26.12.2016
Cultivar, ou pelo menos buscar, o apreço por elementos que passam despercebidos, o enxergar através de um ser/coisa como se sua matéria física sumisse, combinado à uma empatia e ternura por toda forma de vida, às vezes silenciosa, às vezes dita, às vezes fotografada, desenha ou só sentida, numa reciprocidade gratificante e energizante. Algo como encontrar beleza e amor em tudo e todos, por mais escondida que ela esteja.
Sofia Prampero de Almeida
Sofia tem 16 anos (1999), mora em São José do Rio Preto, São Paulo, mede 1,66 de altura, tem 5 gatos que se chamam Pitty, Black, Alfredo, Bola de Pelo, Alfredo e Fritz, faz aniversario no dia 22 de setembro, seu signo é Virgem, ama comida oriental e italiana, desenha, faz colagens, cuida das plantas, escreve cartas, costuma ir ao cinema, barzihos e cafeterias, ama gatos, fotografias, objetos antigos, deja-vu, meias compridas, aeroportos, açúcar mascavo, trocar sorriso com estranhos, ouvir gente falando francês, tem mania de puxar a pele dos lábios, sentir textura e cheiro das plantas, demorar a responder, odeia a efemeridade e a curta duração de tudo.
Sobre o feminismo?
Adepta. É sinônimo de libertação e irmandade.
Sobre o machismo?
Primitivo e vazio, sinto um nojo enorme.
Sobre o aborto?
Sou à favor da legalização.
O que você já deixou de fazer por ser mulher?
Viajar; participar de discussões; frequentar certos lugares sozinha; sair de casa confortável e aceitando meu corpo, sem o pensamento que martela meu crânio de que estou num papel de manequim numa grande vitrine sendo julgada. Tenho muitas inseguranças em relação ao meu corpo.
Sobre o que você costuma ler?
Viagem temporal, feminismo, arte, crônicas, beleza.
Uma frase?
Amar é conduzir o outro delicadamente de volta a si.
Uma banda que você não para de escutar?
Nenhuma banda com frequência extraordinária, como já me aconteceu. Ando escutando muito a Carla Bruni.
O que você detesta nas pessoas?
A efemeridade.
Filmes que já te fizeram refletir?
A Árvore da Vida, Clube da Luta, Os Incompreendidos, Persepolis, Anna, Sr. Ninguém, 2001 Uma Odisseia no Espaço, Razão e Sensibilidade, Why Beauty Matters, O Fabuloso Destino De Amélie Poulain, Uma Mulher Casada.
Você já fez algum curso de fotografia?
Não.
Um lugar que você já foi que mais te chamou atenção?
Castelinho Caracol, Canela-RS.
Você faz colagens com o que?
Revistas, livros, apostilas escolares antigas, materiais de costura, adesivos, bilhetes, folhas e flores, fotografias, dinheiro.
Seus ensaios fotográficos te ajudaram de alguma maneira na sua vida pessoal?
Sim! Creio que no autoconhecimento e na expressão corporal que me encanta por mais que eu ainda tenha muito a desbloquear.
O que você espera de um relacionamento?
Dengo, uma ligação sobrenatural e respeito.
Peça do roupeiro que você não dispensa?
Short cos alto.
Há quanto tempo você não corta seu cabelo?
Um mês.
Você já pensou em fazer algo radical no seu cabelo?
O tempo todo! Já quis raspar, cortar chanelzinho de novo, deixar a franja crescer, encurtar a franja, enruivar, fazer um arco íris, tudo simultaneamente! Só me falta a coragem e o desapego.
Com 5/6 anos eu descolori umas mechas e pintei de vermelho (eu era a Roberta do RBD), com 12 tive umas pontinhas azuis e no mesmo ano mais ou menos fiz uma californiana caseira totalmente fail (não tenho fotos dessa época) e após um tempo cortei chanel. Depois disso nunca mais pintei.
Lojas favoritas?
Livrarias e papelarias, lojas de brinquedos (SIM!), Beauty Box, Zara, Forever 21, Renner, lojas de decoração, lojas de perfume, e as de bugiganga 1,99.
Por que você escreve cartas?
Primeiro porque não sou muito fã de mensagens online, a internet em geral me tira energia e sempre esqueço de responder as pessoas. Depois porque acho que é uma maneira de conhecer e entender alguém mais a fundo, como se durante a leitura da carta você estivesse submerso num pedacinho do universo daquela pessoa, tudo reflete sobre quem ela é, caligrafia, abordagem, assuntos, desenhos, lembrancinhas. Me agrada reservar um tempo meu exclusivamente à uma pessoa quando escrevo as cartas, demoro e sou muito perfeccionista. Fora que é incrível ter essas lembranças registradas em algo concreto. É como a diferença entre uma foto na memória do celular e a mesma foto revelada.
Coisas que você valoriza no dia a dia?
Músicas que combinem com o momento, frestas de luz espalhadas pela casa, conseguir cumprir minhas tarefas (há muito tempo isso não acontece), conseguir me sentir viva e parte do aqui e agora, que têm sido uma dificuldade.
Você não sai de casa sem passar pelo menos um rímel ou é mais de boa?
O rímel eu dispenso, mas sou muito escrava do corretivo, tenho olheiras profundas.
O que você gosta de fotografar?
Tudo!!! Mesmo!
Alguém te inspira na vida e no estilo?
Anna Karina, Mallu Magalhães, Audrey Hepburn e Rita Lee.
Sobre você morar perto da sua família?
Uma faca de dois gumes, tem muita fofoca mas tem também uma proximidade positiva e apoio.
Você se inspira em alguém no tirar suas fotos?
Não há uma pessoa em especial, é um misto de várias referências que fui capturando.
Onde você costuma comprar suas roupas?
Renner, Riachuelo, C&A e Zara.
Sobre ser vegetariana?
Sinto como se fosse uma obrigação básica minha e desde que parei, há dois anos quando numa viagem tive contato com animais de abate, me sinto um tiquinho melhor em comparação ao meu antigo eu-carnívoro e aliviada por não fazer parte desse pessoal que diz que ama animais enquanto come um bife e explica porque até queria ser vegetariano mas não pode (puro luxo).
O que você espera para daqui 10 anos seja profissionalmente ou não?
O fim dos meus conflitos internos, ser independente em todos os sentidos, uma casa cheia de gatos e plantas, seja onde for, o poder de tocar as pessoas através do meu trabalho, seja ele qual for.
O que você admira nas pessoas?
O fato de cada uma ser um universo distinto e infinito.
Cite pratos italianos e orientais favoritos?
Lasanha, macarronada, ravioli, canelone, nhoque, sushi, temaki, yakisoba, gyoza, rolinho tailandês, esfiha, charuto, pão folha e os frios árabes em geral.
Um medo na vida?
Fracassar comigo mesma, sucumbir à dor e desperdiçar minha existência.
Sonho?
Plenitude.
Por que você gosta de aeroportos?
O fluxo de pessoas e as chegadas e partidas e todas as emoções envolvidas nelas, tentar adivinhar quem são essas pessoas, pra onde vão, de onde vêm, quem procuram, se vão pra um lugar que as faça feliz, de quem se despedem e o que sentem em relação a cada item.
Um lugar que você gostaria de conhecer?
Paris nos anos 20.
O que você busca transmitir nas tuas fotografias?
O que eu sentia no momento em que fotografei (calmaria, tristeza, saudade, amor, caos…).
Um defeito?
Procrastinadora profissional.
Sua vida é sempre a mesma rotina ou você faz de tudo para não entrar em uma?
Geralmente quase sempre a mesma coisa, um ctrl v ctrl c em grande proporção.
Um objeto que você não sai de casa sem?
Uma bolsa. Me sinto desconfortável com as mãos soltas, nunca sei o que fazer.
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ENTREVISTA POR @SIALMEDEIROS 🍌










