Disseram-me, amor, como se esta fosse a maior das certezas, que não é possível dar a alguém todas as estrelas do universo. Pedi explicações, perguntei motivos, questionei a veracidade do que foi dito e agora, hoje, esta noite, rodeada de estrelas como estou, pergunto-te: por quê, amor? Explica: como? Tu sabes tão bem quanto eu que as estrelas são nos dadas uma a uma, todos os dias, ou talvez uma vez no mês - não sabes? Tu tens em tua vida o brilho de um universo todo teu - não tens? Então explica, amor: como não? Como não se pode dar todas as estrelas, se eu as ganhei de você? Como não se pode possuir todo o brilho, se o teu é o mesmo do meu e do universo inteiro? Disseram-me, amor, como se esta fosse a maior das certezas, que não é possível morar onde não há teto. Explica: como não? Diz, então, como eu posso me sentir tão arquiteta de dias que ainda não aconteceram debaixo do teto de Deus. Como não se pode morar debaixo do céu, amor, se o céu é todo nosso? Como não se pode morar, se teu rosto é meu lar? Digo-te agora, a noitinha, rodeada de estrelas e de ti (talvez minhas duas coisas favoritas no universo) que não acredito no que disseram-me. E peço, meu amor, minha estrela, meu tesouro: não acredite também. Que meu medo - meu único medo - talvez seja não mais possuir todas as estrelas do universo e não mais morar no teu rosto debaixo do céu. Que este medo, amor, vale por cem, e tu vales por mil - nossas estrelas, só elas, só elas valem mais. Disseram-me, amor, como se esta fosse a maior das certezas, que não é possível se manter perto mesmo de longe. Só então percebi o equívoco nas palavras que me foram ditas. Diga a eles, amor! Diga, assim como eu disse, que certo mesmo é estar perto sem estar. Diga, assim como eu disse, que a ti pertence um lugar em meu coração que jamais pertencerá a outra pessoa e que este lugar é o único que realmente importa. Diga, amor, repita comigo: tu és para mim o mais perto que tenho da definição de felicidade e esta distância não existente é certeza. E, por fim, diga a eles que quando me vês as estrelas se ofuscam porque o brilho de nós dois as deixa tímidas. Diga que quando quero dar-te uma estrela - e repita que não só é possível, como também maravilhoso - é necessário que escondamos um pouquinho nosso amor para que o brilho delas possa ser visto. Diga a eles que o nosso brilho é maior, amor! Porque disseram-me, como se esta fosse a maior das certezas, que ao dizer isso eu estava equivocada, ignorante quanto à imensidão do brilho estelar. Diga a eles que estão equivocados, ignorantes quanto à imensidão do brilho que tu tens para mim, que eu tenho para ti e que nós temos para o universo. As estrelas nos vêem, amor, lá de longe: nós, para elas, somos dois pontinhos cintilantes (que às vezes se tornam um só) e elas gostariam que nós as escutássemos também. Isso importa para ti, não importa? Porque, para mim, a opinião das estrelas é absurdamente mais valiosa do que aquilo que me foi dito. Te juro, amor: tiveram a coragem de me dizer, como se esta fosse a maior das certezas, que também não é possível dar a alguém um coração enquanto ainda se é vivo. Se assim for, já não existo mais. Estou agora dentro de você, com você e sempre com você. E, se estou viva, questiono: como não? Como não é possível dar a alguém um coração, se eu entreguei o meu a ti?
"Dizem por ai, mas não tenho certeza, que meu sorriso fica mais feliz quando te vejo, dizem também que meus olhos brilham, dizem também que é amor, mas isso sim é certeza." - Dom Casmurro
Julia N, skyin-g
















