Não acha estranho você amar mais seu cavalo do que as pessoas??
“ E você? Não acha estranho cuidar mais da vida dos outros do que da própria? ” revirou os olhos, com a metade de um sorriso na cara. A pergunta não era inédita, e claro, as feitas anteriormente eram reproduzidas com um quilo de desdém e trezentas gramas de sarcasmo para viagem, por favor! “ Olha, é lógico que eu amo mais a minha família do que Dumas. Meu cavalo é um melhor amigo, mais leal a mim do que qualquer um que já se mostrou. Há vários anos minha irmã quase foi sequestrada por um aliado, mas ops, ela arrancou o braço do cara; o idiota não sabia o quanto ela estava praticando para realizar a metamorfose completa. Sabe, a mão que te afaga é, na maioria das vezes, a mesma que te afoga, então... Não, não me sinto nem um pouco estranha. Na verdade, se você fosse lá em casa, o povo é que te chamaria de estranho. ” finalizou, com uma piscadela ao norte-americano. Sabia que ele não questionava por mal, visto que ela era melhor encontrada nos estábulos ou em qualquer lugar longe dos muros sufocantes de Hyacinthum. E, para uma princesa, era esquisito ela ter um comportamento tão simples, sem as demandas de uma verdadeira Alteza. Mas antes que a mesma pudesse entrar numa neurose pensando naquilo (que sabia que viria), pegou o s’mores do balcão, empurrando infantilmente o outro com os ombros. “ Mais alguma pergunta, Zé Ruela? ”













