(FB) A tale of two families | Sofredo
@sofialuchese
Se infiltrar em uma organização criminosa exigia mais do que preparação, exigia culhões. Filippo viu colegas que nunca se recuperaram do estresse pós-traumático após operações muito parecidas com aquela que ele estava prestes a fazer parte. Sabia que não seria tarefa fácil, viver cercado de inimigos, sob o constante medo de ser descoberto. Especialmente ao se infiltrar em uma das famílias da Cosa Nostra que não tinham um histórico de piedade com traidores.
Mas Filippo era o candidato perfeito para a missão: filho de imigrantes italianos, conhecia bem a língua e os costumes e sabia como funcionava a hierarquia da máfia italiana. Não esperava que fosse ser fácil ganhar a confiança dos Lucchese, mas se alguém podia fazê-lo, esse alguém era Filippo.
Passou meses se preparando, cortou previamente o contato com a família e os amigos e assumiu outra identidade. Escolheu o nome do pai: Alfredo Moretti. Era um nome comum o suficiente entre os italo-americanos para não levantar suspeitas e familiar o suficiente para que se sentisse à vontade. Seus superiores passaram a chamá-lo apenas de Alfredo nas semanas que antecederam o início da missão para que Filippo se habituasse à nova identidade. E antes que percebesse, já atendia pelo nome sem pensar duas vezes.
Agora vinha a parte realmente difícil. O FBI arquitetou um plano arriscado para Filippo cair nas boas graças dos Lucchese: sequestrariam a caçula da família se passando pela família rival, os Gambino e Alfredo surgiria bem a tempo de salvar o dia. À essa altura, Filippo já fazia pequenos trabalhos para a família como um associado - a base da estrutura da máfia, abaixo até mesmo dos chamados “soldados”. Mas se continuasse nesse ritmo, levaria uma vida para cumprir sua missão. Se queria desmantelar aquela organização, devia começar pelo topo.
Filippo colocou munição no tambor da arma e fechou-o com um tapa, esperando sua deixa. Há alguns metros dali, em um depósito abandonado, três agentes do FBI se passavam por criminosos, tentando amedrontar Sofia Lucchese. Quando ouvisse três tiros, deveria entrar para “resgatá-la”. Dessa forma, matariam dois coelhos numa cajadada: colocariam as duas famílias em guerra novamente e conseguiriam a confiança de um membro importante dos Lucchese.









