http://www.mail-archive.com/[email protected]/msg41280.html Entrevista com mestre de bateria do Império Serrano De: Paulo Eduardo Neves Assunto: Entrevista com mestre de bateria do Império Serrano Data: Mon, 26 Jan 2004 17:06:06 -0800 Entrevista interessante do mestre de bateria da Império, Átila. Fala das malandragens da bateria e do desfile. http://www.imperioserrano.com/entrevista/index.htm Entrevista com o Mestre Átila, realizada na sala da bateria, no Império Serrano, no dia 16 de setembro de 2003, terça-feira, das 20:30h às 22 h, por Rachel Valença, Luciano Vargem, Carlos Pereira, Marcelo Akerman e Nilton Fernandes, a partir de perguntas enviadas ao site. ... 5. Pergunta de Maninho (Porto Alegre - RS) - A bateria é considerada o coração da escola, tanto é que, se ela errar, dependendo do grau do erro, pode comprometer o desfile da escola em harmonia, evolução e conjunto... Portanto, é um quesito fundamental dentro do contexto. Pergunto a você: qual o momento mais perigoso de um desfile? A arrancada, a retomada da cadência? A entrada e saída do box? Em todo tempo que tens de bateria, você lembra se alguma vez já aconteceu algum acidente dentro de um desfile e qual o recurso que foi utilizado? R. Acidente já presenciei várias vezes, porque estou este tempo todo na bateria, 22 anos tocando, tocando primeira, segunda, terceira, fazendo show na França, uma baita experiência em termos de bateria de Império Serrano e de outras mais. Toquei com o Mestre Marçal, toquei com vários mestres de bateria famosos, então a gente sabe que o que nós passamos em 98, foi o pior, (risos) é... foi o pior. ... 10. Pergunta de Luciano Vargem (Rio de Janeiro - RJ) - Como você sabe, saio na bateria do Império desde 1989, trazido pelos mestres Aimorecy e Tião Gato. E você? Quando foi que você começou, por quem você foi trazido e como? E em quem você se espelha para dirigir a nossa bateria? R. Eu cheguei no Império Serrano em 81, trazido, puxado, seqüestrado pelo Mestre Sílvio e pelo nosso ex-intérprete Pedrinho Colibri. A mãe dele trabalhava na quadra, na limpeza, tomava conta do banheiro feminino. A gente morava em Vaz Lobo, na Lima Drumond. A bateria mirim do Império estava sendo recriada aquele ano por Natalino Costa, nosso mestre de bateria naquela época, até 83. Ele recriou aquela bateria com garotos que estivessem estudando, tivessem de doze a quinze anos. Meu pai, que era imperiano, não queria, porque a bateria do Império tinha uma fama muito ruim. Mas o Pedrinho me trouxe fugido, às terças-feiras, pra eu ensaiar aqui à noite, eu e meu amigo Dirnei, que hoje é evangélico, tocava muito a primeira também. A gente tocava no bloco Vai e Vem na Vila Emília, mais por prazer, e foi nesse ano, com treze anos, que eu ingressei na bateria mirim do Império Serrano. Esse ano nós não desfilamos, passamos um ano como mirim, mas no ano seguinte, 82, no Bum Bum, nós fomos promovidos a ritmistas adultos pelo Mestre Sílvio, pelo Nelson, irmão do Sílvio, Natalino Costa, Birão, Tuninho, Américo, Seu Valter, era um time muito bom. Nós fomos promovidos naquela época, eu, Faísca e vários colegas mais que desfilavam pela Império Serrano. Foi o primeiro ano de desfile como adulto e primeiro título de carnaval. Então, fui trazido pelo Mestre Sílvio, que hoje está na Velha Guarda, e o amigo Pedrinho Colibri, que hoje é um cantor de samba, um puxador, um intérprete maravilhoso, que hoje não está mais na escola, está em São Paulo, me parece. Também, a gente tem uma imagem de vários mestres de bateria, tem que se espelhar em alguém, tem que idolatrar alguém, então, eu, como imperiano, ouvi falar muito dele também, diz que ele foi imperiano também: eu me espelho muito no Mestre Marçal, que deu oportunidade pra eu gravar, participar do LP A Super Bateria do Mestre Marçal, eu novinho tocando naquela bateria que tinha Índio, tinha Patinete, tinha o falecido Rodnei, Sidnei, só tinha fera... Mestre Sílvio com Mulato, com Mussum, esses caras que a gente não pode esquecer no mundo do samba, em termos de ritmo. Então, a gente tem um espelho no Mestre Marçal, na sua postura, na sua disciplina, nos seus demais auxiliares, nos seus demais comandados, esse é o espelho pra mim, o cara que não gostava de paradinhas, era um cara que gostava da cadência reta, firme, sem brincadeira. Eu acho que marcou pra mim muito o Mestre Marçal, o falecido Mestre Marçal, que Deus o tenha em bom lugar. ..... A gravação em fita cassete desta entrevista está em poder do GRES Império Serrano e do acervo do site. A transcrição foi feita por Nilton Fernandes, a quem agradecemos a especial gentileza, e a edição do material é de Rachel Valença. Paulo Eduardo Neves Agenda do Samba & Choro, o boteco virtual do samba e choro A íntegra da entrevista está nos sítios abaixo relacionados http://www.imperioserrano.com/entrevista/index.htm http://www.samba-choro.com.br