can’t do this without you
Não era a primeira vez naquela semana em que Miyeon sentia o estômago embrulhar e a visão ficar turva. Exercitando-se tarde da noite ao lado de Sunyeon, precisou parar a caminhada o quanto antes, segurando a amiga com força no braço numa tentativa de evitar ser tombada direto ao chão. Respirou fundo, uma, duas, três, quatro vezes até que a vontade de vomitar passasse e o coração se acalmasse; mas foi questão de segundos para que o enjoo voltasse com intensidade. — Sun, não estou me sentindo muito bem — comentou o óbvio, ainda apoiada na outra num estado de pânico.
Convidara a amiga para a saída noturna porque sentia que precisava espairecer. Depois da conversa que tivera com Inseong mais cedo (que acabara em conclusões nada boas), Miyeon quisera encontrar uma distração das desconfianças e pensamentos acerca de seus sintomas e conformar-se de que nada daquilo poderia ser real. Entretanto, a mente gritava de desespero, e o corpo, estranho há vários dias, reagia pelo nervosismo, já cambaleando no lugar antes mesmo que terminassem a caminhada. Ela não tinha escolha exceto fazer o quê Inseong aconselhara, sem fugir — olhou em volta à procura do único lugar capaz de ajudá-la, e num lapso de sorte encontrou o letreiro brilhante do outro lado da rua, o escrito: "FARMÁCIA" piscando. Suspirou, sabendo que, agora, não haveria mais volta. — Vamos — deu a mão para Sunyeon, puxando-a até o estabelecimento em passos apressados.
Logo que entraram na farmácia, o sino as anunciou, chamando a atenção da mulher de porte baixo e cabelo grisalho atrás do balcão de atendimento. Eram as únicas no estabelecimento, talvez as primeiras clientes em muitas horas considerando o quão tarde era (três da manhã). "Como posso ajudá-las?" ela perguntou com um sorriso tênue, fechando a revista que lia antes da chegada das meninas. Depois de uma pequena reverência, Miyeon respirou fundo, incerta de como abordar o assunto em frente à Sun. — Eu... Hum... Preciso de alguns remédios para enjoo... — disse com a voz trêmula, olhando de canto para a companheira de grupo. Miyeon usava máscara e um boné; evitando ser reconhecida. — E de um teste...
A mulher levantou as sobrancelhas, parecendo ter ganhado interesse extra no caso da dupla. "Um teste?" questionou, e ela assentiu. Então a farmacêutica saiu de trás da bancada, caminhando até uma das diversas prateleiras do lugar; provavelmente já tendo decorado onde tudo ficava naquela loja. Sem muita demora, voltou com o que procurava. “Esse tipo de teste?” entregou nas mãos dela a embalagem do teste de gravidez. — Sim — Miyeon respondeu, sentindo as pernas ficarem bambas e os olhos se encherem de lágrimas. A mulher soltou um suspiro, e num gesto de conforto, como se soubesse exatamente pelo quê a mais nova passava, pôs a mão sobre o seu ombro. "Tem um banheiro nos fundos... Boa sorte, criança".
@sunyeon-th








