desde o início do baile, sentia um arrepio em sua nuca. quando ajoelhara na sala do templo, quando escrevera seu desejo na árvore. algo parecia deslocado, insistia. mas seu cérebro ocupara em procurar justificativas plausíveis: odiava casamentos, odiava eventos sociais, odiava… interações sociais que não haveria escolhido em outra situação. preferia repetir para si, como na conversa com kenai, que apenas brincava… que não estava preocupada. mas a ansiedade era refletida no olhar que vigiava as saídas, na expressão séria, no esfregar de ponta de dedos. havia apenas um momento em particular na festividade que se desprender ado sentimento, agarrando-se a outros que foram imediatamente dissolvidos com o início da cerimônia.
não se chocara quando ouvira o gritos. foram poucos segundos até entrar em ação, mas a distância que a separava da figura sombria a tornaram impotente no dia. quando avistara a grande quantidade sangue, seu instinto seguinte correra para proteger os seus, e a noite passara como um flash. restavam apenas fragmentos em vermelho, gritos, e tentativas de contenção do caos que se instalara. aether odiava saber que estava certa. era uma situação propícia demais, simbólica o suficiente.
seu pensamento passara sobre taeron. mas proibira-se de procurá-lo, de ocupar sua mente com alguém que não estivesse diretamente responsável por, enquanto trabalhava para coordenar a situação. não, empurrara a ideia em algum canto e preocupara-se de enfiar todo changeling que encontrasse de volta para hexwood, o mais rápido possível. e com o passar das curtas horas, em trânsito entre enfermaria e seu próprio escritório improvisado, finalmente encontrara aqueles breves minutos em que estava tudo parcialmente resolvido. já não havia opção senão deixar seu pensamento recair sobre ele.
se esforçara para engolir o desejo de ir lá junto com uma merecida dose de whisky. precisava processar o que acontecera, desenhar teorias, mas via o pensamento retornando insistentemente para longe do seu controle. em segundos, estava em sua porta. saber se ele está bem e ir embora. repetia o plano em sua mente, como uma estratégia difícil o suficiente para ter de ser ensaiada. ainda demorara-se em sua porta, vagando em pequenos círculos enquanto tomava a decisão. deveria bater? não deveria. fim de papo, decisão tomada, não? então deu as costas para a porta de madeira, pouco antes de ouví-la ranger. @tceron
















