Havia muitas coisas que Zixiao não se recordava sobre o próprio passado, isso tudo explicado pelas terapeutas que a mãe o levava enquanto crescia, mas uma coisa que parecia não desgrudar de sua mente eram as inúmeras agressões que presenciava. Crescer com um padrasto violento que agredia a própria mãe e ser tão novo e impossibilitado de fazer alguma coisa para ajudar deixou marcas profundas.
Quando mal havia passado dos quatorze anos de idade não conseguiu mais aguentar a situação que sempre se repetia e foi pra cima do padrasto com uma cadeira. Não se lembrava muito do que havia ocorrido depois, parecia apenas que a raiva foi tão grande que perdeu completamente qualquer discernimento. Infelizmente esses ataques de raiva se tornaram frequentes em sua vida. A mãe separou-se do padrasto e mudaram-se para a mainland.
Sete anos depois, voltaram para Hong Kong depois da notícia da morte do padrasto, a mãe sentia falta da vida que tinha em Hong Kong então resolveram voltar para a ilha. Zixiao arrumou uma transferência para Yushen onde continuaria a cursar jornalismo.
Zhong Zixiao deixava a impressão de ser exageradamente sério e frio, mas bastava algumas poucas palavras trocadas para notarem que mesmo sendo mais reservado, ele gostava muito de conversar sobre qualquer assunto e adorava brincar e se divertir. Claro, isso quando estava em um dia bom e com a bateria social carregada. Não era estranho o verem saindo sozinho, gostava da paz de ter somente a própria companhia, mas se esforçava em criar laços mesmo se fosse com poucas pessoas.
Nascido em Bangkok, o jovem Suriya fora fruto da união da bela Huang Wenqi, que na época era uma estudante de intercâmbio no curso de administração, com Saphong Adulkittiporn, veterano de Engenharia. O homem já estava com o seu futuro acertado, praticamente empregado ao se formar e o que soava como uma surpresa também se transformou em benção. Wenqi, por outro lado, teve de pausar os estudos para que pudesse tomar conta do filho, o que também não fora de todo mal já que a mulher desejava ser mãe desde que se lembrava. O seu futuro estava traçado, ainda que incerto.
A infância do garoto fora feliz e cheia de diversão já que dois anos após seu nascimento os pais resolveram adotar um filho, este que apesar de ser mais velho que Suriya, cresceria junto, lhe faria companhia e seria um amigo no futuro. Uma criança animada e cheia de imaginação, que gostava de correr na areia da praia quando estava quente demais para pensar. Este era o mais novo, um sonhador que se perdia em suas próprias histórias imaginárias. Comum não era uma palavra que definia o pequeno Suriya.
Com o amadurecimento de ambos, o irmão mais velho decidira se aventurar e assim como a mãe tentar uma educação internacional. O maior cursou a high school na China e tudo parecia quase normal, afinal, o menino ainda voltava para casa mensalmente, porém, quando chegou a hora do ensino superior este resolvera voar para ainda mais longe, se mudando agora para os Estados Unidos. Mas para Suriya era diferente, gostava de ficar próximo dos pais e se sentia bem da forma que estava, com os amigos que conhecia e com tudo com qual era acostumado. Entrou na Universidade de Moda e Design aos 20 anos para estudar o que realmente amava, mal sabia que dois anos após sua conquista a infelicidade da morte de seu pai viria a tona, de forma rápida e devastadora.
O tempo se estendia e seu irmão mais velho agora demorava muito mais para retornar, estava com um bom emprego no exterior e talvez houvesse mesmo se encontrado longe de suas dores. Já a mãe, após pouco mais de um ano de luto sentiu a necessidade de voltar para a terra natal, retomar as suas raízes e Suriya por sua vez, acompanhou os passos da progenitora. O jovem transferiu o seu curso para um das melhores Universidades da China, porém, mesmo que desejasse não poderia viver somente das lembranças do que um dia havia sido um lar feliz para si, era hora de recomeçar. A casa de seus avós era grande e também cheia, a cultura dos Huang era diferente das demais e estes adoravam ter a casa cheia de familiares. O que não era tão favorável assim para o jovem.
Ao aceitar a mudança em sua vida, o tailandês também quis se dar um início novo e então, com as economias que o falecido pai havia lhe deixado, resolveu sair um pouco mais dos cuidados da mãe e assim abandonar mais o ninho. O descendente dos Adulkittiporn que sempre cresceu junto do seio da família, agora estava pronto para trilhar o seu caminho sozinho e tomar suas próprias decisões por si.
Contos de fadas, músicas de ninar, o calor de um abraço; Chengxuan nunca conheceu a realidade esperada para uma criança, pelo contrário, muitas vezes dormia ao som dos gritos do pai e o choro da mãe, ou vice-versa. A família Liu, apesar da boa aparência frente a mídia, nunca passava um dia sem brigas aparentemente intermináveis, até que o patriarca as deixou e o silêncio dominou o apartamento, um vazio lotado - tensão, lágrimas, o tempo que não seguia seu curso.
Jiao, a mãe, foi a mais afetada pelo divórcio. Por semanas, nem levantava da cama, e teria morrido de fome se não fosse pelas pessoas que se encarregaram de alimentá-la: amigos, família, empregadas e, eventualmente, a própria Chengxuan. Os amigos se afastaram, a família se cansou, as empregadas foram banidas da casa, para longe da cena que, mesmo sendo nova demais para conhecer o que dizia, a garota considerava deplorável. Limpeza, alimentação, telefonemas pendentes. A sobrevivência de ambas passou a ser sua responsabilidade, contando apenas com ajuda dos advogados que tinham mais interesse em manter a empresa de Jiao de pé do que vê-la se juntar às ruínas da fundadora.
Em seus melhores dias - ou pelo menos na maioria dos seus dias -, Liu Jiao fora uma estilista da moda, uma das melhores em solo chinês. Seus designs se esgotavam das lojas rapidamente, e apenas a elite era convidada para os desfiles - sempre muito bem pensados, até mesmo após a mulher adoecer. Ninguém sabia explicar como ela conseguia manter o fluxo de ideias correndo; ninguém sabia que, por trás dos desenhos semanalmente enviados para a direção da marca de roupas, estava Chengxuan, no auge de seus 14 anos. A garota havia aprendido muito observando a mãe, continuando com seus estudos de moda mesmo entre as tarefas de casa e da escola, criando a si mesma enquanto lutava para manter o mundo da matriarca de pé.
Seu trabalho duro não foi de graça, claro. Muito pelo contrário, custou-lhe muito caro, criando um ressentimento contra o mundo que resistia qualquer tentativa de intervenção; ressentia-se pelo pai, pela mãe, por todos os culpados pela sua infância desfeita - e, em seus olhos, estes podiam ser qualquer pessoa em sua vida. Por outro lado, Mia Liu nunca teve seu nome estampado na etiqueta das roupas criadas por seus desenhos. Nunca teve nenhum crédito, ninguém a parabenizou, ninguém reconheceu seu talento.
Ninguém, claro, fora sua mãe, nos momentos de sobriedade da mulher. Quando descobriu o que a filha fazia pela marca, encantou-se e passou a dedicar todas as forças para incentivar a ida de Mia para a Yushen University, a mesma faculdade em Hong Kong que frequentava quando nova.
Acontece que o Jian era dado às formas desde moleque - logo quando conseguiu reunir coordenação motora o bastante pra agarrar um giz de cera na mão direita, sendo mais específico. Suas respostas pro mundo surgiam através de desenhos, e segundo a sua psicóloga “É provável que o Xiao Jiji esteja expressando sua solidão em todos esses desenhos aqui” - o que servia como uma resposta indireta ao tanto de tempo fora de casa que os pais precisavam passar.
E não, essa não é uma história de pais que deixam seus filhos na mão de empregados e esquecem da família.
Na verdade, essa é mais uma história de pais batalhadores que precisaram trabalhar muuuuuito pra fazer o Jiji crescer com bastante qualidade de vida. Pai arquiteto, mãe engenheira. Dois apaixonados que arriscaram ter um filho pouco depois dos 20 anos e o resto deu no que deu. Jian passou seus primeiros aninhos de vida sendo criado pelos avós - os coitados que precisavam sacrificar suas paredes a servir de tela pro garotinho e o seu giz de cera alaranjado. Pouco depois do Jiji completar sete anos, a estabilidade profissional dos pais tava bem formada e todos eles se mudaram pra um apartamento maior.
Jiji gostava da casa nova, de passar mais tempo com os pais e dos amigos da vizinhança. Ele só não gostava da escola.
Porque igual todo artista, Li Jian era muito sensível - e durante sua infância e adolescência, sua sensibilidade era mais evidente. Ele foi formando essa personalidade aluada, de energia etérea e distante por passar tanto tempo sozinho divagando sobre o mundo… E num geral, os outros colegas do colegial interpretavam isso como esquisitice ou desespero generalizado por atenção; mas não, esse era só o jeitinho dele. Uns gostavam de debater sobre quem eram os mais populares da escola ou qual era a melhor música da Ariana Grande… O Jiji preferia falar sobre estrelas, universo paralelo e como fazer um zong zi gostoso de verdade.
Com o final do ensino médio e a idade adulta batendo na porta, Jian decidiu seguir seus sonhos com todo o apoio dos pais: se tornar um artista, mas um artista formal com diploma debaixo do braço. Particularmente, ele não sabe muito o que vai rolar depois disso, mas se reconhece como um excelente pintor, bom para desenhar formas e expressar seus sentimentos com tinta e pincel.
O Ji ainda é um garoto meio complexado, sim… Não sabe lidar muito bem com a solidão, chora com facilidade e sente que a maioria das pessoas tendem a achá-lo esquisito; mas com os seus vinte anos de idade e uns anos de terapia durante a adolescência, ele já tá conseguindo lidar melhor com as nuances da sua personalidade aluada e sonhadora.
Hoje ele socializa melhor com todo mundo, sorri mais e arrisca se divertir como a maioria dos jovens adultos - só não vale fazer julgamento se encontrá-lo por aí com o rosto melado de tinta ou fazendo bagunça numa tela dentro de qualquer sala vazia da universidade.
Para falar sobre a própria história, Kim Yena precisava admitir que grande parte dela era uma grande mentira; começando pelo próprio nome. Nascida Choi Minkyung, até o último ano do ensino médio sua vida era completamente ordinária. Tinha alguns amigos, os pais eram separados e morava com a mãe, mas vez ou outra visitava o homem. Ia para a escola, às vezes para a igreja e tinha uma relação aceitável com os pais. Não tinha do que reclamar, de fato, mas não tinha muito do que se gabar também. Se considerava uma garota comum com uma vida comum, mas não sabia muito sobre a própria família e o que o futuro reservava.
Sua mãe sempre fez questão de esconder a real profissão do pai, algo que nunca havia se tocado até o momento que tudo fora jogado na sua cara de uma vez só. Apenas o que foi lhe de tido a vida toda era que o homem tinha uma empresa no ramo imobiliário, por isso tinha tantas propriedades, e na cabeça da garota fazia sentido. Levou alguns anos para que todas as certezas que tinha caísse por terra, mas o baque foi tão grande que preferia viver no escuro pelo resto da vida.
Por volta dos 17 anos, em uma das visitas esporádicas que fazia ao pai, a coreana notou algo de errado logo que entrou na casa recentemente adquirida do homem. A porta não estava trancada e alguns objetos da sala estavam revirados, além das pegadas grandes de terra contra o piso claro. Yena, que ainda era Minkyung, decidiu seguir os rastros por sabe-se lá qual motivo e a cena que viu fez que se arrependesse da decisão pelo resto da vida. No escritório do pai, pela porta entreaberta, conseguiu ver o exato momento em que um homem atirou contra um dos funcionários do mais velho. Não conseguiu conter um grito rapidamente abafado pela própria mão que chamou a atenção do assassino, ao mesmo tempo que sirenes começavam a soar alto. O homem olhou para ela por segundos que pareceram horas antes de pular contra o vidro da janela do escritório, segundos antes de ouvir passos apressados dentro da casa e logo sentir braços a envolvendo e a levando para fora, onde vários carros de polícia e uma ambulância estavam.
Desde tal acontecimento, sua vida mudou completamente. Agora era uma testemunha que precisava ser protegida, uma vez que não só viu o assassino, como foi vista por ele também. A policia estava certa que se tratava de um membro de uma gangue local e a solução mais segura era tirar Yena do país. Dessa forma, mudou seu nome, assim como sua mãe e juntas se mudaram para a China, onde estavam decididas a construir uma vida longe de tudo aquilo e principalmente do próprio pai. Era inevitável que culpasse o homem, uma vez que em meio a tudo isso descobriu que ele era um bandido envolvido com gangues e possivelmente até a própria máfia coreana e ele tinha colocado não só ela, como sua mãe em perigo por todos esses anos. Ela tinha sorte que o corpo na casa aquele dia não tinha sido o dela. Por mais que sua vida dia após dia fosse carregada de medos, traumas e paranoias, se sentia ao mesmo tempo sortuda por ter saído de tudo ilesa e não queria desperdiçar sua vida tendo medo. Assim, tinha como objetivo estudar e se formar em uma boa universidade, fazer amigos e viver a própria vida da maneira que decidisse, afinal, tinha um mundo de possibilidades à sua frente.
Jaehwan, para quem não o conhece, pode ser tido à primeira vista como: esquisito. Talvez por sua personalidade fechada, ou pura e simplesmente seu interesse em prestar mais atenção nos livros em sua estante, do que as pessoas ao seu redor.
Muito mudou desde a sua infância, a começar por seu gosto pela música, que quando criança fê-lo ter destaque grande no coral da igreja, mas que com o passar do tempo ele simplesmente… Abandonou. Decidido que não, não era aquilo que ele queria para a vida. Mas, afinal, o que ele queria da vida, então? Era um mistério. Assim como os livros em sua estante, que tendiam a aumentar.
Foi na internet que Jaehwan descobriu sua grande paixão; é claro que suas ambições eram pequenas, afinal, na internet tudo era possível quando se estava por detrás de um nickname e um ícone de anime, ou algo semelhante. E era esse conforto de não precisar se identificar que fê-lo ter certeza do que queria para o futuro. Ele queria ser escritor. Mas como poderia, sem ter coragem suficiente para sair daquele anonimato, por pura e simples insegurança?
Aquele mundo “fantástico” e anônimo precisava ser deixado de lado, e essa foi a única condição dada por seus pais; Jaehwan podia seguir a carreira que tinha em mente, desde que entrasse em uma universidade. E, honestamente falando, por mais que Jaehwan não fosse um gênio, no sentido literal da palavra, não era atoa que ele sempre foi conhecido como o nerd da turma (de todas as turmas, sejamos sinceros).
Mas o que seus pais não esperavam era que Jaehwan fosse tão longe com aquela proposta, aplicando para universidades dentro e fora da Coréia com a ideia fixa de ter, enfim, algum tipo de liberdade para ser quem sempre quis ser. Sair um pouco daquela bolha protetiva dos pais lhe faria bem, ou ao menos fora com esse pensamento que ele aplicou para o programa de intercâmbio da Yushen. E, muito para o desgosto dos pais, ele passou.
O curso de literatura não era exatamente o “mais apropriado”, mas já era um começo; ele continuava a escrever, por detrás de um nickname online, mas ao mesmo tempo, decidido a se arriscar um pouco mais, entrou para o clube de teatro - tanto para conseguir se enturmar, de alguma forma, quanto para abandonar aquela imagem de “esquisito” que o persegue desde criança.
E é claro que o futuro ainda é incerto, mas ao menos ele pode dizer que está caminhando. Para onde? Ele vai descobrir, em algum momento da vida.
Dormitório: Sim.
Período: 3º.
Clube: Teatro.
Intercambista: Não.
Nacionalidade: Chinês.
Etnia: Chinês.
Idade ooc: +18.
Temas de interesse: Todos.
Faceclaim: Song Jiyang - Ator.
Mewe: /yushen_bayi
Background
Não era segredo para ninguém que Lee Yanli tinha o dom de escolher as piores pessoas possíveis para chamar de amor e se envolver romanticamente. A jovem enfermeira estava em seu segundo casamento, com um homem bem mais velho e rico o bastante para que não deixasse faltar nada para a sua pequena família constituída apenas de um filho pequeno e ela. A princípio, ele não pareceu se importar com o fato de Yanli ter um filho pequeno, muito pelo contrário. Lee Chang costumava elogiar bastante o pequeno Zhou Bayi, filho de um médico que a chinesa costumava dizer que foi morar nos EUA, a deixando para trás com oito meses de gravidez e prestes a dar à luz.
O que a mulher não sabia, ou que pelo menos fazia questão de ignorar, era o fato de que o seu esposo, Lee Chang, não parecia assim tão interessado em mulheres, não quando Bayi, o adolescente que ficava cada dia mais atrativo para os olhos dele conforme se tornava maduro, entrava em cena. O garoto de dezesseis anos tinha percebido o quão nojento conseguia ser aquele homem que o enchia de mimos e olhares cheios de segundas intenções quando sua mãe não estava por perto, e também sabia qual a intenção dele sempre que o velho tentava tocá-lo por debaixo da mesa que usavam para fazer refeições, toda vez fazendo questão de sentar ao seu lado, ignorando completamente Yanli que achava perfeitamente normal o “amor” que Chang nutria pelo seu filho; afinal, ele tinha apenas dez anos quando ela aceitou morar com ele.
Cansado de ter que ficar fugindo daquele homem dentro da própria casa, Bayi não aguentou e desabafou com a mãe sobre o que estava acontecendo, ciente de que ela o entenderia e o defenderia. Ao contrário do que era de se esperar, a mulher apenas disse que não deixaria a sua vida de luxo e todo o dinheiro que tinha conquistado ao lado de Chang por causa do próprio filho. Ela estava tão cega pelo dinheiro que estava disposta a deixar o adolescente nas mãos daquele homem apenas para continuar usufruindo dos inúmeros mimos que recebia, bem como da mordomia de não precisar trabalhar. Cansado da vida que estava levando e sentindo-se extremamente inútil por não poder sair de casa até ter idade para entrar em uma universidade, Bayi pensou o bastante para conseguir uma renda própria, que não fosse o dinheiro exagerado que aquele velho estava disposto a dar apenas para ver uma pequena porção de sua pele, seja das pernas ou do peito desnudo; rendendo ao jovem a brilhante ideia de que conseguiria lucrar com propostas do tipo.
Ciente de como existiam mais homens como aquele no mundo, o rapaz uniu o útil ao agradável e passou a vender fotos de nudez não tão explícitas assim na internet, sempre escondendo o seu rosto para não ser reconhecido. Pouco a pouco e mais lento do que esperava, ele começou a ganhar dinheiro com aquilo, percebendo que não era tão tímido assim quando o assunto era tirar dinheiro de gente que não valia nada. Porém, o preço que pagava por seu “emprego” era extremamente alto. Bayi passou a se sentir como essas pessoas, sentindo que não valia nada a cada vez que o dinheiro caia em sua conta bancária para pagar as próprias despesas e a diversão. E por mais que não se comparasse aos homens que compravam as fotos, sentia medo de que fosse exposto, principalmente depois de entrar na universidade, lugar em que as fofocas correm mais rápido do que fogo em pólvora. Mantendo em segredo o que fazia para ganhar dinheiro, Bayi intitulava-se como fotógrafo amador, fazendo pequenos trabalhos que não rendiam nem metade do que ganhava com suas fotos “proibidas”.
Seguindo os mesmos passos do pai que não conheceu nem mesmo após completar a maioridade, Bayi deixou de lado todos os assuntos da sua família conturbada para focar nos estudos assim que ingressou para faculdade, focando bastante em seus estudos para sair daquela vida “promíscua”. Afinal, a sua intenção nunca foi passar o resto da vida trabalhando com o próprio corpo e tampouco, devido a traumas do passado, acabar como a própria mãe, sempre dependente de alguém.