a pretty sight | alexios x venus
O clima ameno do reino pouco fazia para aliviar o calor que se propagava dentro da sala de treinamento. O suor descia pelas costas fortes do príncipe, enquanto o rapaz participava de uma dança mortal junto de um dos cavaleiros do rei. Seria apenas mais um dia ordinário de treinamento, se eles não tivessem uma plateia. Seu pai, junto de alguns nobres e donzelas observavam a luta travada entre os dois homens com ansiedade, como se aquele brandir de espadas fosse algo realmente espetacular. Alexios não era tímido, muito pelo contrário. Gostava de atenção, e sempre se esforçava para deixar uma boa impressão naqueles que o conheciam pela primeira vez, no entanto, ali no meio das pessoas, estava sua pretendente, e graças aos santos, ainda não era sua prometida. Amelie Van Burk era uma garota adorável, mas apenas isso. Alexios havia crescido com a moça, havia compartilhado segredos e dores, mas não conseguia a imaginar como sua parceira, a futura rainha do seu reino. Ela era tão boa quanto deveria ser, mas o príncipe nada sentia por ela além de afeto fraternal. Não era tolo a ponto de acreditar que iria casar-se por amor, entretanto, a ideia de consumar o casamento com alguém que via como sua irmã lhe era perturbadora. Sua cabeça cheia de pensamentos de repugno culminaram em sua derrota, e antes que ele pudesse se redimir, a espada de Lucca tinha a ponta da espada contra sua garganta. Todos começaram a aplaudir, mas o desgosto era claro nas feições do rei. Alexios apenas se despediu, saindo rapidamente do cômodo.
Enquanto se banhava, o príncipe traçava uma estratégia para fugir de seu pai e também do cortejo que teria que fazer. Não estava em seu melhor humor, e cortejar alguém que sequer desejava pouco fazia para o melhorar. Após vestir-se com roupas limpas e mais simplórias, Alexios fugiu por uma das saídas subterrâneas, certo de que se passasse um tempo com os servos do reino, ira se sentir melhor. Aquela atividade era uma coisa que costumava fazer com sua mãe, a Rainha. Nascida na plebe, Grace, era a perfeita imagem de graça e gentileza. Fora uma rainha boa, piedosa, e justa, até que a gripe a alcançou, a levou para si. Antes da doença, quando Alexios não era mais do que um menino, Grace o levava para passeios na feira. Os dois, disfarçados, caminhavam entre o povo como um deles, e aprendiam sobre coisas novas, provavam comidas que nunca passariam dos muros do palácio, e encontravam ali um meio de escape. Quando sua mãe morreu, Alexios continuou a fugir de vez em quando, especialmente nos momentos em que sentia que estava prestes a sufocar. Aquele era um desses. O peito sentia a força da responsabilidade que estava prestes a cair sobre seus ombros, e aquilo era demais, mesmo para ele. Andar por entre os plebeus, participar das conversas e comer com eles, era sua forma de esquecer o futuro que lhe esperava e que a cada dia se aproximava da concretização.
Sendo um dia de feira, as barracas estavam repletas de gente, com vozes se sobrepujando sobre as outras, chamadas de ofertas e pedidos gritados, junto com o clima fresco, davam uma atmosfera mesclada de barulho e calmaria. Apesar de não ser reconhecido como o príncipe, Alexios era sim reconhecido, então, quando parou próxima a uma barraca de pães, foi agraciado com um sorriso tímido de uma das filhas do padeiro. Retribuiu a expressão de bom grado, não deixando de notar o rubor alcançar as bochechas salientes da garota.
— O que vai querer hoje, nobre rapaz? — o tom dela era doce e extremamento atencioso.
— Bom dia, jovem donzela. Seria um deleite se pudesse me prover uma caneca deste néctar de laranja junto com um pedaço deste pão. — seus modos exagerados surpreenderam a jovem, mas ela apenas assentiu, providenciando o que fora pedido.
— São quatro moedas de prata, nobre cavaleiro. — Alexios riu, tirando as quatro moedas da bolsa que carregava, entregando a garota.
— Agradecido, bela donzela. — fez uma breve reverência, começando a saborear da refeição que havia comprado.
Quando não muito atento a comida, observava ao redor, encantado pela variedade de rostos diferentes e cores. Tão diferente da corte. Aquelas garotas não tinham nada de nobre no modo como se moviam, mas deuses, elas eram belas. Enquanto empanturrava-se com o alimento, olhava tudo e a todos com muita curiosidade.