se houvesse um prêmio por excesso de teimosia, hawke certamente estaria no topo da lista para recebê-lo, bem ao lado de qi liang, afinal, não era à toa que aquelas cabeças duras haviam sido selecionadas para a ralien. deitado em uma estúpida cama de enfermaria, ao lado do chinês, o rapaz se perguntava se não devia, pelo menos naquela vez, ter pensado um pouco mais antes de se embrenhar naquela maldita floresta... nah. provavelmente, se dada a oportunidade, o faria de novo, mesmo que tivesse de ficar literalmente preso à uma cama. não se desespere, caro leitor, logo explico por quê nosso ilustre futuro cavaleiro encontra-se sob um feitiço de restrição. tudo começou quando hawke voltou de sua pequena aventura na floresta, quebrado e exausto, contudo, definitivamente inteiro. a surpresa nos olhares de alguns, o choque na face de outros, o alívio coletivo... a comoção toda causava estranhamento, uma vez que tinha certeza absoluta que estava longe de ser uma das figuras mais queridas de aether, por mais que tivesse seus momentos. quando encontrou rostos conhecidos, as reações o deixaram ainda mais confuso “eu tive uma noite meio merd”, ele brincou, soltando uma risadinha nasalada. foi então que ophelia, com uma cara de que não achava o comentário nada engraçado, disse: “hawke, você sumiu por quatro dias.” não fosse uma ligeira alteração em seu olhar, qualquer um poderia muito bem assumir apatia por parte do rapaz quando recebeu aquela informação, uma vez que sua reação, antes de perder a conesciência foi soltar um sonoro e espirituoso “eu preciso de uma espada nova.” a verdade é que ele simplesmente não conseguia se incomodar o suficiente para falar a respeito, não no momento, pelo menos, estava cansado e de cabeça cheia, e considerando tudo que havia passado na floresta, talvez fizesse sentido que tanto tempo tivesse passado em vez de apenas algumas horas. é claro que, depois disso, os funcionários da escola insistiram para que ele fosse encaminhado à enfermaria, onde descobriu que @tigerwxrrior estava na mesma situação.
o verdadeiro problema se apresentou quando os dois tentaram deixar a enfermaria, alegando estar bem e desejar ir à seus quartos. a enfermeira, por sua vez, ignorou veementemente os protesto dos rapazes, insistindo para que ficassem e se recuperassem direito. diante da insistência deles, contudo, a mulher se viu obrigada a fazer um feitiço para que não saíssem da cama. e agora ali estavam. sozinhos. porque a velha havia se cansado de ouvir tanta reclamação por parte dos aprendizes e decidiu tomar um ar. hawke e qili eram uma excelente dupla essencialmente porque conseguiam ser péssimos juntos, pois traziam de forma demasiada, e em um único pacote, tudo que poderia haver de mais ridículo num ralieno: teimosia e coragem estúpidas e um pragmatismo exagerado. enquanto suas companhias combinadas podiam ser fonte de tormento para alguns, entre os ralienos não havia conflito. normalmente. visto que, logicamente, não concordavam sempre, e o cavaleiro conseguia, principalmente quando queria, dar nos nervos de qili. naquele momento em específico, contudo, a paz reinava entre a dupla dinâmica, pois não só estavam na mesma situação como compartilhavam da mesma bolha de estupidez; hawke tentava levantar-se a todo custo, mesmo com o feitiço o impedindo e o empurrando para baixo, e não precisava olhar para a cama ao lado para saber que o amigo estava tentando fazer a mesma coisa. tentou uma, duas... três vezes... até que desistiu. deixando a cabeça cair no travesseiro, derrotado, enquanto encarava o teto de cor branca. com o fim da ação, a única coisa que o rapaz se viu capaz de fazer foi rir, porque tudo aquilo era extremamente imbecil. - a gente é muito idiota, né?! - disse entre risos para qili. - mas podia ser pior. podia ter mais gente machucado, imagina o pesadelo, pelo menos não temos plateia.














