Um exemplo triste que vejo em minha igreja é a quantidade de pessoas que acha que, colocando wi-fi na casa paroquial, os jovens que estão aprendendo, na crisma, por exemplo, se distrairiam. Pior, que os líderes deixariam de se preparar antes, porque podem consultar qualquer informação a qualquer momento.
O ciberespaço é o espaço de convivência da nova Sociedade em Rede, possibilita vivenciar experiências intensas e tem grande poder de atrair e manter os frequentadores. Facebook: 1 Bilhão de usuários, todos passando horas e horas ali - não é verdade? O ser humano contemporâneo é digital, tem novos comportamentos, novos estilos de ser e agir, lê e escreve de forma diferente, desenvolveu novas formar de pensar e aprender, de se relacionar com amigos e de amar. É para esta nova sociedade e para este novo ser humano que devemos projetar a educação.
Você está absolutamente certo ao supor "há uma revolução silenciosa em processo". Mas nem é tão silenciosa assim. A ideologia contemporânea, o que está na cabeça de todos e recorrentemente explícito no discurso dos pais: é preciso trabalhar com o que lhe der satisfação pessoal, é preciso obter realização profissional acima da financeira, o dinheiro vai ser uma consequência daquilo com o que você gostar de trabalhar. Outra evidência: os profissionais não se sujeitam mais a uma empresa, trocam de emprego várias vezes ao longo da vida, e agora até mudar de carreira também está se tornando frequente. Como você mesmo afirmou, você é um bom exemplo disso: "Hoje prefiro ganhar menos numa universidade pública do que muito na iniciativa privada como já ganhei. E Não parece ser uma visão particular." E não é.
O ciberespaço, ao promover novos espaços de vida e novas formas de organização social, tem gerado profundas alterações nos estilos de agir e de ser de seus contemporâneos. Tal como a Revolução Industrial deu origem a um longo processo de mudanças que resultou na emergência do homem do século XX, a Revolução da Internet desencadeou um processo de transformações, ainda em curso, que está gerando o homem do século XXI. Nos deparamos com a Geração Digital (também conhecida como Geração Y) e a Geração da Internet (também conhecida como Geração Z). Estas gerações são as primeiras a crescer em um ambiente digital e a utilizar a Internet para obter informações e realizar pesquisas em idade escolar. Foram moldadas pelo ciberespaço, onde se acostumaram a viver desde muito cedo, adaptaram-se às novas tecnologias de forma mais rápida que as gerações anteriores porque não tiveram que enfrentar mudanças de hábito e paradigma causadas pelos computadores em rede. Os jovens dessas gerações leem e escrevem muito, seja em rede social, correio eletrônico, mensagem instantânea, microblog, blog, wiki dentre outros meios. Buscam informações incessantemente, não estão mais restritos a livros e revistas, e se acostumaram a investigar as informações antes de tomarem decisões sobre qualquer assunto. Mantêm contato permanente com amigos, realizam atividades colaborativamente, participam das redes sociais, opinam sobre os mais diversos assuntos, compartilham arquivos, jogam em grupo. Estão acostumadas a conviver com pessoas de todos os tipos, abraçam as diferenças de sexo, raça, religião, nível cultural e socioeconômico, ou capacidade física. Não possuem uma noção rígida de limite de tempo bem como de linhas divisórias entre espaço para lazer, trabalho e estudo. Gostam de integrar a vida doméstica à profissional, podem jogar no trabalho e trabalhar em casa, gostam de horários flexíveis e remuneração baseada no desempenho. Rejeitam hierarquias e burocracia. Querem velocidade de resposta, estão sempre atualizados com as novidades, gostam de criar. Valorizam a liberdade de escolher o que querem fazer, o que experimentar, onde trabalhar, o que consumir, o que querem ser. Para se relacionar com as novas gerações é preciso franqueza no discurso e nas atitudes.
Para mim não faz mais sentido esse discurso: "tentar dar a formação do compromisso, da responsabilidade, do horário, do 'ter que fazer' para tentar acostumar os alunos com o que eles enfrentarão em breve. Ou estou errado?"
Sim, na minha visão, este discurso está ultrapassado.
Se no passado era importante assimilar tudo, reter a informação e competir, hoje o mais importante é colaborar e ativar a rede de amigos para conseguir resolver os problemas complexos. Por isso entendo que nossa missão, enquanto professores do século XXI, é: apoiar a colaboração entre os alunos em vez de promover a disputa pelas melhores notas; é estabelecer uma pareceria em vez de uma hierarquia; criar oportunidades de aprendizagem em vez de empurrar conteúdos; estimular a autoria em vez de ficar dissertando sobre o assunto; ouvir mais em vez de pedir silêncio; promover a colaboração e interação social em vez de colocar todos voltados para o chefe-professor.
A sociedade já mudou. O ensino tradicional, por manter a tradição vinda da sociedade industrial, já está muito ultrapassado. É urgente a mudança de postura do professor. É urgente abraçarmos novos métodos educacionais.
Como a graduação ainda não está adaptada para esta nova sociedade (talvez a escola em geral), é fácil entender o sucesso que a Educação a Distância está obtendo. Não acho que a Educação a Distância seja ótima, pra mim sofre de males semelhantes ao da modalidade presencial, só que ao menos não tem o professor no pé do aluno para piorar tudo. Advogo é por métodos educacionais mais interativos, colaborativos, mais baseados na construção de conhecimento, na aplicação e realização de projetos de aprendizagem, com mais autoria dos alunos, com mais diálogo. Seja no presencial ou a distância.
Desejo a você, e a todos os meus colegas professores, CORAGEM.
Porque é um processo de mudança, e sendo assim, dá trabalho e é sempre acompanhado de dúvidas, incertezas, apreensões, tentativas-e-ERROS. E viver as angústias das dúvidas provocadas pela mudança é fundamental para se manter atento e ir aperfeiçoamento o método educacional no contexto específico da sua disciplina.