Toda saída era a mesma coisa e a verdade era que Carla não se cansava. Quando Miguel a levava para as festas no morro, normalmente se divertiam muito. Dançavam até os pés cansarem, beijavam a noite inteira, fodiam até que os achassem. Mas quando seu namorado estava ocupado demais? Bom, ela que não ficaria em casa, esperando como uma boa moça. Ela era do rolê e nunca havia escondido isso. Normalmente se juntava a Raoni e enfiava em uma festa, e depois em um after e depois em um after de um after, no apartamento de algum amigo rico dele - e ela nunca reclamava. O problema de sair com o Magalhães era que, muitas vezes, o outro de mesmo sobrenome veio no pacote. E enquanto Miguel muitas vezes tentava ter ciúmes de Raoni, Carla só conseguia pensar que ele estava implicando com o gêmeo errado. Ela estava chapada - quando é que não estava, não é? Depois de dropar o ecstasy da noite, pouco a pouco a ruiva se sentia cada vez mais solta e cada vez mais animada. Tinha um pirulito entre os lábios, para ocupar a boca e não acabar travando o maxilar por conta da bala. Dançava. Dançava sem nem pensar quem estava a observando, pois os olhos fechados mostravam que ela estava se envolvendo com a música que tocava. Gostava de dançar, quase tanto gostava de ter os olhos das pessoas sobre si. Não precisava observar para saber que a olhavam, ela sabia. E ao ouvir a fala de Sérgio, ao pé de seu ouvido, ela soube que estava certa. O sorriso aumentou, involuntariamente. Virou-se de frente para ele e chupou o pirulito devagar, encarando seu olhos, antes de afastar o doce “Eu sei” ela manteve o sorriso na boca, deixando que o olhar caísse sobre a dele “Você também tá bonitinho, até, gato” a voz soava baixa, pois pela proximidade que de repente haviam ganhado, não precisava do que mais que isso para falar. Claro que as memórias de arrependimento vinham a mente: a forma como ele fizera suas costas se arquearem, os próprios dedos apertando os lençóis com força, o rosto dele enquanto o observava debaixo.. erros. Carla apenas sorriu, medindo-o com os olhos, sempre gostoso demais. “Bom rolê, Serginho” ela murmurou antes de deslizar as unhas por seu peito e em seguida os ombros em um carinho rápido, enquanto ia se afastando e usava a outra mão para colocar o pirulito de volta na boca.