@tcnats + tempestade.
Ceyda sempre havia tido uma conexão com o clima, especialmente quando o tempo estava tempestuoso. Mesmo antes de seu acidente, a mulher adorava apreciar os fenômenos da natureza, observar os raios e vibrar com os trovões. Achava que cinza era uma cor bonita e o céu ficava belo e misterioso quando pintado de tal cor. Após a quase perda de um sentido e o despertar de outros, passou a gostar ainda mais porque tudo se tornava exacerbadamente especial. Os raios possuíam a cor azul e som agudo, enquanto os trovões eram graves e amargos... E a chuva! Cada vez que chovia, era uma sensação diferente de acordo com onde estava e até mesmo como estava seu humor. Por isso, ao deixar a empresa do pai naquele dia percebendo que o clima não estava dos melhores, Ceyda dispensou o motorista e pediu que levasse Lola para casa. Ela queria caminhar devagar pela rua, ouvindo, vendo e saboreando cada relampejar e trovão, assim como as pequenas gotículas que começavam a colorir o céu cinzento. A roupa social em nada combinava com a estética da mulher que andava com os sapatos de salto nas mãos e aguardava ansiosa pela chuva. O crepúsculo da tarde parecia adicionar mais uma medida exata de felicidade para Ceyda. Eram raros os momentos em que se permitia sorrir e ser uma pessoa um pouco mais normal, não a herdeira carrancuda da empresa. Sentiu a água na pele, o gosto doce já conhecido aliado a um cheiro agridoce que a fez sorrir um pouco mais, naquele momento sentindo-se agradecida por um sentido que as outras pessoas pareciam não ter desenvolvido. Como mais poderia apreciar tão intensamente um evento tão incrível da natureza? Ao invés de tremer com os trovões, Ceyda vibrou, sentindo os cabelos começarem a colar na testa. Gostava tanto que sequer se importava com o frio. Percebeu uma figura próxima com um guarda chuvas escuros (ora, não era totalmente cega, ainda conseguia distinguir algumas e cores), mas a chuva a impedia de reconhecer quem era. “Sem julgamentos aqui, por favor.”, pediu quando percebeu a aproximação. “Eu só gosto muito da chuva. E dos raios. E trovões. A natureza é fascinante, não acha?” Ceyda fechou os olhos por um instante, suspirando. Tudo a sua volta pareceu intensificar-se. “Depois que a visão quase se vai por completo, things like this just hit different.” deu de ombros suavemente ao abrir os olhos de novo. Era claro que não necessitava de uma explicação, mas era bom falar caso fosse um dos conhecidos de seu pai.















