Sora Jo: Can you keep a secret?
Universe: Magical Alternate Universe
Characters: Sora Jo, Somi Ozu, San Jo, Mrs. Jung
Additional tags: Comedy, Family Dynamics, Sora is an evil maknae, growing up with siblings series
Warnings: none.
Sora nunca soube ficar de boca fechada e ela tem a plena consciência disso. Então quando ela está no campo de quodpot, com as mãos na cintura, a chuteira escavando um buraco na grama, olhando ansiosa para seu colega de time, ela tem certeza que foi mais um daqueles momentos em que ela deveria ter ficado na dela, quieta, de boa, mas ela abriu a bocona dela e agora a coisa vai ficar feia e, pior ainda, vão saber que foi por culpa dela.
— Mas quer saber? — ela tenta remendar, dando um tapa com as costas das mãos bem no peito de Kazuki, com uma coragem que ela nem sabia que tinha. — Vai ver tudo isso é coincidência e eu só tô falando groselha. Que isso, campeão, tá me olhando assim por quê?
E ainda bem que o treinador apita para que eles subam nas suas respectivas vassouras para começar o treino daquele dia, porque por muito pouco ela começa uma crise enorme na família de seu cunhado de graça.
Como ela sempre causou.
— O San já saiu do castigo dele? — pergunta ela entrando na cozinha de casa, batendo os pés.
Ela tem um bico enorme no rosto, os cabelos cortados recentemente em chanel a impedindo de ter as tranças que sua irmã mais velha sempre fazia nela, então agora ele espeta para todos os lados, tão rebelde quanto ela própria. Apesar de ser a filha caçula, Sora tem a altura notável para a sua idade, Mrs. Jung, sua mãe, sempre brincando que ela deveria ser modelo algum dia. Não que ela se pareça de longe com uma modelo — os joelhos ralados e a terra constante incrustada em suas roupas mostravam que Sora estava longe de uma passarela. Desde cedo, ela deixa claro que não é do tipo que aprecia coisas fofas ou delicadas. Sua mãe se deu como vencida cedo, agora que ela tem 7 anos então, só aceitou a derrota.
A mãe se vira para ela quase que em câmera lenta, querendo entender de onde veio aquela pergunta.
— Como assim?
— Você disse que ele não podia sair de casa por nada, porque ele estava de castigo depois de ter cortado o cabo da energia elétrica treinando com a lança dele — relembrou, apontando com as mãos exatamente para onde tinha ocorrido o incidente, dias antes. Desde muito cedo, Sora era muito demonstrativa, precisava nem pedir. — Que ele tinha que refletir as ações dele e que era por isso que ele tinha que vir pra casa depois da escola.
— Sim, eu disse exatamente isso — a sobrancelha da mãe já estava quase na nuca de tão arqueada.
— Então por que ele tá numa rinha de moleque lá na arena?
— Ele está aonde, Jo Sora?
— Na arena, ué. Acabei de ver ele lá, quando eu fui seguir a Somi e descobrir onde ela e os amigos dela que você não autorizou ela a ter estavam indo.
Incapaz de ficar quieta, seja em que situação fosse.
— Você parece muito que vai vomitar — Sora comenta, balançando os pés enquanto está pendurada na janela do quarto.
— Você parece muito que vai levar um tapão, isso sim — Somi rebate, irritada, enquanto luta com todas as forças para se concentrar no que estava fazendo. — Isso vai doer mais em você do que em mim.
— Ah, não me diga! — San murmura, meio irritado, meio aflito.
A ferida que ele abriu no flanco era grande e band-aids não iriam resolver. O corte precisa ser limpo, suturado e só então coberto com material necessário. Então ele tinha ido até Somi, a pessoa que ele sabia que melhor entendia de medicações, a nerd da família quando o assunto eram poções. Só não contava com a presença ilustre da irmã mais nova dando pitacos.
— Tá bem feio, viu? Tomara que não apodreça e caia. Você vai ficar muito feio sem um pedaço do corpo — Sora comenta, como se alguém ali tivesse pedido a sua opinião de pré adolescente de 13 anos.
Quando San está prestes a lhe mandar a merda, a porta da casa bate e os três se entreolham. Somi leva o indicador aos lábios, mas então Sora salta da janela e sai do quarto em disparada.
— Mãe! Você chegou cedo demais, deu nem tempo da Somi fechar o buraco de faca no peito do San!
E não era porque ela fazia isso de propósito, ela simplesmente não conseguia manter os pensamentos dela para ela mesma. Podia falar sobre tudo a qualquer momento, como ela mesma falou sobre todos os namorados da mãe durante o enterro dela, bem no meio do discurso fúnebre dela. Bastava a informação passar pela sua cabeça e então ela tomava vida e forma através de comentários descuidados.
Como quando ela finalmente conheceu seu cunhado, Hiroshi Ozu, após perder o casamento apressado da irmã enquanto estava lutando por sua vaga no time da grande liga americana de quodpot. Ela ainda teve a audácia de dizer que nada disso aconteceria se ela fosse mesmo estadunidense e não uma expatriada, mas com polêmicas ou não, ela trazia resultados satisfatórios e ela se manteve no time, mesmo com as novas políticas de imigração. Mas esse não era o ponto. O ponto é, depois de conhecer Hiroshi, saber quem era Kimi, juntar os pontos todos, ela voltou para os Estados Unidos com a certeza de que: 1) seus irmãos eram preguiçosos e escolhiam namorar quem estava perto deles; 2) seus irmãos eram preguiçosos e escolhiam namorar apenas conhecidos da família. E 3, que era algo muito, muito intrigante.
— Kazuki. Sabia que você é a cara do meu cunhado? — soltou, sem propósito nenhum, no meio do intervalo do treino deles antes da temporada começar. — É sim, mesma envergadura. Ele também se chama Ozu. O que é estranho, porque você não conhece direito seu pai e ele conhece ele demais. Achei suspeito, você já pediu teste de DNA pra ele?















