Quando uma obra de arte nos acompanha a finalizar um ciclo, o novo, só poderá ser ainda mais promissor e correrá melhor ... #desfrutar #gratidao #beleza #arte #sobreamesa https://www.instagram.com/p/B6xjS1fJrmK/?igshid=o2yqm3cm2sj4

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O armário e a homossexualidade
Há quem diga que gays já nascem gays, outros acreditam que é por influência, há quem prefere acreditar em escolha pela homossexualidade. Vamos começar esclarecendo isso. Gay não nasce hetero, já havia falado isso aqui antes. Gays não queriam ser gays, não escolhem ser gays, mas são julgados pela sociedade, xingados pelos “amigos”, mandados para o inferno pela religião e o que é mais doloroso, muitos são rejeitados pelos pais. Para se proteger de tudo isso muitos jovens homossexuais vivem “no armário”.
Nas Crônicas de Nárnia o armário reserva um mundo mágico a ser explorado, o conceito pode ser de certa forma, aplicado à realidade desses homossexuais. A vida falsa e a omissão dessa orientação faz com que muitos tenham pensamentos de negação, como o desejo de ter nascido heterossexual ou a vontade de “cura”, que não existe, pois não isso não é uma doença. E libertar-se desse armário, não só no Brasil, pode ser considerado um ato político.
O machismo não afeta apenas as mulheres, mas os próprios homens sejam eles homossexuais ou não. A necessidade de se afirmar “macho” para fugir da homofobia, o pai que sonha em “ter um filho que jogue futebol e se case com uma mulher”, o pai que se preocupa com “o que vão pensar sobre ele ter um filho gay” são exemplos que provam isso. Nas religiões homossexuais são considerados pecadores, pelo simples fato de amar alguém do mesmo sexo.
Estar no armário e não ser aceito mata. Muitos adolescentes homossexuais cometem suicídio por esse motivo. Homossexual não quer ser uma vergonha da sociedade e sim ser aceito e amado como qualquer ser humano.
A Política entre Heróis e Vilões
Precisamos encarar a realidade: Por mais que os seus discursos e as agências de marketing tentem fazer parecer, os políticos não são super-heróis. E por mais que suas atitudes muitas vezes demonstrem isso, eles (ao menos não todos) não são vilões ávidos por exploração dos cofres públicos.
Os políticos são todos ruins? Devemos defender nosso partido como defendemos nossa religião ou time de futebol? Acredito que não, mas é assim que funciona. Fazemos leitura seletiva dos fatos, absorvemos informações de fontes enviesadas, e esquecemos que como qualquer outro profissional, os políticos erram, são pressionados a tomar decisões contrárias a suas vontades, e também as nossas.
É controverso pensar em política como profissão. A representação que deveria ser meio para realização de um fim (as políticas que o povo quer ver realizadas) acaba por se tornar fim (para os políticos) que querem antes de qualquer coisa se manter no poder. E para isso se sujeitam a alianças questionáveis, o que se agrava no caso dos “vilões”, que necessitam do aparelho do Estado, para a partir de seus recursos manter sua rede de clientela e patronagem.
Existem diversos interesses em jogo, e o peso de cada um deles é determinado pela recompensa que cada um pode oferecer. Caímos novamente naquela lógica que acaba culpando os empresários e sua máquina de fazer lobby (ou pressão política) para aprovação de medidas impopulares, ou no mínimo discutíveis.
É explícita a lógica motivada pelo interesse e retorno financeiro entre políticos e empresas, setores da sociedade e até externos ao país no momento de financiar campanhas e depois cobrar retorno em favorecimentos em votações, licitações entre outros. Mas o que explicaria o vínculo entre o eleitor e o candidato? O que me motivaria a votar em candidato x e não y?
- Interesses.
“Ah, mas tudo são Interesses”
- Pois é, tudo.
E assim explicaria a lógica que traduz o voto, se os políticos são vilões, nós somos o que? Não é a população que investe a Voldemort seus poderes malignos, muito menos a maioria dos vilões que conheço, mas parece que na política é assim que as coisas funcionam tendo em vista a forma como a imagem dos políticos atuais é retratada nos diálogos cotidianos.
Eu voto em você porque acredito que você pode me favorecer em algo, e você pode me favorecer em algo enquanto seu voto for interessante para mim, ou eu puder manipulá-lo. Existem aqueles que não se interessam nos meios utilizados para realizar, mas “se meu benefício chega, não ligo”. Para outros ainda nada presta, porque “Se não acabar com toda essa sujeira ai, não adianta.”
Entre tantos discursos cotidianos a verdade se esconde se é que ela existe nesse caso, elegemos representantes, e podemos medir se eles são bons ou maus na medida em que exercem sua função: A de representar, todo o resto, é especulação.
DIÁRIO DE BORDO: ÍNDIA - PARTE 6
Minha quinta e última semana de projeto, e também minha última semana em Hyderabad. Não posso negar que estou triste e que sentirei muita falta dessas crianças e de todas as pessoas que convivi nesse flat e que se tornaram uma grande família para mim aqui na Índia.
Durante essa semana de muitas brincadeiras e aprendizados no Orfanato, fomos convidados a ir em uma apresentação anual da escola. Nesta apresentação algumas das crianças dançaram, outras atuaram, mas posso garantir que foi um dos momentos mais lindos e em que eu mais me senti em casa estando com elas, pois já se tornaram muito especiais pra mim, e ver elas se apresentando me deixou muito orgulhoso por estarem ali se sobressaindo entre tantos alunos. Passei a maior parte da semana fazendo vídeos e fotos das crianças, da ONG, e de como é a rotina delas, a intenção é juntar todo esse conteúdo e fazer mais alguns vídeos para que Victor, responsável pelo mesmo consiga divulgar seu trabalho e conseguir mais ajuda para manter a organização.
Passei além da semana, o domingo e a segunda-feira, meu último dia de projeto, capturando momentos e histórias dentro da ONG. Segunda foi um dia diferente, já acordei com uma tristeza enorme no peito por saber que acabaria o projeto, fui ao orfanato muito cedo para gravar as crianças despertando, tomando café da manhã, escovando os dentes e se arrumando para a escola. Antes de ir à escola, elas rezaram e cantaram uma música gospel, e durante o caminho, todas ficaram em fila indiana em duplas do mesmo sexo, de mãos dadas. Quando cheguei na escola, fui recebido pela direção que me autorizou a gravar vídeos e fotografar dentro do prédio. A escola é muito organizada, diferente do que estou acostumado a ver por aqui, e o ensino de qualidade. Eles possuem uma carga horária de dez horas diárias, e não são avaliados só em disciplinas normais, sua conduta e comportamento é igualmente avaliada. Mas como nada é perfeito, as professoras na Índia tem permissão de usarem varinha durante as aulas para disciplinar as crianças, o que sou contra, violência é algo inaceitável em qualquer situação.
Fiz muitas fotos e vídeos das crianças na escola, e recolhi depoimentos dos professores falando sobre os alunos prodígios que moram no orfanato. Uma das meninas, por exemple, possui sua nota mais baixa avaliada em B, o que seria média 8 no Brasil. Na hora do almoço voltei de moto para a ONG, com mais três meninos em cima da mesma, o que é algo normal por aqui, mas que pra mim foi uma experiência e tanto! Lá, pegamos os almoços de cada criança e levamos para a escola, pois é tradição na Índia as refeições serem enviadas às crianças e até às pessoas que trabalham em horário integral.
A tarde, após o almoço, eu e os outros voluntários do projeto, fomos à escola conversar com a direção, pois sabíamos que quase todas as crianças não possuíam padrinhos, ou seja, pessoas que pagassem suas escolas, e que a mensalidade delas estava pendente desde setembro de 2014, mesmo a escola cedendo um desconto de quase 50% sobre o valor anual para as crianças. Decidimos que cada um do projeto iria ser padrinho de pelo menos uma criança, assim pagando a anualidade delas com o atraso, e o dinheiro que arrecadamos com a campanha daríamos para Victor pagar o resto da escola das crianças e toda e qualquer outra dívida que a ONG possuísse. Conseguimos arrecadas em torno de três mil reais! E estamos muito gratos a todos que nos ajudaram a dar um futuro melhor a essas crianças, nunca achamos que conseguiríamos tanto em tão pouco tempo.
Antes de eu voltar para o flat a tardinha, o casal que gerencia a ONG chamou todas as crianças à sala, pediu que sentassem no chão, e que eu sentasse a frente delas, também pediu para que cada uma falasse o que havia aprendido comigo e o que queriam me falar antes de eu deixar a orfanato. Muitas não conseguiram falar e simplesmente me abraçaram, outra falaram que me amavam e que sentiriam minha falta, que eu deveria ficar, os mais velhos agradeceram por toda ajuda que cedemos a eles e que nunca esqueceriam de nenhum de nós, que fomos inesquecíveis na vida deles. Não teve jeito, acabei chorando muito e muitas delas também, mas todas vinham até eu, me abraçavam, limpavam minhas lagrimas e pediam que eu sorrisse.
Posso garantir que fazer essa viagem foi a melhor escolha que tive na vida, aprendi muito, e nunca esquecerei de tudo que vivi nesse lugar maravilhoso, deixo meu projeto com um aperto no coração, mas com a certeza que impactei na vida delas tanto quanto elas na minha. Conversando com os responsáveis pela ONG, eles me falaram que nunca nenhum grupo de voluntários tinha se apegado tanto com as crianças e as ajudado dessa forma, me senti muito feliz e orgulhoso, senti que tinha cumprido minha missão com elas. Antes de voltar para o Brasil, voltarei para dar meu último abraço em cada criança.
Começarei meu mochilão pelo norte da Índia, serão duas semanas e mais de sete cidades percorridas, durante as próximas colunas escreverei cada detalhe sobre minha viagem e cada uma das cidades que conhecerei, até semana que vem!
Do carpete às ruas, abandono é crime!
O assunto de hoje não é nada alegre, poético ou engraçado. Talvez você ache que isso nem aconteça, mas acredite, mesmo em uma sociedade moderna e supostamente bem esclarecida, ainda existem seres humanos... será que posso chamá-los assim? Bom, ainda existem “bárbaros” que maltratam os animais.
Sabe aquele ser que todos os dias te espera chegar em casa sentado ao lado da porta? Que te olha com a expressão mais fofa do mundo no fundo dos olhos e faz você lhe dar a última bolachinha do pacote? Que às vezes até assiste filmes com você? Que escuta você cantar desafinado sem julgar? Que conversa e ainda concorda com tudo que você diz? Alguns até dizem que ele se parece com você, e não é por acaso, afinal sendo gato ou cachorro são considerados os melhores amigos do homem.
Começando pelos casos mais simples: certo dia você está caminhando alegremente pela rua, então olha para a vitrine da loja de animais e vê uma pequena bolinha de pêlos abanando o rabo para você. Impulsivamente você entra na loja, se encanta pelo animalzinho o leva para casa e são felizes para sempre. Bom, às vezes o happy end não é tão Disney assim. Algumas pessoas não sabem o grau de responsabilidade que estão adquirindo ao decidirem levar uma vida para casa. Ah sim, aquele bichinho fofo é um ser vivo! Ele vai ter infinitas necessidades, gerar inúmeros gastos e também vai precisar da sua atenção e carinho. A bolinha de pêlo cresceu, se transformou em um bolão peludo, está destruindo a casa e escolheu brincar de roer o seu sapato preferido. Então chega o momento que os animais até então criados a toddynho trocam a caminha no carpete pelas ruas.
O ser humano às vezes tem atitudes que são inexplicáveis pela razão. Adotar ou comprar um bichinho é assumir a responsabilidade de uma vida. Sim querido(a) nem tudo na vida é feito de beleza e fofura, bom, você como um ser racional já deve saber isso.
O abandono é apenas um dos exemplos de maus tratos, já que diariamente muitos animais pagam com a própria vida as ações de crueldade do homem. Recentemente, uma propaganda em prol da adoção consciente de animais se espalhou pela internet. Não foi por pouco o motivo de tal comoção, o vídeo mostra de uma forma literalmente humanizada o abandono de animais.
Confira o vídeo:
Você conhece os Malucos de estrada?
“Qualquer homem que ousar desafiar e questionar os valores estabelecidos pelo sistema é considerado louco” (Malucos de Estrada II – Cultura de BR / 18 minutos e 46 segundos)
Hippies, artesões, nômades, moradores de rua, viajantes, músicos ou aventureiros, eles são chamados de diversas formas, mas pode chamar de Malucos de Estrada, ou, Malucos de BR. Seja lá qual nome você preferir dar a eles, o essencial nesta relação é o respeito. São protagonistas sociais de uma expressão cultural que tem sido rotulada, desvalorizada e criminalizada por quase 40 anos.
Desde 2009, o coletivo Beleza da Margem vêm mostrando a realidade,a arte e a cultura desse povo que ainda passa despercebido pela sociedade, com o objetivo de mostrar o que é esse patrimônio cultural ainda sofre com a repressão e a censura. O documentário foi gravado em 19 estados brasileiros e foram feitas aproximadamente 300 entrevistas para compor o material. O projeto só foi possível com a ajuda de uma campanha de financiamento colaborativo, que arrecadou cerca de 65 mil reais de 2.072 pessoas, de 26 estados do país.
O coletivo Beleza da Margem retrata o maluco de estrada como uma cultura viva e dinâmica, que ainda sofre com a desvalorização e a incompreensão da sociedade. Mas ainda sim, a cultura continua crescendo, pois indiferente as críticas, eles são dotados de princípios culturais, e ideologias políticas, sociais e espirituais, e apenas buscam uma opção de abnegação do estilo de vida ambicioso e capitalista que engloba a maior parte da população do país.
“Sua frequente postura de nômade, de viajante, reforça ainda mais sua condição de antropófago, de “canibal”, pois devora e reconfigura aquilo que encontra – os lugares, as paisagens, as histórias, as matérias-primas, a forma de ser e viver das pessoas com as quais se depara – sendo permeado destes encontros e desencontros, destas ambivalências, destas tensões, memórias e esquecimentos, que alimentam o perpétuo movimento, seu perpétuo tornar-se, vir a ser.”
Após acompanhar 18 apreensões de prefeituras, o material reúne imagens de ilegalidade dos agentes públicos. Em algumas cenas, é triste ver a forma incoerente que os oficiais e gestores públicos tratam os artesões de rua. E ainda, chegam ao extremo de levar não apenas os artesanatos, mas também itens pessoais, como higiene e até roupas. Após ver essas cenas, conclui que não é apenas a falta de conhecimento sobre essa cultura, mas também por não admitirem uma forma alternativa de vida que foge dos padrões ditados por uma sociedade.
Por fim, fica a reflexão: por que a sociedade ainda reluta tanto em ser coerente em relação a todas as formas de expressão artísticas e culturais de nosso país?
DIÁRIO DE BORDO: ÍNDIA - PARTE 5
Começamos esta quarta semana aqui em Hyderabad, Índia, com comemoração, era o aniversário de um dos nordestinos que mora no flat, chamado Luiz, fomos ao Hard Rock por escolha dele. E para variar esta segunda-feira era feriado, mas ao menos assim aproveitamos o dia para irmos ao shopping e procurarmos alguns presentes.
Nosso tour gastronômico desta semana finalmente passou pelo McDonalds indiano, com várias opções vegetarianas, e para os não adeptos ao veg, nada de carne bovina, as opções se restringem em frango e peixe, mas não negarei, o hambúrguer continua sendo ótimo. Fomos também ao Subway, que funciona da mesma forma que o brasileiro, mas com as mesmas restrições do McDonals, e por último a uma padaria que faz doces franceses. Uma coisa que venho notando aqui, é que os pratos doces, não são realmente doces como no Brasil, eles são mais neutros, menos enjoativos.
Durante estes dias, realmente comecei a sentir falta de coisas simples em meu dia-a-dia, como ter privacidade, e também um chuveiro para poder tomar um banho quente nos dias frios. Coisas simples que por eu estar vivendo aqui, sem luxo algum, eu comecei a dar valor. A cultura indiana parece não ligar para conforto e praticidade, ao menos as casas são feitas de modo a ignorar os dois. Os banheiros raramente possuem pias, muito menos chuveiros com água quente, as camas não possuem “colchões”, e sim, esteiras que parecem mais cobertores, os talheres se resumem em garfo e colher, faca raramente se encontra em algum lugar acompanhando o prato. Pequenas coisas que formam uma diferença realmente grande entre nossa cultura e a deles.
Uma brasileira que estava com nós no flat completou as seis semanas de projeto e tinha vôo marcado para domingo que faria ponte aérea entre Hyderabad e New Delhi, para de lá, pegar o vôo ao Brasil. Por azar, quando ela chegou no aeroporto, o vôo tinha sido cancelado, e além disso eles não teriam o que fazer para ajudar-lá, dessa forma perdendo o vôo que faria a rota de volta ao Brasil. Não foi a primeira vez que cancelamentos não avisados previamente acontecem no aeroporto de Hyderabad, o que me deixa apreensivo sobre a possibilidade de acontecer com meu vôo também. A cultura indiana é algo muito burocrático e desorganizada, é difícil de entender, para qualquer coisa que você precisar fazer irá lhe tomar muito tempo, ainda mais para nós estrangeiros. Sing, um menino da Indonésia, e um casal da Lituânia também deixaram o apartamento essa semana, agora está começando a ficar vazio, fora que estamos somente em brasileiros no apartamento, no total somos em nove. É muito bom ter um grupo de pessoas do mesmo país para nos fazer companhia, isso torna tudo mais fácil.
Essa semana no orfanato, em uma das conversar com Victor, o responsável pela Organização, ele nos contou que a escola das crianças não é paga a cinco meses, e que ainda não conseguiram reunir o dinheiro para o aluguel do mês. Na sexta, quando chegamos ao orfanato, percebemos que o mesmo estava sem luz, pedimos para as crianças o que havia acontecido, e elas nos contaram que Victor ainda não conseguira pagar a conta, por isso ela havia sido cortada.
Por querermos ajudar, pedimos quanto que era a mesma, e acabamos pagando a luz para eles e indo ao mercado comprar velas para a casa não ficar às escuras até a luz voltar, acho que nunca havíamos visto estas crianças tão felizes em nossas vidas, e com toda certeza, nunca ouvimos tantos “muito obrigado” no meio de meigos sorrisos, um pequeno ato que fizemos e que mudou nosso dia, que tocou nossos corações.
Como Victor e a mulher iriam viajar durante o final de semana, fomos no sábado e no domingo passar algumas horas com as crianças, mesmo não fazendo parte de nosso projeto estes dias.
O orfanato possui muitos gastos, e não consegue reunir doações suficientes para se manter nos últimos meses, pensando por esse lado, passamos a semana gravando vídeos das crianças e também fizemos uma entrevista como o Victor para montarmos um vídeo com o intuito de arrecadar dinheiro para o orfanato e ajudar a suprir as necessidades que eles possuem no momento. Este vídeo foi publicado e pode ser encontra no youtube, com o nome de “Fundraising Grace Social and Educational Society”, e também no meu facebook.
Infelizmente encerramos a campanha dia treze de fevereiro pois não teríamos tempo para manter-lá, a maioria dos participantes do projeto já estão voltando para o Brasil, inclusive eu. Mas quero agradecer a todos que acompanharam nas redes sociais e ajudaram de alguma forma, esse ato com certeza mudou a vida deles! Obrigado a todos e até a próxima semana!
A imparcialidade é da mídia ou do público?
Na última semana me propus umdesafio: Obter o maior número de informações através da grande mídia possível, tentando compreender mais ou menos como a população vem absorvendo este bombardeio de más notícias no campo da política. E como as impressões de jornalistas se chocam (ou não) com as de especialistas da área (que é o que pretendo me tornar).
O meu propósito acima de tudo era de me colocar no lugar do público, que muitas vezes só obtém informações sobre política quando liga a TV, e as processa como verdade de acordo com a versão dos fatos contada pela emissora hegemônica. A internet vem mudando um pouco este panorama, mas ainda é um grande desafio aprofundar a discussão sobre assuntos políticos no país.
Quando não a TV, a internet, e nos mesmos espaços, a grande maioria das informações é reproduzida pelos detentores da hegemonia na área das comunicações, e cada vez mais as notícias são formuladas como mercadoria, cujo objetivo não é informar, mas apenas obter o maior número de acessos, para que o investimento se justifique.
Infelizmente, assim como na política, o interesse se desvia da discussão de fatos para o interesse pessoal, e na pior das hipóteses, o lucro. Há que se diferenciar o interesse público do interesse do público. O que chama mais atenção, o que causa maior comoção, se torna prioridade, o compromisso didático e informativo se torna cada vez mais escasso.
E será que o problema é só da mídia? Acredito que não. Quantas informações já recebemos de forma exagerada e não foram através de jornais, revistas ou TV?
A mania de aumentar está inserida na sociedade, e pode ser encarada como uma forma de atrair atenção não só para a notícia, mas para o veículo que a transmite. Encontrei principalmente na internet, manchetes cada vez mais intrigantes e muitas vezes apelativas, e no âmbito da política milhares são compartilhadas e comentadas sem serem ao menos abertas, o que expressa o tamanho da paciência de nós brasileiros no trato com as notícias.
Os noticiários políticos me deixaram frustrado, indignado, sem fé em um futuro melhor para a política nacional, o que vim sendo convencido contrariamente ao longo de toda minha formação em Ciência Política. É preciso entender que em geral a mídia não mente, mas tem o poder de distorcer, manipular e induzir um raciocínio na população, transformado instabilidade em crise e crise em catástrofe de acordo com a sua afinidade com o governo.
Os grupos de mídia não estão isolados da dinâmica do país, toda mídia representa o interesse, e as linhas editoriais possuem além do compromisso com a verdade, o compromisso com quem as financia. A mídia pode ser encarada como um partido político.
A mídia tem o poder de climatizar e preparar terreno para fenômenos políticos importantes, os desequilíbrios na área das relações governo-população e no interior do governo e a instabilidade econômica estão presentes, e no momento até a imprensa oficial do governo se contém diante dos ataques constantes da pauta da mídia hegemônica.
A cada dia fica mais difícil acreditar em imparcialidade, e a cada dia a mídia busca se afirmar enquanto isenta (exceto as revistas que já desistiram e se tornaram panfletos partidários). Cabe questionar, até que ponto isto é ruim, se é que pode ser considerado como algo ruim. É perigoso apenas que opiniões enviesadas sejam absorvidas pela sociedade enquanto verdade única é necessária a compreensão das estruturas e da organização política por trás dos fatos para que não sejamos vítimas da mídia nem da política.