Who the fuck are you? | Roxy&Elena (Self)
Elena estava atordoada com o que ouviu da maioria das pessoas que conhecera na mansão um dia atrás. Quase todas perguntaram se Elena tinha uma irmã gêmea, ou, no caso de Stefan, se já sabia que havia uma nova doppelganger no pedaço. Se perguntava se a outra garota havia sido informada sobre a Gilbert, também. De qualquer maneira, precisava conhecê-la e protegê-la de alguns inimigos que poderiam confundi-la com a vampira. Não gostaria nem de pensar no que poderiam fazer com a doppelganger inocente. Como era possível de ainda existir mais uma doppelganger no mundo? Não tinha acabado tudo aquilo há muito tempo? Quanto mais se perguntava sobre tudo aquilo, mais perguntas novas iam chegando, para deixá-la ainda mais confusa. Saiu do quarto a passos largos, torcendo para que algumas pessoas aparecessem pelos corredores para Elena lhes perguntar se não haviam visto sua irmã gêmea. Claro, não poderia falar a verdade para qualquer um. Sabia que naquela mansão abrigava várias espécies sobrenaturais, mas também abrigava humanos, por isso teria que ser discreta. E era o que a Gilbert sabia fazer de melhor: manter a discrição.
Roxanne estava quase tendo um ataque de raiva. Quem era aquela tal de Elena e como ousara a usar seu próprio rosto para a poção polissuco?! Já não bastava o encontro com o ‘Ted polissucado Winchester’, ainda tinha que ter uma outra Roxy polissucada, também?! Tirou mais um sanduíche da geladeira da cozinha e deu uma mordida enorme, mastigando aquilo tudo com uma raiva imensa, como se o pedaço de sanduíche fosse aquela tal de Elena que a bruxinha iria dar uma lição loguinho. Mal havia chegado em Santa Mônica e as pessoas já estavam tentando brincar com a rainha?! Era Roxanne que pregava peças nas pessoas, e não o contrário. Com a mente cheia de ideias para acabar com sua versão polissucada, a bruxa marchou para fora da cozinha. Era hoje que iria encontrá-la! Como já havia entregado de bandeja sua identidade para várias pessoas, decidiu não conversar e nem pedir informações para nenhuma das pessoas que passaram por ela, iria perder a paciência e falar da poção polissuco, estragando tudo. Iria tentar ser mais discreta. Nunca conseguiu ser muito discreta, apenas quando planejava fazer mais marotagens. Era disso o que ela precisava: Fingir estar numa missão para marotagens. Quem sabe, assim, não faria tudo planejado. Poderia ir até cada quarto de toda pessoa que conhecera e apagar suas memórias, assim esqueceriam que ela era uma bruxa. Mas iria deixar isso para depois, precisava cuidar da polissucada agora. Não sabia por onde começar primeiro. “Se eu fosse uma polissucada, para onde eu iria?” Roxy se perguntou enquanto atravessava o saguão de entrada. É claro: Deveria estar se escondendo no quarto, com medo de que a Weasleyzinha a visse. Como não sabia qual quarto seria o dela, decidiu começar pelos quartos do primeiro andar e iria procurar até o último. Ela tinha que estar em algum lugar.
‘Eu a vi pelos corredores.’ ‘Estava na piscina até agora.’ ‘Tenho certeza de que a ouvi falar para alguém que iria até a cozinha.’ Tantas respostas diferentes que a vampira nem sabia por onde começar. Procurou-a na área da piscina. Nada. Tentou na cozinha. Nenhum sinal dela. Procurou-a por todos os lugares que as pessoas lhe disseram que estaria, porém não a viu em lugar algum. Talvez teria se mandado. Talvez teria dado uma volta. Cansada e frustrada, Elena fez seu caminho de volta para o quarto. Iria tentar mais tarde, com o Stefan ou com a Caroline. Agora só queria voltar para o quarto e descansar.
Quarto número 12. Roxy nem precisou se preocupar em usar a varinha, a porta se abriu assim que girou a maçaneta. Esperava que aquele quarto fosse da Elena, já que nos outros onze quartos não teve sucesso. Não havia ninguém ali dentro, para meio desespero de Roxy. Uma parte dela ainda esperava que houvesse alguma coisa que denunciasse que aquele quarto pertencia à sua versão polissucada. Pelo menos era um quarto de mulher, pelo que pode perceber com algumas roupas femininas dobradas em cima da cama. Resolveu investigar mais. Foi até o closet e abriu a porta. Justamente quando ia xeretar em uma das necessaires, a porta do quarto se abriu, fazendo Roxy dar um pulo e fechar a porta do closet, seus olhos se esbugalharam ao ver a pessoa que havia acabado de entrar no quarto.
Ao abrir a porta do quarto, Elena teve uma surpresa e tanto. Lá estava a doppelganger que estava procurando. Parecia estar prestes a mexer no closet de Elena, e ela não sabia o por quê de estar fazendo aquilo. A doppelganger gelou ao ver a vampira e as duas ficaram se encarando por um breve momento, chocadas demais para dizerem alguma coisa. Embora Elena já tivesse se acostumado com tantas versões de si mesma, ainda assim não conseguia deixar de ficar um pouco surpresa com o que via. Incrivelmente, a doppelganger tinha o mesmo estilo de cabelo da Gilbert, levemente ondulado. Porém, a garota à sua frente tinha traços um pouco mais joviais do que a vampira. Mas com certeza poderiam se passar por irmãs gêmeas se quisessem, sem sombra de dúvidas. Como a garota parecia estar petrificada, Gilbert decidiu dar o primeiro passo e abriu um sorriso sem jeito, estendendo a mão. — Oi. Sou Elena Gilbert.
Roxanne ficou encarando a garota por um bom tempo, sem saber o que dizer. Por um momento esqueceu até da poção polissuco e sentiu vergonha por ser pega no flagra. Como iria explicar a invasão? Se pegou imaginando sendo irmã gêmea da garota parada na sua frente. Elas eram idênticas! O mesmo estilo de cabelo, os mesmos traços... Tudo! Se não fosse pela roupa, Roxy podia jurar que estava olhando para um espelho. E então se lembrou. A garota era uma polissucada. Quando a falsa Roxanne fez sua apresentação, a Weasleyzinha sacou a varinha das vestes e apontou para o rosto da menina, sua expressão ameaçadora. — Revele sua verdadeira face, polissucada! Não tenho ideia de como fez isso, mas é melhor me dizer quem é você, antes que eu te dê uma lição!
Elena não esperava por aquela reação. Polissucada? O que a menina queria dizer com aquilo? E por que ela havia apontado uma varinha na sua direção? Pela expressão facial, Elena percebeu que a garota estava irada. — Olhe... Eu sei que isso parece meio confuso, mas... Essa é minha face. E essa é a sua face, também. Nós compartilhamos o mesmo rosto. — Elena disse calmamente, como se a doppelganger fosse entendê-la. Esperava para que ela abaixasse a guarda, porém não foi o que aconteceu.
— Mentira! — Roxy chegou mais perto, a varinha à centímetros de distância de Elena. — Você tomou uma poção polissuco e se transformou em mim! Quem é você?! Como veio parar aqui?! É melhor ir explicando direito!
— O que é poção polissuco?! Eu já disse, sou Elena Gilbert e nós duas somos doppelgangers! Não me transformei em ninguém, não tenho poderes mágicos... — E então, a vampira compreendeu. — Você é uma... Bruxa?
— Não se faça de cínica! Você sabe que é usado para se transformar em alguém por uma hora! Doppeloque?! Que diabos é isso? É claro que sou uma bruxa, e você também é, é melhor começar a falar. — Roxanne continuou a encará-la com um olhar cheio de raiva. Não iria deixar ser enganada por Elena. Iria fazer a garota revelar sua verdadeira identidade, nem que aquilo fosse a última coisa que fizesse.
— Bem, se é por apenas uma hora, então podemos ficar aqui por uma hora, assim poderei te provar que eu não sou uma... Ahm... Polissucada. — Elena ofereceu seu melhor sorriso doce. Deveria demonstrar que não estava ali para brigar, quem sabe, então, a doppelganger não abaixaria a guarda. — Uau. É a primeira doppelganger que eu conheço que é uma bruxa. Existem várias doppelgangers... Quer dizer... Existiam; pelo mundo. Não somos uma face original, a pessoa que é a dona original desse rosto se chama Amara, e ela viveu há dois mil anos atrás e...
— Tem mais alguma pessoa se passando por mim?! Como vocês ousam?! — Roxy explodiu, nem ligou direito para o que Elena tinha dito anteriormente. — Rictumsempra!
O feitiço não atingiu Elena por pouco. A bruxinha era rápida, mas a vampira era mais rápida. Com sua supervelocidade, Elena se desviou e foi parar no outro canto do quarto. Aquilo fez a bruxinha ficar boquiaberta. Como ela podia se deslocar tão rapidamente assim?!
— O que... O que é você?! — Roxy balbuciou, o medo estampado em seu rosto. Porém, a varinha continuava apontada na direção da vampira, como se ela fosse revelar mais um superpoder ou algo do tipo. E era melhor Roxy ficar alerta.
— Não precisa apontar a varinha para mim. Eu não vou te machucar. — Elena parecia tão pasma quanto Roxanne. Gostaria de saber que tipo de bruxa a doppelganger era. Mas iria deixar aquilo para depois. Iria explicar tudo para a bruxinha. — Por favor, me escute, não faça nada com essa sua varinha, eu não estou aqui para te machucar. — Levantou as mãos para o alto, como se resolvesse se render, provando que não estava ali para fazer mal à bruxa. — Eu sou uma vampira. Mas eu não me alimento de pessoas, pelo menos não direto na veia, então não precisa ficar com medo, não vou me alimentar de você. Como eu disse, somos doppelgangers. Não há ninguém imitando você. Somos nós que estamos “imitando” alguém. Somos frutos de um relacionamento que não deu certo. Como Amara não podia ficar junto com seu amor, a natureza resolveu fazer cópias dela e do amado, para, enfim, poderem ficar juntos. Devo admitir que estou chocada ao ver que você existe pois, veja bem, todas as outras doppelgangers morreram. Não sei como isso aconteceu, mas eu posso te provar que eu sou eu, tenho fotos aqui com meus amigos, tenho vídeos no meu celular e, como disse mais cedo, posso ficar te olhando por uma hora sem fazer nada, assim você verá que nós somos mesmo idênticas.
Aquilo tudo fora um choque para a Weasley. Como assim, ela era uma doppelganger?! Quer dizer que era uma cópia?! Não iria admitir ser cópia de alguém. Ora, as pessoas que copiavam Roxy, e não ela! E como assim (novamente), Elena era uma vampira?! Vampiros não serviam para ficar no sótão na casa das pessoas? Não eram apenas criaturas patéticas e fracas? Mas algo no jeito da Gilbert fez Roxanne querer acreditar nela. Talvez por estar tão pacífica. Talvez por ter uma supervelocidade. Talvez por não ter gaguejado nenhum minuto e não ter dado nenhum indício de que estava mentindo, muito pelo contrário, até se oferecera para provar que ela não estava a imitando. Talvez Roxanne fosse mesmo uma doppelganger. Ela ficou por um breve momento em silêncio, apenas engolindo toda a informação que acabara de receber. — Prove. — Sua voz saiu fraca, porém manteve uma expressão firme.
Meia hora depois, Roxy e Elena se encontravam espalhadas na enorme cama do quarto. Roxy segurava uma foto da vampira, admirada. Era uma foto de formatura. A bruxinha se apaixonou pelas mechas do cabelo da vampira. Elena havia lhe contado sobre tudo o que precisava saber. Lhe explicou sobre os vampiros e Roxanne lhe contou sobre os vampiros do seu mundo. Elena lhe contou sobre seus amigos, Roxanne sobre os dela. A Gilbert quase não conseguiu acreditar quando a bruxa lhe contou da onde viera.
— Então quer dizer que até em Hogwarts há doppelgangers? — Elena riu levemente, maravilhada.
— Pelo visto, acho que sim. Mas não quero que as pessoas saibam que eu sou uma cópia, Elena. Para todos aqueles que não sabem da história da Amara, eu sou a original, ok? Eu e você, caso queira se passar por minha irmã gêmea. — A Weasley disse num tom autoritário, porém não deixou de abrir um pequeno sorriso.
— Ok, acho que podemos fazer isso. Podemos fingir que somos irmãs para quem não nos conhecem. Ou podemos hipnotizá-los para esquecerem que você havia dado um chilique quando perguntaram quem era Elena. — Gilbert continuou rindo, assentindo.
— Legal! Acho que deveríamos fingir que somos irmãs para os trouxas, você não acha? — Roxy sugeriu animadamente. — E para alguns vampiros ou bruxos, claro. Seus amigos saberão que isso é só fingimento, assim como os meus. Mas para o resto, somos irmãs até que nos provem o contrário.
— Isso! — A vampira concordou. — Deveríamos fazer uma lista de quem conhecemos, para saber quem devemos hipnotizar ou não.
— Podemos hipnotizar todo mundo! — A bruxinha bateu palmas, adorando aquilo. — Você pode fazê-los me chamar de rainha, também? Ser meus escravos?! Só não quero que hipnotize o trouxa sabido que conheci ontem, ele parece legal e gostou de mim. Além disso, ele disse que iria me ajudar a achar aquela tal de J. K. Rowling.
— Quem? — Elena franziu a testa. — E não, não podemos fazer isso. Não é justo com as pessoas, Rox. Apenas vamos hipnotizá-las para fazer o bem e evitar confusão, e não para tirar vantagem deles.
— Ele se chama Sam Winchester... Agora que reparei, ele deve ter algo com o Dean caço coisas! E ele também sabe que sou uma bruxa. — A Weasley ficou boquiaberta, sem saber o que fazer. — Pelo visto, os dois caçam coisas! Eles sabem que você é vampira?!
— Ai meu Deus, o Sam?! — Gilbert se exasperou. — Precisamos pensar num bom plano. Como você disse, eles caçam coisas. Seres como nós. E não, eles não sabem sobre mim. Se descobrirem, vão me matar. Com você é diferente, você veio de um universo alternativo e não faz mal à ninguém. Eu, por outro lado... Eles não vão hesitar antes de quererem me matar.
— Uh-oh... Fiz merda. — A bruxinha riu nervosa, coçando a cabeça e sentindo as bochechas corarem. — Estamos ferradas, Lena. Mas relaxe, minha boca é um túmulo. Tentarei ser mais discreta. Não direi nada para os Winchester, eu prometo. Para eles, você será apenas uma mera trouxa. Eu serei apenas um... Personagem de livro, como vocês dizem. Vamos pensar em alguma desculpa muito boa para os dois. Afinal, eu sou a rainha das desculpas! E ei, você é realmente boa. Me contou alguns fatos da sua história e sei que você não faria mal à nenhum ser humano. Vamos sair dessa juntas, ok, irmãzinha? — Completou num tom brincalhão e abraçou a vampira.
Elena riu e a abraçou de volta. Pelo visto, teriam que tomar muito cuidado. Ficaria de olho em Roxanne, teria que cuidar dela. Sabia que alguém poderia pensar que ela era a própria Gilbert, e tentaria matá-la. Ou, no pior dos casos, se aproveitariam pelo fato da Weasley ser mais uma doppelganger.
Roxanne, por outro lado, pensava em quão maravilhoso seria fingir ter uma irmã gêmea. A mansão era gigante, era óbvio que marotagens não iriam faltar ali. Poderia até botar culpa na própria Elena! E já que agora seriam próximas, a Weasley com certeza iria perguntar-lhe sobre as mechas que a Gilbert havia feito há alguns anos atrás. E iria fazer aquelas mechas. Agora só esperava que Ted não pensasse que Elena era uma versão polissucada. Por isso, iria falar com ele assim que saísse do quarto.