«caleidoscopicamente» de Andreia Ribeiro. 20 de Novembro de 2021, em exclusivo na serpente.net
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«caleidoscopicamente» de Andreia Ribeiro. 20 de Novembro de 2021, em exclusivo na serpente.net
Florbela Espanca
Falta já muito pouco para a próxima edição do Poesia a Marinar da nossa querida Marina Ferraz, desta vez com o apoio da Serpente. A não perder.
Se não conseguir arranjar amanhã a estricnina em dose suficiente deito-me para debaixo do «metro»… Não se zangue comigo.
Mário de Sá-Carneiro, carta para Fernando Pessoa, 31 de Março de 1916
E iluminado será.
Segue a serpente nas redes sociais: @serpentenet
Quando penso na alegria voraz com que comemos galinha ao molho pardo, dou-me conta de nossa truculência. Eu, que seria incapaz de matar uma galinha, tanto gosto delas vivas mexendo o pescoço feio e procurando minhocas. Deveríamos não comê-las e ao seu sangue? Nunca. Nós somos canibais, é preciso não esquecer. E respeitar a violência que temos. E, quem sabe, não comêssemos a galinha ao molho pardo, comeríamos gente com seu sangue.
Minha falta de coragem de matar uma galinha e no entanto comê-la morta me confunde, espanta-me, mas aceito. A nossa vida é truculenta: nasce-se com sangue e com sangue corta-se a união que é o cordão umbilical. E quantos morrem com sangue. É preciso acreditar no sangue como parte de nossa vida. A truculência. É amor também.
19 de Novembro de 2021, em exclusivo na Serpente.