09 Hurt
- O nome Kristen lhe parece familiar? – ele sorriu e meu corpo inteiro congelou. Dei um passo para trás e olhei em volta, procurando alguma saída alternativa ou algo para que eu pudesse machuca-los, mas não havia nada.
- Você parece assustada, Melanie – a garota se aproximou.
- Não me chame assim! – grunhi e a garota riu, acompanhada pelo Gasparzinho.
- Ué, por quê? Eu te chamo como eu quiser, e faço o que eu quiser com você, Melanie. Você vai nos ajudar, e se não nos ajudar logo, logo irá se juntar a nós.
- Só espero que no dia em que eu morrer não fique tão feia como você – dei um sorriso irônico e ela veio com tudo para cima de mim. Aproveitei que ela estava cega pelo ódio e fui mais rápida que ela. Prendi minhas mãos em seus cabelos e empurrei sua cabeça contra a parede. Bati sua cabeça tantas vezes que se fosse possível ela estaria sangrando. Ela pareceu ficar tonta e então seu amigo veio pra cima de mim, me pegando de surpresa. Ele jogou meu corpo com força e bati minhas costas na pia, não conseguindo conter meu grito de dor. Parecia que eu havia sido quebrada ao meio.
- Você vai fazer tudo o que eu mandar, Melanie. – ele sussurrou assim que se aproximou de mim – Se eu mandar você correr em direção à morte, você vai.
Tentava manter meu corpo dolorido em pé, minhas mãos agarrando a pia e sustentando todo o meu peso. Jade nos encarava, um pouco distante. Soltei um suspiro e me soltei da pia. O “Gasparzinho”, fantasminha nada camarada, me encarava com uma expressão desafiadora. Em um impulso prendi minhas mãos em seus ombros e proferi um chute forte nas genitais dele, mas ele apenas se contorceu de leve, mais pelo susto do que pela dor. Óbvio que ele não sentiria nada, ele estava morto, da mesma forma que Justin não era capaz de sentir meus toques, de sentir qualquer coisa. Gasparzinho aproveitou minha breve distração e agarrou meus braços com força, logo me tirando do chão e me jogando contra a parede. Gemi de dor com impacto de meu corpo e logo caí de bunda no chão. Eu não era páreo para lutar com eles, mas também não poderia simplesmente aceitar ajuda-los, sendo que quem os instruiu a me procurar fora Kristen, aquela ingrata!
- Hey, Brad! – aquela voz que eu ansiava tanto por ouvir ecoou pelo banheiro – O que ‘cê tá fazendo, cara? Jade, o que aconteceu com a sua cara?
- A vadizinha aí não sabe se controlar – ela falou, audivelmente irritada pelo comentário de Justin.
Justin se aproximou e então estendi meus braços para que ele pudesse me ajudar a levantar mas, ao contrário do que eu esperava, ele pareceu me ignorar voltando sua atenção inteiramente para o Gasparzinho, digo, Brad.
- É assim que você quer que ela tope nos ajudar? – ele sussurrou para Brad.
- Pelo o que percebi você já conhece a garota tem mais tempo e ainda não conseguiu nada.
- Eu estava sendo esperto, ao contrário de você. Ela obviamente ajudaria um amigo, não alguém que a espanca no banheiro feminino – e meu coração se fez em pedaços. Então Justin estava apenas me usando durante esse tempo? Eu era apenas um objeto, uma arma necessária? Tomada pela raiva do momento consegui levantar do chão, chamando a atenção do Gasparzinho e da Wendy tatuada. Respirei fundo, o que me rendeu uma enorme dor nas costas, mas tentei não deixar transparecer. Encarei os dois com um olhar vazio, de indiferença.
- Amigo ou não, Justin – o encarei friamente – eu nunca te ajudaria, porque pra mim você está morto e enterrado, literalmente.
Dei às costas para ele e manquei até a saída, passando por Jade, que nem se importou em me impedir. Peguei as drogas de minhas roupas no chão e deixei para trás os fantasmas daquela droga de acampamento.
Já estava escuro e não havia estrelas no céu, apenas a lua. Enquanto cambaleava pelo gramado, em direção à minha cabana, esbarrei com Math que paralisou no mesmo segundo em que me viu. Eu deveria estar péssima.
- O que aconteceu com você, Mel? – ele se aproximou, me examinando atentamente. Procurei por uma mentira convincente em meu cérebro. Soltei um suspiro.
- Escorreguei no box enquanto tomava banho. – suspirei – Mas não foi nada.
- Como não foi nada? Você ‘tá toda torta, Mel.
- E desde quando você se preocupa? – desafiei e ele bufou, me pegando no colo em seguida e fazendo com que eu gemesse de dor.
- Pare de ser idiota, Mel – ele me carregou até minha cabana, abriu a porta da mesma e em seguida me deitou na cama, voltando para fechar a porta.
Fiquei o observando em cada movimento, até quando ele se sentou ao meu lado na cama me observando também. Mathew vestia uma camiseta azul marinho e uma bermuda jeans escuro. Seu cabelo estava molhado, o que me fez deduzir que ele havia acabado de sair do banho. Soltei um suspiro pesado, porque mesmo sabendo que ele era um total idiota eu precisava agradecê-lo por ter me ajudado.
- Obrigada, Math – suspirei e ele sorriu fraco.
- Não precisa, Mel. Mesmo você sendo uma vadia, eu gosto de você. – quando ele percebeu minha expressão se fechar, quando eu estava abrindo a boca para começar uma discussão ele riu alto – Ei, eu ‘tô brincando! Você não é uma vadia.
- Eu sei, ok? – mostrei a língua e ele balançou a cabeça negativamente, ainda rindo. Resolvi me ajeitar melhor na cama, mas me arrependi no mesmo segundo. Meu corpo inteiro ardeu, inclusive minha cabeça. Odiava sentir dor.
- Deve ter sido uma queda feia – ele sussurrou e eu assenti.
- Você poderia fazer um favor pra mim, Math? – ele assentiu – Avise pras meninas que não vou ir jantar, mas não conte que estou machucada... Sabe o jeito da Suzan – ele riu e falou que já voltava.
Fiquei ali deitada olhando para o teto, tentando ao máximo evitar pensar no que Justin havia dito para o Gasparzinho. O meu corpo doía, mas não era apenas isso. Eu sentia como se meu coração estivesse ferido também. Eu me sentia traída.
Passados alguns minutos escutei um barulho no quarto.
- Foi rápido, Math. – me virei na cama para poder vê-lo mas me deparei com aquele homem vestido numa camiseta preta, de braços tatuados e um olhar triste – Ah, é você...
Justin se aproximou e se ajoelhou no chão, ao lado da cama. Meu peito doía apenas por tê-lo assim tão perto, e sua expressão triste não ajudava muito, mas eu precisava ser durona e mostrar que pra mim não faria diferença se ele estivesse ou não em minha vida. Eu iria trazer a antiga Melanie de volta.
- Você está bem? – ele perguntou e eu apenas assenti e murmurei um “aham” – Melanie, não me trate assim, por favor!
- Estou te tratando normal, Justin. – respirei fundo – É que eu estou cansada e com um pouco de dor no corpo.
- Então você não está brava comigo?
- Não teria porque eu estar brava, Justin – sorri fraco, tentando ignorar as pontadas em meu coração.
- Mas o que eu disse para o Brad...
- Pra mim tanto faz, Justin Não faz diferença nenhuma pra mim você ser meu amigo ou não, e... – fui interrompida com Mathew abrindo a porta rapidamente, sem nem bater. Nas mãos ele trazia uma bandeja, e nela havia um prato, talheres e um copo de suco.
- Suzan estranhou, Julie se preocupou, e eu trouxe isso aqui pra você – ele empurrou a porta com o pé, fazendo a mesma se fechar, e caminhou até mim enquanto me esforcei para sentar na cama. Justin havia se levantado e observava a tudo.
- Obrigada! – abri um sorriso sincero para Math. Eu estava morrendo de fome e aquela lasanha estava com uma cara ótima.
- Pra relembrar os velhos tempos – ele deu de ombros e eu ri.
- Quando você ainda era um cara legal – ele riu fraco. Ainda podia notar Justin parado ao lado da cama, mas não olhei para ele nenhuma vez.
- Eu ainda posso ser um cara legal, Mel – ele se aproximou ainda mais de mim.
Eu sabia o rumo que aquela conversa iria tomar, e não pensava em muda-lo. Eu não iria trazer a antiga Melanie de volta? Então, esse seria um ótimo começo.
- Como, Math? – tentei soar o mais ingênua possível, e acho que consegui um bom resultado.
- Assim – ele colocou sua mão em minha nuca e me puxou de leve para perto de si, colando nossos lábios. Não foi um beijo quente, mas também não foi sem graça. Depois de alguns segundos separamos nossos lábios e sorrimos.
Olhei discretamente pelo quarto e Justin não estava mais lá.











