Terrorismo
Análise Final
A sociedade ocidental contemporânea, no seu desenvolvimento, sofreu um processo de institucionalização social em todas as áreas. A economia capitalista, como instância determinante, é o ponto que liga toda essa rede de normas internalizadas nessa sociedade. A partir do ideário do capital surgem padrões de linguagem, moda, conduta social e relacionamentos. A educação, arte, saúde e religião também são institucionalizadas e, em suas diversas organizações, fomentam o modelo predominante de cultura ocidental.
Nesse contexto social podemos visualizar os equipamentos utilizados pelas instâncias predominantes, como o Estado, para exercer controle sobre a população e perpetuar o seu domínio e o sistema vigente. As polícias, as mídias, as ciências, são exemplos de equipamentos de grande influência na atualidade e que agem diretamente sobre opiniões e formas de conduta. Porém, um alicerce sutil para o domínio populacional é a chamada cultura do medo. Ao implantar nas mentes dos cidadãos ocidentais a ideia de que a sociedade, o desconhecido, ou o incomum são ameaças, o estado também cria nessas pessoas a falsa demanda da necessidade de proteção estatal, através do desejo manipulado por segurança. E, em resposta a essa demanda, o mesmo Estado oferece o seu modo de “proteção” como sendo o melhor e mais eficiente.
O terrorismo é um exemplo claro dessa relação de poder. A ideia do muçulmano terrorista tem sido enraizada de forma sutil, porém incisiva, em grande parte dos países ocidentais. As diferenças culturais, econômicas e políticas entre os países árabes e a grande potência norte- americana tem sido usadas como base para criar a ideia de que esses países (e principalmente seus cidadãos) são inimigos que devem ser combatidos. Com essa ideia, o Estado fortalece nos cidadãos ocidentais a cultura norte- americana como superior e, de certa forma, correta, nos âmbitos político, econômico, religioso, filosófico e de relações sociais, e consegue “passe livre” para buscar seus interesses de domínio e opressão nos países que combate.
É importante para o institucionalismo perceber, nesse vasto campo de análise que é a sociedade ocidental contemporânea, o seu analisador, como todo o seu contexto cultural e relações sociais e, além deles, instituições e comunidades que tem usado de dispositivos e realizado micropolíticas instituintes em relação a essas formas de domínio e poder e que, através desse conhecimento, o cientista institucional, em seus campos de intervenção contribua para a formação de comunidades e coletivos capazes de se auto- analisar e se auto- gerir, proporcionando o fim de hegemonias opressoras fomentadas pela cultura do medo.












