[Flashforward] No offense, but I care about her, and I have to make sure she's okay. | Joshua & Alaric | August 78
Joshua sempre tivera poucas pessoas com quem se preocupar em sua vida, mas essas pessoas eram tão essenciais que suas preocupações se multiplicavam por dez. Quando descobrira que seu tio estava forçando Aysha a casar-se contra a sua vontade com um rapaz desconhecido, todos os pensamentos de Josh se voltaram para encontrar uma forma de livrar sua prima daquele pesadelo. A conhecia talvez melhor do que ninguém, sabia que seu maior desejo era poder tomar conta de sua própria vida, tomar suas próprias decisões e, acima de tudo, poder escolher com quem iria se casar e construir uma família. Era mais uma das coisas que os dois tinham em comum, apesar do fato do garoto ter a certeza de que seus pais jamais ultrapassariam o limite de forçá-lo a algo daquela maneira, daquelas proporções. Ele sabia que havia uma diferença enorme na maneira como os bruxos de sangue puro tratavam seus filhos dependendo se fossem garotos ou garotas, e que para Aysha as coisas sempre seriam mais complicadas, por isso jurara, há muito tempo atrás, que não haveria nada que não faria para proteger sua prima das coisas estúpidas que seus parentes eram capazes de fazer para manter a linhagem da família completamente pura.
Mas também não poderia negar que levara um grade susto ao saber que o plano de sua prima era fugir de casa, fugir da família, que, com toda a certeza, moveria céu e terra para encontrá-la e trazer de volta. Havia pensado naquela possibilidade, de Aysha permanecesse longe até que as coisas se acalmassem e ela pudesse voltar em segurança, mas jamais imaginara que uma ideia como aquela partiria da própria garota. Sempre pensara em sua prima como uma garota frágil que precisava de sua proteção, mas enfim descobrira que ela já era grande o suficiente para tomar suas próprias decisões, que ela precisava tomar conta de sua própria vida e, se fosse necessário fugir para que isso acontecesse, ela o faria sem sombra de dúvidas. Foi então que caíra a ficha para Josh que o tempo em que ele era o porto seguro de sua pequena prima, sua única proteção contra aquele mundo grotesco, já passara e que agora ela merecia viver por sua conta, que merecia ser tão feliz quanto sempre sonhava. E ele iria se certificar de aquilo acontecesse, de que ela ficaria bem e que tudo daria certo, assim como haviam planejado.
Não fora algo simples, afinal fugir da supervisão exagerada da família Shacklebolt não era algo para qualquer um. Precisou de todo o empenho possível dos primos assim que desembarcaram na estação em Londres após o final do ano letivo. Seu pai era conhecido por descobrir coisas que ninguém sequer imaginava, portanto Joshua manteve-se longe do homem, mas sem levantar qualquer suspeitas e mantendo conversas agradáveis com sua mãe que estava muito interessada em Catarina e em quando, finalmente, iria conhecer a namorada de seu filho mais novo. Era uma boa estratégia, então se focou em nem mencionar o nome da prima em nenhum momento desde que chegarem em casa. Sua função seria despistar, confundir e impedir que o plano de Aysha fosse descoberto por qualquer pessoa. Somente ele, a prima e Alaric Sumner sabiam exatamente o que estava acontecendo e o quanto estavam se arriscando. Mas, se fosse para ver um sorriso no rosto de Aysha e saber que estava tudo absolutamente bem com ela, Joshua faria qualquer coisa possível ao seu alcance e nada o impediria.
A confusão se instalara entre os Shacklebolt depois do sumiço de Aysha, como era o esperado. Todos pareciam desesperados, em um beco sem saída, e Josh precisou até mesmo interpretar para que nenhuma suspeita recaísse sobre ele. É claro que vieram lhe perguntar se sabia de algo, afinal, desde que o tio voltara para Londres com a pequena garota quieta a tiracolo, os primos jamais haviam se separado por longos períodos de tempo. Sabiam tudo um sobre o outro, sofriam quando o outro estava sofrendo e se divertiam sempre juntos. Quase como se um não existisse sem o outro. Mas ele encenou, suspirou em exasperação, balançou sua cabeça em negação e até mesmo fingiu desespero, fingiu que os ajudava, “contatando” amigos e dando pistas falsas a seu tio, que tinha a verdade esperança de que iria encontrar a sua filha e então obrigá-la a se casar com um homem desconhecido de uma família que provavelmente tinha negócios com os Shacklebolt. Era uma ideia inadmissível, na mente de Josh, até porque ele, nos últimos tempos, vinha sonhando muito em construir uma família com Catarina, em ser feliz com a garota que ele amava até o fim de suas vidas, e desejava a mesma felicidade para a prima, como sempre desejara.
Quando decidira fazer uma visita a garota pela primeira vez desde que ela fugira, fora na intenção de saber se ela não precisava de nada, de saber o que pretendia fazer agora que a primeira parte do seu plano dera certo, afinal. Aparatara até a casa do Sr. Sumner depois de despistar seu pai dizendo que visitaria o irmão no Ministério da Magia para descobrir se iria se interessar por alguma das profissões que eles tinham para lhe oferecer. Bateu na porta de madeira com a mão fechada, o barulho soando meio oco em seus ouvidos enquanto esperava por uma resposta. Fora uma surpresa, entretanto, quando, quem abrira a porta, na verdade, não fora sua prima com um abraço de saudade, e sim o próprio professor Sumner. Naquele momento, Josh não soube o que fazer, as sobrancelhas erguidas em certa confusão, pigarreando então para recuperar a sua voz e finalmente fitar o bruxo a sua frente como se fosse a primeira vez que o visse em sua vida. — Hm, ei, Sr. Sumner. — Forçou um sorriso agradável, estendendo sua mão a frente para cumprimentar o homem da forma como a boa educação mandava. — Eu vim ver a Aysha... Ela está aí?