- Sim. Ouvi o teu segredo. Contei-o a mim mesmo, uma e outra vez. - sorriu. À sua frente uma cara sem esperança ouvia em silêncio. Mexeu o café, pousou a colher e aguardou a queda da pinga de café que se arrastava preguiçosamente. - Pedi, supliquei que não repetisses as minhas palavras a ninguém. A ninguém! - a cara desfigurada pelas suas próprias palavras abrigava no olhar a desilusão. - Contei a mim mesmo. - repetiu - Não disse palavra alguma a outra pessoa. - As histórias, os segredos, são como o tempo. Infiltram-se em nós. Se as remexes elas quebram-se como as paredes de uma casa velha. - desviou o olhar para o tampo da mesa - Quando aqui cheguei soube de imediato. Quebras uma promessa, quando na memória revives um segredo. Parte se em ti, parte se em mim, um fragmento imaterial. Algo que era só nosso, só meu, só teu. Agora nem na procura de um remendo, de um pedido de desculpas, voltarei a ser uma só. - a cara era uma máscara, as mãos duas garras envolta do guardanapo, a cadeira o seu trono de morte. #sepodesdarduasda #hojejata #ontemjapassou #queriabrincadeiras (em Parque Nacional da Peneda-Gerês) https://www.instagram.com/p/CnhK7LeMUhE/?igshid=NGJjMDIxMWI=

















