sério... Saia daí agora! – ao contrário do que o irmão mais velho ordenara, o sul mato-grossense saíra da estrada de terra, ficando agora, por cima dos trilhos. E o barulho do trem só aumentava, sinal de que estava próximo.
- Não consigo fazer esses sentimentos sumirem... E eles vêm me matando aos poucos, ao longo dos anos. – deu de ombros, voltando mais uma vez ao choro:
- Eu queria ter parado, MT. Eu não queria sentir esse tipo de coisa por você. – o mato-grossense apenas observava, pelo canto do olho, o trem se aproximar mais e mais. Porém, três únicas palavras o fizeram retornar à atenção ao menor.
- Eu te amo. – sussurrou o menor, feliz por finalmente proferir tais palavras. As celas da cruzada do trem começaram a abaixar-se, e as sirenes de alerta a apitarem, sem descanso.
- O-Olhe só... E-Eu fiquei para t-trás... Mais uma vez...! – o mais velho começou a desesperar-se. Ele não poderia viver sem o irmão. Não agora, que sabia que o que sentia era correspondido. Correu em direção à MS, tentando desesperadamente livrá-lo do que lhe aguardava:
- Adeus, Mato-Grosso. – por mais que estivesse assustado, o menor continuava com aquele sorriso no rosto, imóvel sobre os trilhos.
- N-NÃO, M-MS, EU TE AM- - Talvez a próxima declaração tivessem impedido o irmão da loucura que fizera. Se elas tivessem sido proferidas esta tarde, talvez o irmão estaria vivo agora.
A única coisa que Mato-Grosso conseguira processar no momento, fora o último sorriso do irmão, assim como o som do trem, que ficara infernal. E o mesmo, chocando-se contra o corpo frágil, daquele que sempre protegera. Daquele que sempre vivera perto de si. O mato-grossense caiu de joelhos, com os olhos arregalados, descrentes e perplexos. Se tivesse dito que também o amava antes, e não no jantar que pretendia fazer...
As coisas seriam diferentes. Eles jantariam juntos, e o beijo, que nunca aconteceu talvez teria se realizado. Mas a vida é feita de imprevistos, e mesmo que não estejamos preparados à enfrentá-los, devemos sempre nos lembrar com carinho...
... Daqueles que foram fisgados por ele.