so we could fight or we could wait or i could go. vasklebolt (flashforward, june 1978)
Catarina, como sempre, acabou por falar mais do que o necessário. Mas não era culpa dela, ao menos não somente dela. Gostava de Josh, gostava mesmo, mas toda a pressão que ele fazia sobre ela ter que conhecer os pais dele e todos os planos que ele insistia em dizer que precisavam fazer para o futuro a deixava totalmente desconfortável naquele relacionamento. Queria estar com ele, queria pensar num futuro com ele, apenas não entendia qual era a urgência do rapaz em querer tudo naquele momento. Qual era o problema em esperar algum tempo? Dois ou três anos, no máximo. Ela não via como a carreira de jogadora profissional que pretendia seguir poderia interferir em seu relacionamento com Josh. Inúmeros jogadores conseguiam conciliar o time e a família, ela conseguiria também. — Sempre apoiou, eu sei. Mas agora parece que é um empecilho para você. – Disse em tom mal humorado para o namorado.
— Eu também não sei o quanto pode demorar, Joshua. Como eu poderia saber? – Fechou seus olhos, tentando controlar sua irritação e acabar por falar o que não deveria mais uma vez. —Você quer que eu faça o quê, Josh? Quer que eu sente aqui para que a gente decida a melhor data para nosso casamento? Onde vai ser a lua de mel? Quantos filhos vamos ter? – De braços cruzados observava o rapaz parado a sua frente. — Eu só não entendo por que isso é tão urgente para você. Que diferença vai fazer conversar sobre isso agora ou daqui uns meses? – Para Catarina a insistência do namorado no assunto era totalmente irritante. — O que quero dizer é que se for para continuar assim, não dá mais para mim. - Acabou soltando sem pensar direito no que as palavras poderiam significar.
Joshua realmente não esperava que a conversa chegasse naquele ponto. Começara apenas questionando a namorada pelo motivo de ela achar tão estranho e se recusar tanto a conhecer seus pais, ou ele conhecer sua mãe, e nunca pensara que situação iria mudar tão drasticamente e se transformar em uma discussão em que era bem provável que nenhum dos dois estava falando o que deveria falar. Josh não deveria dizer que estava tudo bem, e que nada daquilo importava, que eles poderiam resolver mais tarde, que deveriam se preocupar apenas com os dois? Sim, ele deveria. Deveria ter abraçado Catarina e dito que ela tinha razão, que não precisavam resolver aquele problema agora, mas ele não o fez. Sua única reação foi ficar ali parado, fitando sua namorada como se não pudesse entender as palavras que saíam de sua boca. “Não é um empecilho, e vai continuar não sendo se não colocar o que você quer na frente do que eu quero.”
Ele podia sentir a conversa tomando um rumo no qual iria se arrepender depois, mas sabia muito bem que quando os dois iniciavam uma discussão, dificilmente conseguiam parar. Sempre fora daquela forma, antes mesmo de começarem a namorar, por que mudaria agora? E o fato de Catarina estar desprezando tudo aquilo que ele planejara o incomodava mais do que gostaria de admitir. “Você está fazendo uma tempestade em copo d’água Catarina, não é nada disso. Mas custa pensarmos um pouco no nosso futuro e não apenas no seu, na sua carreira profissional?” Exaltou-se. Não entendia porque aquilo era tão difícil para ela, porque falar sobre os dois sempre era um assunto cercado de problemas. “Acho que é isso que casais fazem, não concorda? Eles pensam juntos, fazem as coisas juntos e não cada um por si. Custa muito para você fazer isso comigo?” A última sentença da namorada, porém, fora como um tapa em Josh. Mas seu orgulho era bem maior do que o fato de estar magoado, então a única coisa que fez foi enfiar as mãos dentro dos bolsos da calça e erguer as sobrancelhas enquanto fitava Catarina, embora por dentro quisesse fazer bem outra coisa. “Se você acha isso, então não há muito mais o que eu possa fazer, certo? Sei por experiência própria o quanto é difícil fazê-la mudar de ideia quando decide algo.”













