Eu estou cansada. Muito cansada. À pouco tempo percebi que cansaço na verdade é apenas uma espécie de desculpa pra tristeza. Melancolia. É estranho eu pensar que estou melancólica, mas ultimamente me sinto assim. Quase dramática. Não gosto de compartilhar dores com ninguém, mas não posso mais me enganar, achando que ninguém está vendo a quantidade de dor que eu estou passando. Ou melhor, qualidade. Por que dor também é qualificação. A gente espera que no fim da dor chega a alegria, e só Deus sabe como eu espero a minha alegria, a minha qualificação pra algo melhor do que eu vivo hoje. Eu cansei da vida que tenho, porque não tenho mais prazer nela como tinha antes. Não tenho mais ânimo pra vivê-la, pra levantar da cama e desejar bom dia para as pessoas. Ânimo pra sorrir no trabalho, ser simpática. Ânimo pra estudar aquilo que eu sonhei por tantos anos em minha vida. Deixei de ter vontade de fazer as coisas, e a consequência disso é o cansaço. Físico, mental, psicológico, emocional. Estou cansada de todas as formas que poderia estar. Sinto dores nas costas, e no peito, mas sei que significam outras coisas. Estou cansada, e mesmo que eu saiba que as pessoas veem isso, elas não ligam mais. As pessoas não estão mais importando-se com as outras, e nesse momento sei que estou cansada, e sozinha. Por dois motivos: não gosto de parecer fraca, e não gosto de me impor a alguém. Então cá estou eu: cansada, triste, esgotada, e sozinha. Eu, meu âmago e minhas dores.












