Raymond Aron: um liberal maquiaveliano?
O livro, Estudos Políticos, de Raymond Aron, é uma grande coletânea de textos publicados pelo autor ao longo entre 1937 e 1969. A temática é diversa – trata de tópicos relativos à epistemologia, aos fundamentos teóricos da ciência política e das relações internacionais, à relação entre teoria e história, à uma sociologia das sociedades industriais e à contraposição entre democracia e totalitarismo – porém unificada pelo que me parece ser uma perspectiva teórico metodológica maquiavélica-weberiana. Trata-se de um pensador do político, no sentido do reconhecimento da inevitabilidade das relações de poder nas comunidades humanas (traço maquiavélico), e de um polemista que oscila entre a entusiasmo e a resignação diante do destino capitalista e liberal do Ocidente.
Com efeito, o pensamento de Aron se estrutura a partir da crítica contundente do marxismo e sua filosofia da história enquanto modelo teórico de interpretação da realidade, e do socialismo real, enquanto modo de organização política.
No texto, Imperialismo e Colonialismo, o autor denuncia a contradição da esquerda ocidental e o humanismo hipócrita que condena a ocupação europeia na África, mas oculta por outro lado a maior empresa colonialista de seu tempo, levada a cabo pela URSS no leste europeu e na Ásia.


















