PORTO DO RIO GRANDE: APESAR DA CRISE CRESCE O VOLUME DE EXPORTAÇÕES
As fortes chuvas de outubro que causaram muitos transtornos em todas as regiões do Rio Grande do Sul, também afetaram as exportações e importações. No sul do estado, o principal acesso à entrada e saída de mercadorias, o Complexo Portuário de Rio Grande, teve a circulação de navios suspensa por quatro dias, só na primeira quinzena do mês. Da manhã de sexta-feira (9) à manhã de segunda-feira (12), apenas, as atividades internas seguiam funcionando
Na terça-feira (13), o dia amanheceu com o céu limpo e a temperatura chegava aos 20°c na cidade do Rio Grande. Nesse dia, a reportagem do blog de Jornalismo Econômico do Centro Universitário Ritter dos Reis de Porto Alegre (RS) acompanhou a volta das operações externas no Porto do Rio Grande.O assessor de imprensa da Superintendência do Porto de Rio Grande (SUPRG), André Zenobini, e o superintendente, Janir Branco, receberam a reportagem em das salas de reuniões da SUPRG. Por uma hora, contaram sobre o desempenho e as expectativas das exportações e importações do estado que circulam pelo porto.
À tarde, por volta das 14 horas, Zenobini guiou a equipe do blog em uma visita pelocais do porto e explicou como funciona o embarque e desembarque de mercadorias. Foi possível notar o fluxo de caminhões saindo dos armazéns, empilhadeiras circulando e os guindastes em movimento, colocando as cargas nos navios que aguardavam para seguir viagem. O assessor contou que o Complexo Portuário de Rio Grande é uma referência, pois é o único acesso para entrada e saída de produtos do estado ao exterior, via marítimo.
Zenobini recorda que em 2014 o Porto do Rio Grande movimentou mais 34 milhões de toneladas de todos os produtos e neste ano até agosto o número chegou a 25 milhões de toneladas. “Se for comparar com o mesmo período houve um crescimento de 3,7% (no volume), isso é um bom resultado em um ano de crise estadual e nacional”, ressalta o assessor.
Resultados das exportações até o início do segundo semestre de 2015
No que diz respeito à exportação no Rio Grande do Sul, o período de janeiro a setembro de 2015 foi coberto por oscilações. Os meses de março, junho, julho e agosto tiveram resultados positivos. Agosto deixou o estado entre os três maiores exportadores em volume do país. O rendimento deu-se em consequência ao bom desempenho da safra de soja em grão e à China, que é um grande importador desse produto gaúcho.
A produção agrícola, tem um papel importante na economia gaúcha, principalmente, a soja em grão que correspondeu à 96,1 % de tudo o que foi exportado pelo setor. No ano passado, o total de grãos embarcados chegou a 7,7 milhões de toneladas enquanto até o início do segundo semestre de 2015 o valor já alcançou 7,9 milhões de toneladas. A oleaginosa em grão atinge 30,5% de todos os produtos do Rio Grande do Sul com destino ao exterior. O índice de variação do volume total na agropecuária foi de 13,6%. Para se ter ideia, até agosto deste ano, com a soja em grão o valor arrecadado chegara a US$ 3.049.458 milhões atrás vêm o trigo (US$ 256.328 mil), o milho (US$ 54.306 mil) e por último o arroz (US$ 12.203 mil). Contudo, a retração dos preços fez o resultado de 2015 variar em -7,6 % comparado a 2014.
Na indústria de transformação, os destaques ficam com a celulose e o papel que angariaram US$ 40.8 milhões, em seguida os produtos de madeiras (US$ 4.9 milhões) e a impressão e reprodução de gravações (US$ 26 mil). As demais atividades no segmento sofreram retrações, as mais graves foram a do petróleo (-US$ 348 milhões), produtos alimentícios (-US$ 170.2 milhões) e máquinas e equipamentos (-US$ 129.7 milhões). A participação nas exportações da indústria acaba sendo maior do que à agropecuária, já que possui 24 categorias de produtos distintos.
Alta do dólar pode trazer indíce positivo à economia gaúcha
Para o economista da Fundação de Economia e Estatísticas do Rio Grande do Sul Alfredo Meneghetti as fragilidades da indústria são menos voláteis. “A pecuária em relação à indústria tem desvantagens, por ser dependente da situação climática, às vezes, isso faz com que haja as quebras de safra”, sintetiza. Meneghetti explica também que nos últimos 20 anos o Rio Grande do Sul teve cerca de seis ou sete anos com problemas de quebra de safra, o que levou à queda no índice do Produto Interno Bruto (PIB).
Mesmo em meio à crise, o Rio Grande do Sul conseguiu se manter e ganhou uma posição no ranking dos maiores estados exportadores do Brasil. A participação na atividade, em âmbito nacional, passou de 8,6% em 2014 para 10,3% em 2015. Apesar disso, o resultado final não pareceu ser um dos melhores. Já que o aumento foi em volume e não nos preços, que tiveram -15% de retração, o que fez com que o valor exportado recuasse em -9,7%. Até agosto o estado já vendeu US$ 11,471 bilhões, segundo dados divulgados, em setembro, pela Fundação de Estatísticas e Economia do Rio Grande do Sul (FEE-RS).
O resultado foi razoável, não foi negativo. Os dados até o primeiro semestre, mostraram que o ano foi ruim, no que diz respeito aos preços. No ano passado, tivemos mais importações do que exportações no RS, mas neste superamos o volume de exportação”, explica Meneghetti. Ainda há uma esperança de que a economia gaúcha saia do “mais ou menos” e o resultado final seja positivo. A expectativa está na cotação do dólar, moeda na qual recebem os exportadores.
As taxas de câmbio amenizam o recuo dos preços. “Provavelmente, nós devemos ter saldo positivo na chamada balança comercial, já que as exportações estão superando as importações”, justifica o economista. A valorização do dólar consequentemente aumenta a rentabilidade do valor recebido quando é convertido em reais. No entanto, o primeiro semestre de 2015 atingiu US$ 8,0 bilhões, uma redução em valores de US$ 872,6 milhões se comparado à 2014.
Entrada e saída de cargas
A quantidade de produtos que saem do estado é relevante já que um dos maiores “negociadores” é a China (US$ 3.102.048 milhões), em segundo lugar a Argentina (US$ 824.906 milhões) e em terceiro os Estados Unidos (US$ 802.888 milhões), de janeiro a agosto. Em volume, comparado a 2014, o único que teve diminuição foram os norte-americanos (-0,1%), enquanto os argentinos e chineses juntos somaram 16,4%.
A estratégia para gerar lucro ao estado durante o processo de exportação e até no de importação é utilizar o Complexo Portuário do Rio Grande, localizado na região sul do RS. Dividido de em dois segmentos, o Porto Novo (onde a administração é totalmente pública) e o Super Porto (que abrange 8 terminais privados). De tudo o que o estado manda para o exterior, 95% das mercadorias passam pelo porto, de acordo com a SUPRG.
Atualmente, a capacidade suportada pelo porto é 50 mil toneladas por navio atracado, que podem chegar a 20 embarcações, simultaneamente, em toda a extensão do cais. “Para o primeiro semestre de 2016, está previsto uma nova dragagem, que aumentará o limite do volume para 70 mil toneladas”, conta o superintendente da SUPRG, Janir Branco. Com essa mudança, a estimativa é que nos 10 meses de contrato da licitação sejam retirados 18.700.000 metros cúbicos de sedimentos. “Consequentemente, navios maiores irão atracar no porto, mais mercadoria será exportada e a receita gerada para o estado será maior”, completa Janir.
Entre os principais produtos agrícolas exportados que passam pelo porto, além do complexo de soja têm o arroz e o milho. Do setor industrial, circulam a celulose (que vêm da cidade de Guaíba), veículos rodantes como ônibus, colheitadeiras e veículos agrícolas e geral, exemplificou o superintendente.
Depois da crise
Entre os diferenciais do Porto do Rio Grande está a intersecção de modais para a chegada de produtos que se encaminham para exportação e daqueles que chegam ao estado. Além do acesso marítimo o porto possui o acesso ferroviário, hidroviário e rodoviário. O tempo normal de espera em média para um navio atracar é de cinco a seis dias, em relação a outros portos é uma vantagem, por exemplo, o Porto de Santos o tempo pode chegar a 60 dias de espera.
Localizado na região sul do Rio Grande do Sul à 334,3 km da capital Porto Alegre e à 210,7 km do Chui, no Uruguai, o porto está estrategicamente na principal rota de comércio do Mercosul. Por isso há cinco anos, a SUPRG já se preparava para atender a demanda da Argentina e do Uruguai, porém com as crises tão intensas do estado, do Brasil e até a da América do Sul fizeram o planejamento ser adiado, conta o superintendente.
“Assim que a atividade da América do Sul voltar a crescer, o Porto do Rio Grande vai ser muito utilizado aqui pelos países do Prata porque os países aqui da volta não têm portos tão profundos e com tanta capacidade de carga”, acredita Janir. Já que para 2016 há uma nova dragagem prevista que vai aumentar 20 milhões de toneladas na capacidade do porto.
Se no meio de uma fase turbulenta, em que a economia tem passado por momentos difíceis, mesmo assim, as exportações têm trazido bons resultados o que se pode esperar no mínimo é que situação continue como está. Principalmente, que São Pedro colabore com a safra da agropecuária que é o carro-forte do Rio Grande do Sul. E se der, que a valorização dos preços seja positiva, para que o estado consiga ao menos alcançar um desempenho regular na balança comercial, em 2015, um ano que tem sido economicamente tão complicado.
*Créditos
Reportagem: Murilo Zechlinski (Shalynski Zechlinski)
Fotos: Nicolas Castro
Disciplina de Jornalismo da UniRitter: Jornalismo Econômico
Semestre: 2015/2












