“(...) E se a carne dos cordeiros é o principal sustento dos agricultores, tenta-se, agora, valorizar também a lã, que tem sido aproveitada quase exclusivamente por negociantes espanhóis, que a “levam ao preço que querem”, segundo refere Pamela Raposo, muitas vezes de borla. “É paga a 0,40 euros o quilo [ndr: uma ovelha produz, em média, 1,8 a dois quilos de lã por ano] quando a tosquia custa ao agricultor 1,5 euros por animal”, explica. A questão é que em Espanha é valorizada na indústria têxtil e chega a ser exportada para o outro lado do mundo. “Há negociadores que compram aqui toda a lã que conseguem e depois exportam a nossa para a Austrália”, lamenta. (...) O problema, aponta, está muitas vezes nos próprios produtores, a maior parte deles já com bastante idade, que são os primeiros a “desvalorizar o produto. Chegou a valer três contos, em moeda antiga, numa altura em que isso significa, se calhar, 50 euros. As pessoas preferiam ter as ovelhas pela lã do que pela carne. Mas, aqui, as pessoas são pouco rigorosas e não se unem para valorizar o produto que têm. Deixam que lho levem pelo preço que for. Em Espanha pagam 10 euros por arroba (cerca de 15Kg) os mesmos negociantes que aqui levam a lã por metade desse valor”, frisa. (...)”
— Jornal Mensageiro de Bragança - 19/06/2014
Como se pode ver, na página da esquerda fala-se das consequências económicas e sociais que resultam dos outros valorizarem uma matéria-prima local, que nós não valorizamos por cá. Na página da direita, a mesma lã é comunicada como sendo "coisa de velhas" e, portanto, presumo que sem pertinência no panorama económico actual. Em que é que ficamos? ●●● On the left the story talks about the economical and social consequences that happen when a raw matter that is not valued in Portugal (in this case, wool) is valued by other countries' textile industry. The newspaper talks about how in the Trás-os-Montes region, all the wool is bought at a very low price by spanish dealers (about 0,40 euros per kilo), to be exported for countries where this raw matter is well valued. It also mentions, through the testimonies of several younger people working in the area, that this happens because the owners of the flocks themselves don't value the wool, and so they sell it for almost nothing, and even give it away for free, sometimes. However, on the page by the right side, the exact same wool is being communicated as being "the work of old women", as if it was not a job with any value in our present economy. So, what is it?
















