Jujubas da Florzinha
Tive um dia ruim. E, a cada novo amanhecer, percebo que certas despedidas começam a se tornar necessárias.
A Temperança pede calma, mas como permanecer sereno sendo um vulcão escondido no fundo do oceano? Existe fogo demais dentro de mim para caber numa aparência tranquila. Sinto intensamente coisas que eu gostaria de não sentir, e a solidão, às vezes, parece um cárcere privado onde aprendi a sobreviver. Uma espécie de Síndrome de Estocolmo emocional. Me acostumei tanto à ausência de abrigo que comecei a acreditar que migalhas também eram formas de amor.
Talvez esse tenha sido meu maior erro: esperar ser salvo do próprio afogamento por alguém que mal sabia nadar nas próprias dores.
Estive bonito para ser notado. Estive vulnerável para ser acolhido. Estive presente para ser escolhido.
E, no fim, continuei sendo apenas o estranho. O esquisito. O homem intenso demais para um mundo acostumado com sentimentos rasos e relações utilitárias.
As pessoas, em sua maioria, se aproximam pelo que podem extrair. E eu entendo. No fundo, quase todos nós nos tornamos objetos temporários na vida uns dos outros quando existe alguma conveniência nisso. O problema é quando o coração insiste em acreditar que, em algum momento, alguém ficará por essência e não por necessidade.
Quando a minha verdade finalmente vai encontrar a verdade dela?
Tudo parece tão frágil. Tão previsível. E ainda assim, mesmo perto dos 40 anos, continuo tropeçando nos mesmos roteiros emocionais. Já vivi histórias parecidas demais para não reconhecer os sinais. Ainda assim, insisto. É como oferecer moedas ao vício esperando receber cura em troca.
Às vezes me pergunto se as cartas realmente dizem a verdade. A Temperança insiste em pedir paciência justamente para mim — alguém que sempre quis tudo para ontem. Alguém que transforma espera em ansiedade e silêncio em tempestade.
E a casa… a casa que deveria ser acolhimento, muitas vezes se transforma apenas em um espaço de cobranças e exigências.
Eu não precisava de promessas impossíveis. Só queria transparência.
Será que sou tão difícil de amar assim? Ou apenas me tornei especialista em escolher pessoas emocionalmente indisponíveis?
Talvez hoje eu apenas precise de algo simples. Talvez as jujubas de florzinha sejam o único conforto honesto que o dia ainda pode me oferecer.












