A quebra da Poética Aristotélica em Romeu e Julieta - Parte 1
Meu professor de História do Teatro Ocidental pediu um trabalho que ilustrasse de alguma forma a Poética de Aristóteles (Aristóteles 384-322 a.C. foi um importante filósofo grego. Um dos pensadores com maior influência na cultura ocidental.). Pra quem não conhece, essa tal Poética é um compilado que nos fornece formatos de como “deveriam” ser as estruturas textuais e literárias gregas, um bom exemplo são as Tragédias (Édipo Rei, Antígona, Medéia, etc.). E uma Tragédia “boa” para Aristóteles deveria seguir algumas “regras”.
Tragédias - Um resumo
Podemos entender a Tragédia como a representação/imitação da vida, só que de uma forma poética ou filosófica, e esse contexto podemos nomear de Mimese. A partir dos personagens e do desenrolar da história nos depararíamos com indagações que os Tragediógrafos (dramaturgos/autores/escritores de Tragédias) faziam sobre a época em que viviam, assim como outros autores modernos e contemporâneos, eles usavam dessa forma de Arte Teatral para contar histórias.
Primeiro, as Tragédias deveriam ser sobre Homens e Ações Nobres (Reis, Rainhas, Heróis e seus feitos heroicos). Em resumo, as Tragédias giravam em torno da expurgação do sentimento humano que poderia ser pelo Terror ou Comoção. Ou seja, ao ler esse tipo de texto temos a história, e ela vai seguir vários momentos decisivos que moldarão o resultado final. Naquela época os espectadores deveriam sentir uma espécie de atravessamento com o final da história que se daria por todos os acontecimentos que tal obra proporia. Esse final da obra poderia deixar quem assistisse horrorizado, ou comovido com o que aconteceria com o protagonista.
Resumindo, ou a gente fica chocado querendo morrer por que é triste demais a ponto da gente se comover, ou ficaria horrorizado por que tudo virou um amontoado de bizarrice (de uma forma bem chula) e a gente não consegue acreditar, por que é realmente chocante.
Por exemplo, (contém spoiler), na Tragédia Édipo Rei, o cara casou com a mãe, teve filhos com ela, e no final ele perfura o olhos por conta da vergonha que sentira com seus atos. Ele não sabia disso tudo, que é resultado de uma maldição dos deuses, porém, suas ações e decisões na história nos fornecem a vida dessa pessoa nobre (Édipo) e suas ações como rei/governante e o resultado de suas decisões, e no final a gente se depara com o horror por ele casar-se com a mãe, ou se comove por conta de todo o caminho que a obra percorre para contar a história de Édipo.
(Quadro: Rei Édipo e Antígona)
As tragédias trabalham com babados fortíssimos, e quando você se pega envolvide no texto é realmente potente sentir esse Horror ou Comoção, e a Catarse que é um conceito filosófico, nos leva a um tipo de purificação, libertação ou purgação, sobre algo que nos perturba, incomoda ou assombra. No caso das Tragédias, a Catarse poderia acontecer através do Horror ou Comoção (bem simplificado), e também, as Tragédias eram uma forma artística e literária que proporcionou esses sentimentos e ações na Grécia Antiga.
O contexto de uma forma geral vai muito além dessa forma que apresentei, mas os exemplos dados são pra gente poder ter uma imagem mais simples do que está sendo falado. Lembre-se que essas histórias e contextos são da Grécia Antiga, então a visão de sociedade, Literatura, Arte e Política eram outras. Muitas visões perduram até hoje, mas isso é assunto pra outro post.










