Um textinho do cronista político Sebastião Nery que fala sobre um momento da canção “Foi pra Santa Teresa”, de Rômulo Pais
FORMOSA CUBANA
Rômulo Pais, patrimônio de Minas, o maior compositor popular do Estado (Ataulfo, Ari Barroso, tantos outros nasceram lá, mas são cariocas), venceu carnavais sem conta, fez obras-primas, como:
-“Foi pra Santa Tereza que aquela beleza o bonde pegou”.
Em 1961, fez uma música de muito sucesso: “Formosa Cubana”:
– “Vamos todos cantar, cuba-libre tomar. Foi hasteada a bandeira no mastro, vitória do barbudo Fidel Castro. Vem, Lolita – formosa cubana, vem, vem pra festa e deixa a Sierra Maestra”.
Em 1964, no dia 1º de abril, Belo Horizonte incendiada pelo fogaréu de Magalhães Pinto, Rômulo entrou no bar Pólo Norte, matriz da boemia mineira. Gervásio Horta, outro grande compositor popular (alma secreta de Valdick Soriano, autor de muitos dos sucessos do padroeiro da cafonália), começa a cantar a “Formosa Cubana”. Rômulo volta rápido:
– Rômulo, esta beleza de marcha não é sua?
– Nada disso. Não tenho nada com a letra nem com a musica.
Gervásio continua cantando. Rômulo faz um apelo desesperado:
– Não canta, Gervásio. Esta cubana, desde ontem, ficou muito feia.
‘E saiu assoviando: “Foi pra Santa Teresa…”.









