Sabe o que é enxergar todos os sinais, mas se fazer de cega? Querer tanto enxergar o bem que qualquer ínfimo sinal de carinho se torna o grande gesto de amor da sua vida? Querer tanto que aquela pessoa seja a certa, mesmo ela sendo tão errada, às vezes mais, quanto a anterior? Eu sempre tive a escolha de me afastar, de dar as costas a cada sinal em que me alertava que eu estava me apegando. Que eu estava gostando um pouco demais. Que eu estava descendo a cortininha do amor sobre meus olhos. O engraçado sobre a cortininha é exatamente isso, não importa o quanto lhe avisem, o quanto argumentem, você sempre achará um motivo para continuar ali. Não importa a mágoa, o tamanho do nó, ou quantas vezes a pessoa te faz chorar no dia. Não existe amor próprio que te faça voltar atrás porque a saudade rasga. A saudade pesa como o mundo inteiro nas costas. Toda e qualquer coisa que você faça, vai te lembrar ele. E você vai querer contar pra ele. Contar como sua vida acadêmica vai. Contar que ouviu a piada mais engraçada do mundo e lembrou dele. Contar que viu um filme, série, leu um livro, e em todos eles o protagonista perturbado e a mocinha lembravam exatamente vocês dois. Você vai achar que o viu na rua. Vai ver fotos antigas. Ouvir a voz dele. Vai sonhar com ele. E em todas essas vezes vai perceber que ter saudade é fácil, o problema é viver com a saudade. Viver com a saudade se torna doentio a ponto de sentir falta das brigas. Sentir falta de como ele lhe tratava mal porque pelo menos vocês ainda conversavam. Sentir falta dos gritos, e os longos silêncios absolutos depois. Sentir falta das infindáveis idas e voltas, dos perdidos que ele dava. Você vai se pegar sentindo falta até das mentiras, porque quando ele finalmente te contou a verdade, você preferiria não ter ouvido. Você preferiria ter se segurado a ele, e o ciclo vicioso de vocês dois porque ele ao menos voltava. Ele voltava. Me tocava como se ainda fosse a primeira vez e todas as coisas ruins eram apagadas. Todas as vezes que confiei nele, e ele usou justamente estas fraquezas para me atingir. Todas as vezes que chorei até às 3 da manhã, mesmo sabendo que tinha coisas importantes no outro dia cedo pela manhã. Todas as vezes que ele apresentou indiferença tão brutal que quase nunca mais acreditei quando ele disse que eu era importante. Quase. Quantas vezes quase fui embora? Quase disse que ele não me merecia? Quase disse que tinha outro e que o interesse não era mais o mesmo? O que seria mentira, porque se ele voltasse a ser o mesmo, eu me ajoelharia e faria de tudo por ele de novo. Se ele apenas voltasse atrás e pedisse desculpas, eu estaria disponível para ouvir. Por Deus, eu seria capaz de pedir desculpas por coisas que não fiz, e erros que não cometi só para tê-lo ao meu lado. E se parar pra pensar, eu nunca errei. Eu nunca menti. E nunca quebrei uma promessa. Eu estive lá quando você se sentiu sozinho. Estive lá mesmo quando não podia estar. Quando não podia te tocar. Troquei noites das minhas semanas pra ter noites contigo. Pra te ouvir falar sobre qualquer coisa. Pra te ouvir rir. Pra te ouvir dizer que me ama. Que me deseja. Que eu sou importante. Que eu sou boa. Pra te dizer que esse negócio de tu não ser suficiente pra tudo que tu quer fazer nessa vida é bobagem. Pra te lembrar que tu é um bosta, mas é um cara com muito potencial. Pra dizer que se alguma vez tu pensasse que ninguém acreditava em ti, lembrasse de mim, porque eu sempre acreditei. Mesmo quando sabia que nem metade do que me dizias era verdade. Pra te lembrar que eu fiquei. Mas ficar, dizer que ama, já não é mais suficiente porque você sugou o que podia e não podia de mim, e agora não tenho mais nada a lhe oferecer. Espero que pro bem dela, ela tenha.
Como já diria Madonna, nem o diabo lhe reconheceria, Camila Reis












