Dark Lights ; Remus and Doe
Ele nem dormira naquela noite. Como sempre, é claro. Todo mês, todo maldito mês, Remus ficava naquele nervosismo irritante antes da lua cheia. Já havia sido percebido pelos seus amigos, mas eles também sabiam o motivo, então apenas ignoravam o modo do menino e tentavam acalmá-lo quanto ao que estava por vir. As pessoas menos próximas nunca percebiam e se percebiam apenas atribuíam seu estresse aos estudos demasiados do garoto. Naquele dia, já imaginando o que viria a acontecer durante a noite, Remus acordara cedo demais, numa tentativa de adiantar o momento em que teria que ir para a cabana, seguido dos outros Marotos e ficar lá até o dia seguinte, quando aquilo se repetiria. Quatro longos dias pro menino.
Durante todas as aulas, Remus não conseguiu se concentrar e enquanto o fantasma do professor Binns falava sobre algum momento monótono da História Bruxa, ele precisou pedir para sair da sala e ficar lá por alguns segundos. Péssimo dia para falar sobre invasão de lobisomens nas aldeias, professor. Depois que as aulas acabaram e ele pôde finalmente subir para o Salão Comunal, Remus ficou fazendo suas tarefas o mais rápido possível, sempre atento às janelas, temendo se atrasar. Os outros três marotos passaram por ele e o chamaram para o jantar e mesmo sem sentir fome alguma, Remus desceu as escadas juntos dos amigos, ouvindo e tentando interagir com suas conversas e brincadeiras. Não era como se ele estivesse irritado ou coisa assim, só nervoso e preocupado. E, claro, antecipando a dor que viria. Era essa a pior parte. Se fosse apenas uma transformação, como as dos animagos, Remus ficaria menos ansioso, mas a dor pelo que precisava passar e o desejo incontrolável de comer carne, principalmente humana, que lhe invadia eram horríveis. Não porque ele não conseguia controlar, porque ele realmente não conseguia e isso não iria mudar, já havia se acostumado, mas porque acabava machucando a si mesmo para se saciar. O que só piorava muito as coisas.
“Quer tirar essa cara da... Cara?”, um dos três falou quando ele sentou-se na grande mesa da Grifinória e pegou uma taça de suco de abóbora. Com um sorriso fraco no rosto, Remus levantou a cabeça e pegou um pedaço de pudim, antes de voltar o olhar para quem tivesse falado com ele. – Não vai dar. É a única que eu tenho e... Vai demorar para uma poção polissuco ficar pronta. – um soco fraco lhe atingiu o ombro e Remus se permitiu rir, enquanto começava a comer do pudim um tanto apressado. Do lado de fora já começava a escurecer e, como sempre antes da lua, eles tinham descido para o jantar mais cedo que o restante do castelo, logo o salão estava quase vazio, se não fosse por eles e algumas pessoas avulsas que estavam espalhadas pelo salão.














