Será que eu sou alguém? Olhar para dentro de mim e não enxergar absolutamente nada dói tanto que, pouco a pouco, vou perdendo as esperanças de que um dia eu possa ser feliz. Tenho medo que o meu valor esteja sendo abafado pelas pessoas que querem ser mais que eu. O quão o mundo fica feliz em ver minha desgraça? As pessoas vão e vêm, passam, vivem, enquanto eu não sou notado, não importa o lugar que eu esteja. É tanta gente. As ruas são lotadas, será que há alguém como eu? Será que só eu vivo assim? São tantas perguntas… Às vezes eu penso que o mundo é uma mentira. Meu mundo é uma mentira. Eu não tenho ninguém para compartilhar, não tenho mais espaço para guardar dentro de mim. Essa confusão é tão grande, que não cabe aqui. Escrever foi a única forma que eu encontrei de tirar isso de mim, uma forma de ver o que eu sinto. Estou falando em silêncio. Estou morrendo em silêncio. A minha vontade é abrir a janela e gritar para o mundo que eu também preciso de atenção, que ninguém nunca vai conseguir ser feliz ou sorrir verdadeiramente, se estiver sozinho. São tantos sorrisos cheios de mágoas, tristezas, sofrimentos, angústias… É isso que eu carrego. Aliás, isso é o que me carrega pela "vida".
E se um dia eu pusesse fim nessa vida, um fim no meu sofrimento? Talvez fosse melhor, porque talvez eu seja só uma faísca que não atingiu o pavio, uma chama invisível ou um ponto de interrogação em um livro sem perguntas. Luc (intercalado)