Não deveria mais escrever sobre meus traumas
Revirar as feridas, sentir o cheiro do sangue, ouvir o barulho oco do crânio chacoalhando
Deveria ser capaz de escrever poesias sobre amor ou sobre como é bom continuar e todas essas lorotas que contamos pra continuar seguindo e vivendo
Eu não devia tomar aquela xícara de café amargo e frio e nem negligenciar idas ao médico todos os anos
Mas tenho mais medo da vida do que de salas de consultórios, então levo tudo meio a desdém, é difícil temer o que não se crê
Então se eu fingir rir, as feridas sangrentas parecem não doer. Parecem não existir. Se eu sorrir o suficiente talvez ninguém veja por dentro o desalento. Ninguém veja o oco. Ninguém descubra que eu estou vazia.















