Às vezes, só às vezes, Aurae achava que tinha grudado chiclete no livro-chave d’O Narrador. Noutras, como naquela, tinha certeza. Quem conhecia a Fitzherbert, sabia de seu dom para lidar com as idiotices alheias de uma forma especial, personalizada a cada um dos irmãos por opção. Sabia que devia ter refeito o coque intrincado enquanto esperava ser entrevistada por Merlin, mas a visão tinha sido demais para seu autocontrole em farrapos. Closeted pervert? Oras, por favor: que tipo de princesa não apreciava o que estava bem à sua frente? Ray tinha crescido com Louis e Soren em seu encalço, afinal: a compostura e expressão altiva só chegavam até certo ponto. “What?” Fez um biquinho estressado ao repousar ambas as mãos no quadril em uma postura autoritária tão logo percebeu a presença do Iraklidis no recinto. @simpleandclio não costumava aparecer por ali antes do almoço e, se o sorriso endiabrado tinha algo a dizer... Oh, aquilo era ruim. Ainda não sabia para quem aquilo seria ruim, mas estava prestes a descobrir. “Eu te conheço, Clio. Você não acorda tão cedo se não tiver um motivo e, que o Narrador me ajude, boa coisa esse sorriso não deve significar. Desembucha!” Mandou, gesticulando de maneira exasperada ao comprimir os lábios em uma linha fina. Way to go, Aurae.








