[Resenha] Para onde vão os suicidas?
Sinopse: Era dezembro quando Angelina nasceu. Uma noite gélida, de ventos fortes e relâmpagos que iluminavam todo o quarto do hospital. Quase que em silêncio, ela foi retirada do ventre de sua mãe que, também em silêncio, não mais respirava. A enfermeira, tão jovem e sonhadora, não sabia como lidar com vida e morte lado a lado. Seu pai, de modo mecânico e robótico, a balançava, não conseguindo contemplá-la. Seus olhos não mudaram de direção nem mesmo quando a menina iniciou seu pranto. Lá fora, a chuva caía forte, embaçando os vidros das janelas, e pintando todo o céu de cinza. Ele não chorava, apenas embalava lentamente sua filha, num ritmo quase que fúnebre, enquanto perguntava a si mesmo se seria egoísmo preferir que a criança tivesse perdido a vida e não sua noiva.
RESENHA: Para onde foram os suicidas é um livro muito forte e complexo, logo de início temos a tentativa de suicídio por parte da protagonista. Angelina consegue se ferir e acaba entrando e coma, nisso seu espirito ganha uma missão, ela precisa encontrar pessoas que estão prestes a se suicidar e fazer com que elas mudem de ideia; detalhe: ela agora é um fantasma, e apenas aqueles a quem fora enviada, poderão enxergá-la.
O primeiro encontro de Angelina – e o melhor trabalhado na minha opinião – foi com Otávio, um senhor que sofria do mal de Alzheimer e estava internado em um lar para idosos. A menina de forma delicada e muito insistente consegue devolver à Otávio a vontade de continuar vivo.
O segundo encontro, com Helena, me deixou muito confusa, não sei se pela rapidez com que as coisas aconteceram ou por não conseguir entender bem como Angelina a ajudou. Helena é uma mulher sofrida, cheia de cicatrizes, perdeu a filha que tanto amava, tão nova e Angelina viu na mulher a figura de uma mãe, fica visível o apego que a protagonista desenvolve com ela, mas pra mim o desfecho ainda foi um pouco vago.
O terceiro encontro, com a esposa de Otávio foi rápido, mas também muito bonito, tudo na história deles me encantou, eu acho que foi o caso em que Angelina soube trabalhar da melhor forma, ela parecia realmente focada e empolgada em ajuda-los, mesmo não tendo nenhuma carga emocional pessoal, como aconteceu no caso de Helena.
Eloah foi o quarto caso de Angelina, talvez por já conhecer um pouco a história (afinal o escritor lançou um livro sobre Eloah e eu tive o prazer de ler as primeira páginas dele) eu já conseguia entender o protagonista de uma forma diferente. A história de Eloah é muito triste, ele é um rapaz que sofre muito dentro de casa e na escola, Angelina o ajuda a encarar o suicídio de outra forma.
O último caso da menina, me deixou muito chateada por um único motivo: Eu queria mais. Não sei se foi pelo fato de ser o caso que mais me empolgou, mas eu queria que o Felipe tivesse explorado mais a relação da Angelina com o Dante, ela o salvou, mas eu queria que ele também tivesse salvo ela, de alguma forma.
O livro é muito bonito e passa uma mensagem forte, acredito que para pessoas propensas ao suicídio ele possa vir como um gatilho, você realmente tem que ser forte para encarar algumas partes, mas pra mim foi uma leitura tranquila.
Infelizmente o final não foi como eu esperar, mas nada nessa vida é como a gente espera, então ta tudo bem rs’.













