Adorar o corpo, cultuar a alma.
Tornar sagrado o que for meu.
Para que não haja dúvida,
e, se ainda houver, atar com afeto
cantado, entoado,
o que permanece imaculado.

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Adorar o corpo, cultuar a alma.
Tornar sagrado o que for meu.
Para que não haja dúvida,
e, se ainda houver, atar com afeto
cantado, entoado,
o que permanece imaculado.
Me disseram que meu amor é quase devoção
E como em uma religião sinto a penitência de amar
Não amo pouco ou raso, onde meu amor está também se encontra meu desejo, constante, sem distrações ou curvas
Entrego tudo, adoro com fervor o que aparenta ser meu.
Dádiva e castigo, quando não se prova ser, esmaece, declina e enverga, seca
Se quebra
Como um cacto resiste muito, sobrevive ao impensável mas se não tiver nada; morre.
Forte, intenso e completo, não quer dizer imortal. Entendo a confusão; mas quem o sente, talvez não.
Eu que sempre amei dias cinzas
Vi a felicidade renascer no cinza dos teus olhos
Agora chove toda vez que te vejo
Mesmo que o sol brilhe com toda força que tem
Você não é meu raio de sol
É meu dia nublado,com cheiro de café e afago
Te amo como quem encontra o pedaço perdido de si no outro
Escorre em mim afeto
Resfriando as dores que queimavam
Te amo como quem volta pra casa depois de se sentir perdido.
Em você eu me encontro todo dia um pouco mais
-💧 Petra 💧
Nós fomos um belo conjunto
Porcelana fina, bonita em exposição
Combinava o padrão,
especial em qualquer ocasião.
Mas ser porcelana te cansou.
Quis se tornar mais forte
agora é martelo, puro ferro.
Por isso me parte toda vez que me toca,
sem conserto, sem cola.
Agora quer ser porcelana de novo,
mas ferro não se fragiliza
e cacos não servem chás em conjuntos bonitos.
Eu te dei tudo
Agora é sua vez de ser livre
Porque eu estou aqui para garantir que suas asas não sejam cortadas e nem o seu coração domado
Cresça selvagem minha filha
Seja selvagem
Não se apequene nem por mim nem por ninguém
Me sinto estranha sobre nós. Te amar é diferente. Desde que amou outra pessoa. Enquanto meu amor ainda era ardente. Me sinto meio doente. Não sei explicar o receio. O nó na garganta que se estica e se encolhe. Me emaranhando por inteiro. Tudo sobre nós foi maculado. Um tanto quebrado. Você também sente? Às vezes nem sei mais se nós encaixamos. Me sinto uma peça solta. Como o quebra-cabeça que não montamos. Tenho visto as fotos dela de novo. Pensado no porque e como. Pensando onde deixamos de ser nós. Para que você fosse só você. E onde eu me perdi nisso tudo. Quem eu sou nesse novelo cheio de nós. Com a chegada da nossa filha, me sinto ainda mais amarrada. Errada. Como se tivesse tentando manipular a mim mesma. Me convencendo de que o amor que eu via ainda existe em algum lugar bem escondido dentro de você. Será que você pode ver? Toda vez que diz que me ama, o som é outro. E eu tento me convencer de que ela não está aí em algum lugar. Onde não posso encontrar. Como acreditar? Como voltar a enxergar? Como sentir no seu falar? Eu não quero mais me esfarelar enquanto tento nos consertar. Não olho seu celular. Não presto atenção na tela do computador. Tento não sentir nada. Se o sentir diminuir, todo o resto vai por si? É o melhor pra mim?
Esse extinto me trai e me atrai
Eu não quero mais salvar ninguém
Eu não quero mais descobrir nada
Você sempre será a melhor coisa na minha vida
Mas dói enterrar a mulher que não tive a chance de ser
Antes mesmo de você nascer
É difícil aceitar que a foi a dor e não o amor que te concebeu
Nada que te torne menos um sonho meu
Fardos adultos para carregar
E um amor que não pode ou vai mudar
Chorei alto
Descompassado
Ouvindo como lamento meu próprio choro
Senti solidão por cada célula
Mas busquei sozinha a dor e a resolução.
Talvez a colheita seja minha
Por tudo que escolhi plantar
É em dias como hoje que eu percebo que a raiva ainda corre nas minhas veias, viscosa e gelada. Os devaneios dolorosos, imagens que eu não tenho, mas que minha mente insiste em criar, com as informações que tem disponível. Sou vítima e algoz da minha mente inquieta.
'Deposite aqui o que não diz para o espelho' é o que dirá minha lápide, é o que escutaram enquanto eu nada falava. Guardaram seus mistérios e sentimentos, me fizeram de cofre, não me perguntaram se eu queria, se podia. Eu sempre posso.
Meu ódio se faz mais aflorado quando ela se sente no direito de vistoriar procurando o estrago, quer ver desespero sentir superioridade e vomitar mentiras como se fossem verdades, o mal que causou não é o bastante, precisa de mais, quer ser maior, vista, notada, mesmo quando não faz parte do cenário, mesmo quando ainda colo os cacos do que ajudou a quebrar, ainda quer me ver sangrar. Se vingar.
Todas as cartas que te escrevi, assinei como, "Para sempre sua, K", em cada assinatura uma sentença sobre meus sentimentos. Não havia como me descrever de outra forma, não havia outras palavras a serem usadas. E não menti, sinto que de alguma forma por toda vida serei sua, mesmo que já não mereça mais nenhuma parte de mim.
Acolhi pessoas quebradas
Vi valor no que não parecia muito a maioria
Entreguei mais de mim do que existia
Me esvaziei para que coubesse as necessidades de todos
Esqueci das minhas
Segredos como grãos de areia
Formam o deserto da minha vida
Queria me fingir de cega
'tem algo no meu olho'
Dizer que não os vejo
Que não posso ver
Fingir que não sei seus efeitos
Mas eles me enterram em vida
Como em areia movediça,
Se me mexo, afundo
Nunca vi um fim para os montes de areia
E para os sentimentos que produz em mim
A sensação de me apaixonar foi como me sentir afogada, submersa, quente e aconchegada. O corpo formigava, os olhos só viam a pessoa amada. E longos foram os anos que meu amor permaneceu afogado em um sentimento que acreditava ser eterno.Me desapaixonar foi o inverso, como boiar em meio ao imenso nada. Nada atraca o corpo. Nada comove a alma. Nada causa furor ou excitação. No início era dor, advinda do amor residual e depois era só e apenas nada. Acredito que se não fosse por ele mesmo, meu amor jamais mudaria, mas ele escolheu ativamente agir para trazer o fim ao sentimento que construímos juntos. Hoje vejo, não poderia ser diferente. Devota a você, os erros seriam perdoados, as incompatibilidades suavizadas, o amor se encarregaria disso. Por isso fez a vez do assassino, para matar em mim tudo que tinha de você.