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NO I WILL NOT TURN MYSELF INTO A DISGUSTING SPACE PHASING HORROR BLOB.
FUCK!!!!!!!!!!1
Cassandra mostra o melhor modo de como “aterrar suas energias”
O Cassandra surgiu a pouco tempo, formado em 2014 por Daniel Silveira (baixo/ voz) e Karina D'Alessandre (bateria) em Curitiba. O duo tem tocado por varias cidades propagando seu turbilhão estrepitoso e vagaroso pelos cantos, gigs e live-sessions que passam e participam. Posso assegurar sem exagero que a pegada da banda é tão absurda que chega a lembrar algo semelhante ao OM (só que em versão tupiniquim, mais grave e sem guita) ou algo similar que seja propositalmente feito com o intuito principal de tocar o que gosta e sem a mínima pretensão de delimitar uma gama musical específica, pois a forma de execução que ultrapasse essa linha tênue entre o padrão e o descompromissado é muito mais abrangente do que imaginamos e pode ser cada vez mais explorada. Depois de lançarem o mais recente registro, “Antumbra” que possui uma qualidade excepcional a ser destacada, vem ganhando atenção do público geral, sem segregação, modificando melodias torrenciais e consistentes que remetem diretamente as origens primitivas mas nos transportando para outra dimensão inerente, perpassando uma miscelânea de representações introspectivas que se sobressaem através de um emaranhado de variações nocivas de ritmo constituindo uma sucessão incondicional causando um efeito hipnótico de transição das notas em vibrações fortíssimas.
Ano passado tive a oportunidade solene de conferir o “Cassandrismo” e pude acompanhar de perto toda a desenvoltura caprichada da banda. Nessa entrevista que cederam pro blog, demonstraram muito afinco no que fazem além de um profundo conhecimento sobre os temas abordados. Confere ai:
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Gostaria de começar com uma pergunta básica inevitável. O que serviu como influencia indispensável para dar inicio as atividades do Cassandra? Tocar lento e harmoniosamente foi uma ideia inicial, depois fomos trocando informações de gostos musicais e nos entendendo. Nada nunca impediu que tocássemos algo mais rápido ou torto, foi apemas uma opção. Viemos do som punk, do metal, do experimental e as combinações disso são imensas.
De onde surgiu a ideia que deu origem à essência da banda? Queríamos uma mescla entre o sombrio e o denso, algo como ver uma banda em meio a névoas e sons tribais, como um mantra na floresta, esse clima todo. Na prática, compondo, chegamos à uma estética natural que beirava o tema do oculto como trilha sonora; a Cassandra se encaixou bem no que queríamos, além de ser um nome sonoramente forte.
Como tem sido a recepção do público em termos de interatividade com o lançamento do “Antumbra”? O pessoal tem colado mais nos shows a cada apresentação e a resposta é sempre positiva. Muitos pedem material físico do disco, mas ainda não temos, apenas o virtual no bandcamp (https://cassandrapreviu.bandcamp.com/). Esse ano vão rolar 2 coletâneas em que sairemos fisicamente: Rarozine (Previsão #1 em CD) e Suspiro Metal Punk (2 novas músicas em LP). Gostaríamos de lançar o Antumbra em LP algum dia.
Qual o conceito principal por trás de toda a aura cósmica da banda? Há a personificação do mito Cassandra como consciência do maldito, que somos todos nós.
Existe algum significado em especial através do refinamento auditivo dos segmentos intitulados “Previsões”? Cassandra fazia previsões. O conteúdo das letras não faz referência a quaisquer histórias de sua mitologia, inclusive, mas achamos conveniente usar “previsões” como temática nos títulos.
Um destaque a parte, são as diversas texturas que a sonoridade consegue criar através de passagens densas e gravemente rarefeitas. Sendo assim, o que vocês consideram mais importante para aprimorar e como é elaborado o processo de criação dos sons? Desde o princípio o processo criativo dos sons é baseado em jams e isso nos traz essência e liberdade pra fazer. Estamos buscando sempre colocar elementos novos nisso o tempo todo, tanto com mesclas de influências ou equipamentos.
Existe um modo especifico que vocês utilizam para manter as composições nessa proposta ritualística? A própria proposta da banda tocar mais arrastado e lento, com riffs mais demorados e a forma em que a Karina faz a bateria compõem o ritual. Cremos que a ausência de refrões padrão também deixe o som mais aberto a acontecer nessa atmosfera crescente e natural. O som acaba sendo uma espécie de aterramento de energias, e quando isso acontece sentimos que o som está pronto, materializado. É como se ele já existisse num outro plano e daí então fosse descoberto.
Vocês alguma vez pensaram em agradar alguém com a musica que fazem? Ou isso é um fator que pode ser encaixado somente no quesito de consequência? Não nos preocupamos com isso na verdade. Tocamos e damos nosso melhor pra que as coisas funcionem coerentemente, sem abusos. Gratificante é ver que as pessoas gostam do que tá acontecendo e está agradando galera de vários gêneros diferentes. Talvez seja pela forma anárquica e experimental dessa construção em busca de algo mais autêntico possível.
Numa dada época em que está surgindo cada vez mais bandas atuando como duo (temos ai exemplos próximos que andam tocando o terror pela região do interior paulista como Suicide Shower, La Burca, Bertran de Born e mais uma infinidade à ser citada), é perceptível que o Cassandra possui um entrosamento extremamente contundente. De que forma vocês costumam integrar o caráter imagético da banda durante as performances? Sim, tem duos surgindo o tempo todo e sempre existiram na verdade e o que vemos acontecer são duos na linguagem mais densa e pesada. Isso é consequência talvez da época em que estamos fazendo rock. Nos 80´s a maioria das bandas EBM eram duos, por exemplo. Silver Apples era um duo nos 60´s. Fazer em dois é muito mais funcional.
Não que sejamos uma banda conceitual, mas alguns elementos não podem faltar como fumaça, projeções ou iluminação. Alguns shows cabem uma roupagem especial, como rolou no Desconstrua Fest em setembro do ano passado ou na gravação do vídeo do Tenda aqui em Curitiba.
Ouvindo a banda ao vivo é possível presenciar uma experiência muito mais sensorial do que ouvindo as gravações do material de lançamento, algo que soa como um mantra místico. Tudo isso já é pré-determinado, ou preferem optar pela vibe espontânea que a apresentação se envolve no momento? Gravamos ao vivo todo o disco em canais separados e a voz foi inserida depois. Isso já conta como um diferencial. Também ao vivo a coisa funciona mais com o emocional do que com a precisão de uma gravação.
Uma coisa que optamos na gravação foi fazer o set com apenas o fuzz e o delay para que nos shows o oitavador e o wah-wah (expressão) fizessem a diferença. Nossa intenção é sempre experimentar a cada show aproveitando o clima de caos místico ritualista até o encerramento.
Durante esse tempo desde que estão na ativa, quais foram os maiores problemas que enfrentaram diante do famigerado meio “underground brazuca”? Até agora não rolou perrengues maiores. Tem público pra som autoral, bastante gente interessada nos merchs das bandas e tal. Acho que o que complica é circulação de sangue (grana) na cena. Falta banda conseguir viver de música, mas uma banda/selo/espaço não se paga, principalmente se tratando de gigs e etc. Infelizmente a aquisição de equipos, gravação e ensaio fica por conta do corre que cada um pode fazer pra se pagar trampando. Tem rolado vários convites pra tocar fora e às vezes precisamos adiar pra levantar uma verba pra garantir os custos da viagem.
A gente não deixa de fazer mesmo assim, com as dificuldades.
Alguma vez já houve a intenção em se parecer com uma determinada banda ou artista que vocês admiram? Deixando de lado a relatividade que se dá em conta das influencias de cada integrante, e dando mais atenção para a questão de patamar almejado. Até onde pretendem chegar tocando? Não. Não achamos que precisamos nos parecer com nada nem ninguém pra tocar. A pira é não ser mais do mesmo, tai a graça da coisa! Existe algum lugar a ser alcançado com música independente? É uma necessidade tocar e se relacionar com quem também produz e viver de forma íntegra com pessoas que se comunicam de formas similares, que não estão entregues aos padrões.
Vocês tem alguma preferencia em relação ao nicho especifico que pretendem atingir? Ou a parcialidade do Cassandra é algo que não está limitado nesse aspecto? Não está. A vontade é quebrar paradigmas dentro dos nichos, mostrar que música é sensorial e é inútil negar algo que nos toca. Nos nossos shows tem de toda vertente curtindo junto. A união pode criar outras bandas, projetos, eventos. Isso é rico demais e pode explicar onde queremos chegar com isso tudo.
A pergunta que nunca quer calar é a que nunca deixa de ser feita. Que tipo de som vocês tem escutado com mais frequência ultimamente? EBM, Industrial, Darkwave, RAMONES, bandas 80s garagem do noroeste americano (Melvins, Tad, Bundle of Hiss...), Funeral Doom, Shoegaze, Slugde...
2015 foi um ano bem produtivo para a banda. Em ritmo de retrospectiva, quais foram os episódios mais gratificantes e marcantes dessa empreitada que estão seguindo até agora? Foi o ano que estabelecemos muitas coisas, tocamos fora da cidade diversas vezes e com bandas incríveis! Rolou o Porta Preta, Dissenso Lounge, Desconstrua Fest, Duo Fest em Presidente Prudente, gravamos um disco, conhecemos gente que vale a pena.
www.facebook.com/cassandrapreviu/?fref=ts
Listen/purchase: Dim and Slimeridden Kingdoms by Slugdge
"Attention, groupe de métal lourd, pas très original, avec chanteuse qui miaule et qui ferait passer Kylesa pour un bon groupe. Non pas que cet album de Solar Halos soit mauvais, non. Il est juste bateau."
mais ce n'est pas que ça... la suite sur radiokultura "Noise R'Us"
Eyehategod - HELLFEST 2009