CRÍTICA: SOBRABOS E MUCAMBOS (CAPÍTULO III)
O capítulo selecionado entre os doze do Livro SOBRADOS E MUCAMBOS, de Gilberto Freyre, é o terceiro e está intitulado como “PAI E O FILHO” vai ressaltar a enorme diferença hierárquica existente,na época,entre os adultos e as crianças, e que querendo ou não pode acabar se estabelecendo até hoje.
Mostra também o antagonismo entre o homem velho e o homem novo;as duas fases do menino na sociedade patriarcal: o menino “ANJO” (até os 6 anos) e o menino “DIABO” , que é a fase da razão (dos 6 aos 13 anos) nessa fase começa o questionamento dos poderes superiores, seja do pai, da Igreja, etc, e que os bons costumes eram cobrados das crianças e que se não fossem seguidos, castigos aconteceriam. Castigos esses que podem ser comparados à violência sofrida pelos escravos. Não era tolerado quaisquer questionamentos, não era tolerado questionar a autoridade paterna, faminta pelo ideal de justiça.
E Freyre fala que uma das coisas que contribuiu para o enfraquecimento do poder do pai foi a religião, já que a criança já não servia um mestre se ele não fosse Deus, nesse caso a leitura dos jesuítas dele.
Freyre aborda o fato de terem havido dois tipo de educação,com destaque para o Colégio com suas especificidades.O autor ainda aborda o patriarcalismo,como o domínio rural da casa grande sob o senhor de engenho; e o semipatriarcalismo,um período de transição,no qual ocorre o declínio do patriarcalismo com o desenvolvimento dos sobrados.
Ainda é abordada a “questão da infância”,que só se torna especial,com a burguesia no século XVIII. O filho é sempre mais importante e aos 6 anos de idade já possui a autonomia sobre o corpo.
Um tema muito importante e super atual é a precocidade em se tornar adulto, é comum as crianças terem a vontade de crescer. Desde pequenos sonhamos com a data que nos tornaríamos realmente adultos para termos autonomia e etc, mas isso também é algo complicado pois, quando etapas são puladas e uma criança é tornada um adulto de forma muito rápido, e realidade é exposta essa criança, que às vezes pode a chegar a estimular a precocidade da vida adulta
Algo que é um importante contraponto com os dias atuais é a forma de ensino do Colégio Jesuíta, quando falamos em competitividade entre os garotos, já que os melhores alunos eram exaltados. Nos dias atuais, o sistema de ensino não engloba à todos, e desde sempre existiu-se uma pressão para que se você quer ser alguém na vida, você precisa tirar notas boas. Sendo que, por exemplo, uma prova de português não prova o quanto um aluno pode ser simplesmente um gênio em artes plásticas. Isso se aplica desde o inicio do colégio até a fase pré-vestibular dos alunos, em que a meritocracia ganha uma força e um peso muito grande.
O capítulo é muito importante para entendermos como certas relações, principalmente as de poder conduziram a sociedade à ser o que é nos dias de hoje, como nos exemplos citados acima.














