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Você tem que me prometer que vai remar junto comigo. Mesmo se esse barco estiver furado eu vou, basta me pedir. Mas a gente tem que afundar junto e descobrir que é possível nadar junto. Eu te ensino a nadar, juro! Mas você tem que me prometer que vai tentar, que vai se esforçar, que vai remar enquanto for preciso, enquanto tiver forças! Você tem que me prometer que essa viagem não vai ser a toa, que vale a pena. Que por você vale a pena. Que por nós vale a pena. Remar. Re-amar. Amar.
O abençoado ano de 2017
Aquele início de ano estava longe de ser o melhor. Muitas vezes, quando regrido naqueles momentos, me esqueço dos detalhes e procuro incansavelmente, firmar no teu íntimo. Tinha começado totalmente crente de que seria feliz com uma serpente que me envenenava as veias de prazer e delícias de amor. Totalmente embebedado nas tuas falas e olhares cor de melaço e sorridentes de falsas juras de sentimento raso. Aquela serpente, que parecia me amar tão fortemente, enquanto nossos sexos estavam presos um no outro. Ao virar-me as costas, ela era da rua e ficava toda nua aos olhos de quem lhe desejasse, como uma mulher fácil a qualquer um que lhe entregasse um pouco mais de prazer. A descoberta de tuas inúmeras traições, fez com que eu simplesmente mergulhasse num ressentimento de outro mundo comigo mesmo. Ela era de amores fáceis, de promessas frívolas e de nojeira descabida. Alguém a quem escrúpulos e caráter lhe faltavam. Me disseram que me apresentariam alguém e, na minha santa ignorância e teimosia, desejava aquela que desprezava meu amor e minha simplicidade. Que me fincava dores e desconfianças, mas era quem me tinha nas mãos e aos pés. Quando ela chegou, me encontrava bêbado, nervoso, cansado da noite anterior, maltrapilho e entediado. Já ela, a estrela, ela me sorria com os olhos, os dentes e pernas decentes, a me indagar por quê tanta dor e sofrimento. Contei-lhe minha história melancólica e aquela que pouco tempo atrás me fitava com pena, via-me agora com desejo de tomar-me pelos lábios. Olhei teus fortes olhos a me observar o desgrenhado dos cabelos, a lamber os beiços dizendo falas que naquele momento, falta memória para descrever. Uma alergia a pelos de gatos e caído nos beijos daquela que me salvaria a vida. Que me salvaria da serpente que estava a matar-me de tristeza pelo desprezo. Tomado de desejo quis a estrela despir e mastigar-lhe o prazer e o sexo que me apresentava sem pudor. A mim me cravava as unhas e seu tesão escorria-lhe pelo olhar, pelas pernas e pelos lábios. Mordia meus lábios e sentia meu corpo pulsar de alegria, já que ela me tomava pela alma. Entre gozos e sussurros, sabia que traria a nós dois uma sentença de sofrimento, mas necessitava dela. Parecia que ao seu lado, poderia SER feliz. Ela me precisava, como uma estrela precisa de hélio. Como quem necessita de ar. A transa queria fazer ambos esquecerem dores passadas e sem querer, nos curávamos. Adormeci com teu corpo abraçado e abandonado no meu. Acordei e fitei teus olhos fechados numa paz ensurdecedora. Sabia que haveria guerra se eu a escolhesse, mas estava disposto a ver teu rosto todos os dias daquela maneira: deitado no meu ombro e a respirar a paz que há muito havia perdido. Quando acordou, abraçou-me forte até que eu conseguisse despertar. Disse que nunca tinha se sentido tão feliz e tão completa com alguém que supostamente acabara de conhecer, pois sentia que me conhecia há muito tempo. Vi verdade naqueles olhos pretos e redondos e talvez ali, tenha aprendido a entender que os olhos claros já não caíam tão bem e nem eram tão verdadeiros como aqueles. Ela disse que eu era um bom rapaz e também que merecia o mundo e que talvez esse mundo, ou até mesmo o universo, ela queria poder dividir comigo. Sem querer e querendo muito, nascia ali um grande amor. Ela me tirava o veneno e a mim era restaurada a saúde e a vontade de viver. Injetava em mim a adrenalina de amar e ser amado. Era de ti que eu precisava. Dessa tua felicidade, dessa tua vontade de lutar por mim. De me querer e valorizar minhas pequenas virtudes. Era de ti, a estrela que traria de volta a vida num sorriso, como hoje também faz. Como sempre e ainda fará. Já que por ti, vale à pena lutar. Retornei ao plano inicial de me aproximar e com o tempo, e umas doses de paciência, ela será minha estrela na galáxia de Galvão.
Recomece quantas vezes for necessário. A vida é breve.
Anna V.
Se aceite. Aceite seu processo. Com teus erros e acertos você é incrível, só por tentar e não ter desistido.
Anna V.
No fim tudo passa e a gente supera.
Dói demais no começo, deixa marcas, mas a gente sobrevive. Sempre mais forte e sempre em frente.
Mesmo que por fora a gente parece forte, por dentro ainda somos aquela criança com seus traumas e desejos.
Ana V.
Tá tudo bem. Você vai conseguir passar por isso, fique bem. Vai dar certo.