Olhares
A gente se olha, se devora. Nada é dito, à distância e eu permito uma pitada de ciúmes. Ela ri, me olha e me implora uma aproximação. E olha, eu imagino que esteja ocupada, não importa. Ela é minha paz e valeu à pena esperar tanto tempo para vê-la. Desnudá-la, olhá-la. Ela se acanha e volta, nuns beijos mentais e umas sacanagens nas íris, relembra e lembra as noites de amor, naquele verão infernal, mas que encontrava os céus de bandeja, em versão de um rosto. Me queima, derrete, esfria e me gela. Traz a memória sórdida, engraçada, apaixonada. Sentada, mexe e olha de novo. Um abraço e se afasta. Ainda me olha e busca indignada o reconhecimento. Ainda me vê, me lê e me sente à distância. Se inquieta e na minha miopia exagerada, te percebo. É ela! Custo a reconhecê-la em meio à tantas pessoas, mas percebo tua alma. Ela me olha firme, sorri e me convida. Me atraso, devagar e reconheço. É ela! Ah, se naquele instante pudesse entender o que senti, entenderia e me saltaria nos braços, arrancaria-me um beijo e por lá permaneceria até quando quisesse. Ainda distante, recordo-me e tua lembrança me acalma. É ela, sempre foi ela.











