Querido Richard,
Peço perdão por minha falta de educação e não ter começado a última carta com “Caro, Estimado ou Querido”, mas não sabia como deveria lhe chamar. Nossa última conversa havia terminado de um jeito trágico e triste para nós dois e depois passei por aquela série de lástimas. Mas não estou lhe escrevendo para dizer sobre isso. Eu quero esquecer, mesmo sendo difícil.
Está tudo estranho ultimamente, meu quarto parece meu quarto, minha cama parece minha cama, minha casa continua sendo a minha casa, mas está tudo diferente agora, eu sentia que estava caindo da nuvem mais alta, e bati com o rosto em cheio no concreto frio. Eu queria poder saber antes o que sei agora, sobre a Lorena, não me entregaria tanto a aquela amizade, ou não me entregaria. Eu não consigo dormir direito, acordo aos gritos e meu corpo ficar paralisado quando alguém passa muito perto de mim.
Ramona me escreve três vezes por dia, me atualizando de tudo enquanto estou longe, ela me contou que você ficou na enfermaria por minha causa e que você “me vingou”, espero que esteja bem e sinto muito te fazer passar por isso. É minha culpa.
Minha mãe está me obrigando a ir a uma terapeuta especializada em casos como o meu, meu pai acionou o ministério da magia e o conselho trouxa, entrando com um processo na justiça contra aquelas pessoas e suas famílias. Eles acham que tudo vai ficar bem e que eu vou me recompor. Mas eu me pergunto: O que diabos eles sabem? Porque até que aconteça com você, você não sabe como é, você não se sente como eu me sinto. Suja. Violada. Morta.
Eu amo você,
Serena.















